Ixthogi'otjpiia da Jmjjvensa id ación al EXPOS I CAO UNIVERSAL DE VI EN NA 1873 Jíscala ein Pés cZi HUI c5b nn I ' < JA CALERIA ORIENTAL DE PRODUCTOS AGRICOLAS [estados SUISSA ¡ < BELCICA GRAN BRETANHA HUNGRIA RUSSIAl allemanha AUSTRIA •caleriaoccidental pe productos acrioulas AUSTRIA GRAN BRETANHA FRANCA GRAN BRETANHA! 1 □ □ ALLEMANHA _,J allemanha! ALLEMANHA BRAZIL AUSTRIA AUSTRIA 1 [AUSTRIA 1 AUSTRIi HOLLANOÁI < FRANCA huncria! russia BELCICA ■G ¡TURQUIA 1 AUSTRIA) AUSTRIA ITALIA AUSTRIA AUSTRIA ¡ AUSTRIA ! AUSTRIA (a rva Iho Litltograjihia da Jnijn'fnsa Nacional i *on*T«a: «oamu" BEUTOU DO SERVIDO Dü EM NA EXPOSigÁO UNIVERSAL DE 1873 DIRIGIDO COMMISSARIO REGIO LISBOA IMPRENSA NACIONAL 1874 tO \. i 11: V RELATORIO tlHOTAjriíl & SÍ-J,^' ty \U-.'C »»_). i, o.^V ./. r** SENHOR: Por decreto de 1 de margo de 1873 houve por hemVossa Magestade nomear-me paraassis- tir á exposigáo universal deYienna de Austria, na qualidade de commissario regio de Portugal. Oumprindo o meu dever tenho a honra de submetter boje á elevada eonsideracáo deYossa Magestade o relatorio do servieo do commissa- riado. Quando o governo auslro-bungaro, aos 16 de setembro de 1871, deu publicidade ofíicial ao programma da exposicao, manifestaram-se em varios paizes pronunciadas hesitagoes dos governos, dos expositores, e dos homens de estado, que dáo alguma attencáo aos assumptos d’esta natureza. Tinbam fundamento estas hesitagbesraexpe- % riencia das exposigües anteriores, e o proprio programma d’esta, explicavam o acolhimento pouco favoravel concedido ao plano austríaco. Desde 1851, ha vinte e tres annos, esperamos em váo resultados que nao chegam. Se as exposigoes universaes tem contribuido para a paz, se algum proveito d’ellas tem vindo para as relagoes políticas dos estados, é muito duvi- doso que a industria e o commercio, com estas grandes, irregulares e espectaculosas manifes- tagoes do seu estado, tenham conseguido o que lhes prometteram na primeira exposigáo de Londres, repetindo as promessas da Franga quando em 1798 abriu em París a primeira exposigáo industrial. Mas a exposigáo deVienna, pelo seu programma, apresentava um carácter excepcional, que a distinguía de todas as anteriores. Pretendia-se verificar o estado actual da ci- vilisagáo moderna, e da economía nacional de todos os povos, favorecendo o seu desenvolvi- mento, e para este fim os productos foram, mais ou menos correctamente, distribuidos por 26 grupos. 5 Determinava-se que pelas exposigoes comparativas de machinas, apparelhos, processos e methodos de operar, em differentes epochas, se procurasse realisar aquelle intento; que pela exposigao de objectos análogos, de differentes epochas, e pela exhibicáo de modelos e amostras, se demonstrasse o augmento da for^a productiva das diversas industrias, e a sua dependencia das variares do gosto, e reciprocamente a dependencia que elle tem d’ellas, e a sua importancia, sob o ponto de vista de economía política de varias epochas, forman- do-se d’esta maneira a historia da industria; que para provar quanto a sciencia pode concorrer para os progressos da industria se ma- nifestasse praticamenle o aproveitamento dos desperdicios, grupando convenientemente os resultados dos inventos e descobertas feitas depois da exposigáo de 185 i; que para a historia dos presos se formasse urna tabella comparativa dos precos das princi- paes mercadorias nos centros mais importantes da producgáo, expondo amostras; que para representar o commercio do mundo tí se fizesse a exposigáo de eolleccoes de amostras, e specimens, das mercadorias que sao ob- jecto do commercio, nos principaes portos do mundo, indicando-se cerca de cada amostra a procedencia, o movimento de importagáo e ex- portacáo, os presos, etc., e representando por eslalisticas numéricas, e quadros graphicos, o movimento da navegacáo e do commercio, de cada porto, durante os últimos dez annos. E alem d’isio promeltia-se: a comparado das superficies destinadas á cultura, das quantidades da produegáo agricola annual, dos seus precos e dos valores dos terrenos, da laxa do juro do dinheiro, dos ca- minhos de ferro, das populares, etc. Promettia-se mais: urna serie de ensaios praticos, por exemplo para a produccáo do vinho, e sen aquecimento, para a a it ” acáo do hydro-extractor, para a produccáo da luz eléctrica, applicagües do ba- láo captivo, comparagáo de materias explosivas, applicagáo de charrúas tocadas pela forga do vapor, bombas, locomotivas, etc.; conferencias de sciencia applicada; 7 concursos inlernacionaes para a escolha dos melhores instrumentos de trabalho; exposigoes temporarias internacionaes de plantas e animaes vivos, ensaios dynamomelri- cos para verificar a forca de traccáo d’estes, etc.; experiencias relativas ao fabrico da manteiga e do queijo; e provas dos productos alimenticios vendidos em pavilhoes especiaes. Nao ficavam por aqui as promessas; mas o que deixo mencionado basta para as conside- ragoes que desejo submetter á elevada aprecia- gao deVossa Magestade, abstendo-me de qual- quer observagáo relativa ao grupo de bellas artes, que naturalmente pode, e n’este caso deve, separar-se dos outros. Que povo ha ahi preparado para dar execu- gáo a um programma d’esta natureza? A propria Austria ficaria muito seriamente embaragada se lhe pedissem, acerca de qualquer dos spus centros de industria, urna serie de informagoes analogas á inleressantissima serie que nos apresentou de Trieste. Justificava-se, pois, a hesitagáo, considerado 8 assim o assumpto. Se das exposigoes anteriores, com os seus programmas relativamente modestos, lamentavamos a penuria de resultados praticamente uteis; o que poderiamos esperar d’esta, faltando ás nagoes os necessarios elementos para a execugáo de táo esplendido programma? Mas o negocio tinha de ser por outra ma- neira encarado. Sem previa audiencia dos ou- tros paizes, e usando plenamente do seu direito, o imperio austro-hungaro, que teria feito um bom servigo provocando a reuniáo de um con- gresso internacional para regular o servigo das exposigoes universaes, apresentava-se com o seu programma e o seu convite. Era forgoso consideral-os, e acceitar a questao nos termos em que se offerecia, embora incorrectos, irregulares, e manifestamente nocivos para o futuro das exposigoes. Por este motivo me pareceu que nao deve- riamos adoptar o systema da abstengao, quando os outros paizes se resolvessem a ex por, e pro- curei, quanto possivel, acceitando a honrosa missao que Vossa Magestade houve por bem 9 coníiar-me, approximar-me sempre da directo que este movimento das exposigoes, segundo pensó, deverá ter no futuro. A associagáo ‘promotora da industria fabril, da qual Vossa Magestade houve por bem declararle protector, quando ha onze annos ella fez o seu primeiro e modestísimo ensaio de urna exposigáo parcial, lomando a posigáo que íhe competía, pelas suas relacoes eom as fabricas do paiz, e pelas suas ligares internacio- naes, que de dia para dia se tornam mais íntimas, instou pela representagáo de Portugal em Vienna, publicou programmas, dislribuiu circulares, excitou os brios da classe industrial, so- licitou a attengáo do governo para os inconvenientes das abstengoes, e teve a fortuna de ver attendidas as suas diligencias. Se em Vienna a sociedade dos architectos e engenheiros austríacos, e a sociedade industrial da baixa Austria, conseguiram a creagáo do fundo de garantía, ponto de partida para o ousado commettimento, que depois obteve a sancgáo imperial; em Lisboa a associagáo promotora, livre de responsabilidade, por haver 10 francamente apresentado a sua opiniáo ácerca da direccáo que deveriamos dar ás exposigoes industriaes, dedicou-se a evitar o damno, que poderia resultar da abstengáo, e ninguem deve tomar como falta de modestia a convicio que tem de que aos seus esfor$os sao devidas, em grande parte, as resolugóes contidas no documento n.° i annexo a este relatorio. Examinando attentamente o citado documento, vé-se que, d’esta vez aínda, nao tendo querido organisar modestamente o servido das ex- posiQoes universaes, em relacáo á parte que o nosso paiz deve tomar em cada urna d’ellas, recorremos ao expediente das grandes commis- soes; e os resultados, como ñas exposigoes anteriores, exigem que nao mais usemos de um tal recurso. Nao estavamos preparados, como ninguem o estava, para o grande inquerito annunciado pela Austria. Fizemos urna tentativa, em relajo ao linho, mas o resultado, pouco animador, aínda assim muito superior ao que se deveria esperar, deu outra direcQáo aos trabalhos, resol vendo-se o conselho director a promover ape- ii ñas a exposigao de collecgoes, e a facilitar a sua collocagáo em Vienna. Gom este fim ali fui, no fim do anno de 1872, e depois do meu regresso o consellio ordenou as providencias convenientes para que opporlu- namente o paiz se achasse representado no grande congresso a que todos os povos eram chamados. Para as remessas manifcstou-se nos últimos dias urna certa hesitagáo, por falta de conheci- mento dos recursos locaes, e das disposigoes ordenadas pelo governo austro-hungaro. Resolverse que se effectuasse a expedigáo por Ham burgo, e a essa acertada resolugao de vemos, em grande parte, o bom éxito da empreza. Por Trieste teriamos descarga em barcos, transporte em carros, mil despezas, immensas diffi- culdades, demoras inevitaveis. Por Hamburgo exactamente o contrario: descarga nadoca, im- mediata carregagáo nos vvaggons dos comboios especiaes, servigo rápido, e mais vantagens, que nenhum outro porto do mundo poderia talvez offerecer. Eu nao vi nunca, em outro paiz, sem exceptuar da enumeracáo a propria Inglaterra, 12 táo notavel, pela sua actividade, dirigir traba- lho com a rapidez, o acertó, e a perfeigáo, de que Hamburgo nos dá o mais notavel exemplo. Pelo documento n.° 2 tive a honra de dar noticia ao governo de Vossa Magestade da nossa chegada a Hamburgo. O documento n.° 3 dá cunta de como se fez o servido em Hamburgo, trabalho preliminar para a importante tarefa que deviamos come- $ar em Vienna. Em Hamburgo fomos eficazmente auxiliados pelo sr. Francisco Van-Zeller, cónsul de Portugal, e pelo sr. Daniel B. G. Kleinschmidt, que entáo exercia as funccoes de seu secretario. Nao achei, na occasiáo da minha chegada, nenhum indicio da solicitude da direccáo geral da exposigáo ou do governo austro-hungaro, para facilitar o servido relativo aos productos de cada paiz. Um representante da direccáo geral em Hamburgo, por exemplo, poderia ter poupado algumas fadigas, e preparado a continuado do nosso muilo difficil trabalho. Entrando em Vienna notei a mesma falta. 13 A intervengáo officiosa do dr. Adolpho Plason, secretario da direcgáo geral, acudía felizmente para evitar transtornos e demoras, d’esta vez, como de outras, durante a exposigáo, e durante o servico do jury, quando a direcgáo geral dei- xava as correspondencias sem resposta, e os commissarios em lucta aberta com as difficul- dades mais graves. Nao foi fácil a installagáo do commissariado. ü exagerado prego das rendas de casas, aexi- guidade dos meios de que podía dispor, comparados com os recursos de que dispunham os outros paizes, e o desejo de manter com di- gnidade a posigao do paiz que tinha a honra de representar, collocaram-me durante alguns dias em serios embaragos. Era forgoso pensar nos escriptorios do commissariado, que devia ter dois, como os outros commissariados, um na cidade e outro no Prater, cuidar na residencia do commissario, e dar babitagáo decente ao meu pessoal, cujos vencimentos nao permittiam o pagamento de elevadas sommas. Resolví o problema, com sacrificio meu, arrendando por 3:200 florins (1:280$000 réis) 14 urna casa em Heiligenkreuzer-hof, lomando para minha residencia, e da minha familia, os quar- tos a, b, c, d, e, f, e estabelecendo a secretaria do commissariado nos saloes g, h, e na casa annexa i. Os outros paizes pagaram as residencias, al- gumas opulenlissimas, dos seus commissarios. O commissario regio portuguez pagou metade da renda, e subordinou os seus commodos ás conveniencias do servigo. Era o principio da execugáo de um plano, que depois da exposicáo deu em resultado ob- ter Portugal, com urna somma pouco avultada, vantagens que nao poderam obter outras na- coes, que dispunham de mais volumosos subsidios. Eu direi opporlunamente como procedí, a íim de que a despeza ficasse inferior á somma empregada para a reprcsentacáo do paiz na exposicáo antecedente, e para realisar urna com- pensacáo importante pela adquisigáo de muitas colleccoes de productos, e da necessaria mobi- lia para muscus, ou exposigoes permanentes. Com o fim de accommodar o pessoal, dando- llie alojamcnto gratuito, e facilitando as econo- T át fl dlup'.tllf rj'-’-s .*<*. . í .■>. r«: raí x?r*p?*ví 45 mias da vida em commum, aproveitei os quartos do pavimento superior da casa da escola primaria, sem prejuizo da exhibí gao, pois que se fi- gurava ser a residencia do professornos quartos habitados pelos meus empregados, que sómente os occupavam ñas horas em que o ingresso das galerías e estabelecimentos era vedado ao publico. Urna das gravuras, que acompanharam a Noticia, representa o edificio da nossa escola primaria. Os empregados occupavam os quartos do pavimento superior d’esta casa, que foi construida ñas oíficinas dos srs. Mardel & Ma- galhaes, em Lisboa, transportada directamente para Hamburgo e d’ali para Yienna, d’onde re- gressou, depois de haver figurado naexposigáo, ac-hando-se actualmente rio Campo Grande. Assim, pela mais engenhosa eombinagáo, que me suggeriu o meu desejo de fazer bom eeconómico servico, consegui que desapparecesse um dos primeiros embarazos da siluagao em que me vi coliocado por imprevidencia de urna adminis- tracáo, que tudo prometiera, e poucas das suas promessas podia cumprir, porque lhe fallava 16 methodo no trabalho, primeira das condigoes que se deve sempre exigir, para que o mais pequeño movimento nao fique dependente de violentísimos esforgos. No Prater acceitei para escriptorio as casas que a direcgáo geral me cedeu, no pavimento em que tambem estava o escriptorio da com- missáo dos Estados Unidos da America. Tendo recebido de Lisboa a noticia oíficial de haverem sido nomeados commissarios honorarios, na exposigáo universal de Yienna, os srs. baráo de Santos, visconde de Benalcanfor, visconde de Villar Alien e Joáo María de Maga- lháes, sendo considerados como adjuntos ao commissario regio, e membros do jury, absti- ve-me de preparar opportunamente, como teria sido possivel e fácil, o trabalho das apreciagoes, recorrendo ás commissoes de outros paizes. Mais tarde, quando me vi só, para satisfazer a todas as exigencias do servigo penoso do expediente, e para funccionar como jurado em todos os grupos, lamentei a falta dos meus filustres collegas, e lastimei a minha imprevidencia, poisque prudentemente devora ter previsto a possibüi- \ 1 ir 4 i i íi mm 'iuk -1 r ■■■■, mhinn mniiniiii iiimiii ii . ^3 la primaria porfiignoza ■r.\ * ¿V.") 1 i i . [■■ i 17 dade, aínda que nao a probabilidade, da falta de todos. Custou-me caro este erro, que a con- tinuagáo de urna longa doenga quotidianamen- te me recorda. Nao soffreram milito os expositores, que obtiveram as suas recompensas, mas soffro eu, e o servigo technico nao deixou de ser prejudicado, pois tive de empregar no servido de informacóes o tempo que podéra ter empregado em uteis estudos. Emquanto esperava os productos, e foi preciso esperar, nao que elles chegassem aVienna, pois que deHamburgo vieram immediatamente, mas que os deixassem entrar no Prater, onde reinava a mais incrivel desordem, occupei-me de varios assumptos interessantes para o servido. Tinhamos, por exemplo, no pavilháo de provas urna loja, destinada á venda de productos portuguezes, loja de que o governo portuguez liavia pago a renda em dezembro. Desejei ver se ella satisfazla ás condicoes ne- cessarias para o fim a que era destinada, e des- cobri com surpreza... que de tal pavilhao apenas existia urna planta! Reclamei e conseguí que se principiasse a construccáo. 18 Segundo a minha opiniáo, com a qual a commissáo central se conformou, devia haveruma certa connexáo entre o servigo na loja do pa- vilháo de provas, e a nossa exposigáo no pavi- lhao do commercio universal. Um emprezario, em tal caso, se encarregaria de formar as col- lecgoes n’este pavilháo, e de promover as vendas na loja. Nao foi bem acolhido este pensa- mento, porque nenhum emprezario apresentou proposta, e tendo a commissáo resolvido adoptar novas bases, cumpri o meu dever promo- vendo por todos os modos ao meu alcance a execugáo do pensamento da commissáo central, e segundo creio consegui quanlo se podia conseguir ñas circumstancias em que nos achavamos. O documento n.° 4 exprime claramente o plano da commissáo central. Era de absoluta necessidade que o commis- sario regio fosse coadjuvado por um secretario hábil, perfeitamente conhecedor da lingua alle- má, e de oulros idiomas; mas aínda mais ne- cessario era que um tal empregado conhecesse Vienna, e tivesse relagoes ou fácilmente as li- gasse com a direcgáo geral, e com as adminis- w i Escola primaria porfugueza , 19 tragoes de que o commissariado ía depender. Sem esla condigáo o individuo mais intelligente perderia muilo tempo, c para as installagoes, em urna exposicáo, e para o servido essencial do expediente, nao se pode perder um minuto. Menos se poderia dispensar aínda, emVienna, urna tal condicao, attendida a pessima organi- sagáo do servigo, e a sua complicagáo excessiva. Por este motivo, tendo conhecimento do estado das cousas, porque nao fóra inútil a rninha primeira visita, resolverá eu nao propor em Lisboa a nomeagáo de um secretario, e empregar em Vienna, para exercer laes funccoes, quem para tal exercicio se moslrasse plenamente habilitado. Nao leudo conhecimento pessoal de algum individuo competente, recorrí ao nosso cónsul, o sr. harfio Wiener de Welten. meu antecessor como commissario regio e dignísimo funccionario, que sempre me coadju- vou com a melhor vontade, recorrí á direccáo geral, pedi o auxilio do dr. Plason, secretario da mesma direcgáo, e acceitando como secretario, por indicacáo de todos, o sr. Vicente Antonio Bacichi, nao tive de me arrepender. O sen * 20 servido foi sempre bom, o seu coinportamento exemplar. Nao fallam provas de aptidao no archivo d’este c-ommissariado, em numerosos documentos, que devo á sua intelligencia muito disíincta, e á sua muilo louvavel aclividade. Por este motivo solicitei para o sr. Bacichi urna dis- tinccao, de que era digno, e que recebeu como premio dos seus bons servicos. Ti ve a honra de assegurar a Vossa Mages- tadc que a direcgüo geral mal podía cumprir as suas promessas, as numerosas promessas de seus pomposos programmas, porque faltava a ordem ñas deliberares, e o methodo no tra- hallio. A minha impaciencia nao exagerara estas faltas. Em cilicio de 4 de abril, queixan- do-me das demoras a que davam origem, dizia cu ao director geral: «Desculpe-me v. cx. a que o importune, mas dcsejo ordem, gosto de que se fac-a methodicamente o trabalho, e o pouco tempo de que dispomos nao permitle que para obler este resultado se dispense a cooperacáo da direccáo geral». Em outro officio da mesma data dirigido ao chefe de urna das numerosis- simas reparl¡Qoes, em que a direccáo geral era 21 dividida, dizia eu ainda: «Nao quero abusar da sua benevolencia, mas do dia 4 ao día 30 nao ha bastante tempo, para o trabalho das insíal- lambes. Cheguei a Hamburgo no dia i8 de margo, reelamei desde logo os auxilios e coad- juvacáo promettidos nos programmas, e só hon- tem obtive os primeiros volamos !» Em 7 de abril conlinuavam as difficuldades. N’essa data escrevia eu ao barao de Schwarz- Senborn: «Pego a v. ex. a que me habilite para tomar algumas disposicoes relativas ao pavilhao do commercio universal, e ao pavilhao de provas. Tendo recebido apenas urna parte dos vo- lumes, em consequencia do mau servico das vias terreas, sou obrigado a esperar, e estimaría, para nao perder tempo, adiantar o trabalho relativo a esses dois pavilhoes.» O meu officio de 15 (documento n.° 5) dirigido ao secretario da commissáo central dava noticia, alguns dias depois, do atrazo das in- stallacoes, noticia imperfeita, seguramente, porque nao desejava que a minha correspondencia fosse desanimadora, mas ainda assim suffi- ciente para me alliviar de urna parle da res- 4 22 ponsabilidade. Oulro officio, dirigido tres dias depois a um chefe da reparticáo da direcgao geral, fará conheccr mais claramente qual era a nossa situacao, e os embarazos em que me via, treze dias antes da inaugurado. Dizia cu n’esse officio: «Acabo de receber urna carta do cónsul de Portugal em Hambur- go communicando-me que todos os volumes es- tao ha dez ou doze dias em Vienna. O cónsul assignou a cerlidáo, o expedidor exige o documento, que devo firmar para descarga de sua responsabilidade, e eu nao o posso assignar, porque me fallam muitos volumes, comprehen- dendo alguns que sao indispensaveis para abrir a galeria. E muito desagradavel que depois de ter feito os maiores sacrificios para realisar a installagao, eu seja inhibido de a effecluar em consequencia do estado deploravel do servido da recepgao das mercadorias ». No dia seguínte, porque as difficuldades continuavam, dizia eu ao barao de Schwarz- Senborn: «Todos os meus esforgos seráo in- uteis se o servido geral continua a ser feito como até agora. Segundo a participado oíficial, 23 que recebi de Hamburgo, estao ha dez dias em Yienna os productos da secgáo portugueza, e eu ainda nao os recebi! Note v. ex. a tambem que os negocios relativos aos dois pavilhoes cada vez se tornam mais complicados, e que no pavilhao do commercio universal, Portugal ficou esquecido, perdendo o logar, que de ha muito havia sido designado para as suas collecgdes! Eu bem sei que ha difíiculdades naluraes, e preparo-me para remover todos os embarazos, trabalhando de dia e de noite; mas—por tudo quanto ha lhe pego — livre-nos das difíiculdades offlciaes. Acreditei nos programólas—infelizmente—e agora é tarde para alterar todo o meu plano®. No dia 25 de abril achámos abandonados ñas galerías da America do Norte 75 volumes pertencentes á secgao portugueza! Naoé preciso dizer mais para que todos saibam como as cousas estavam dispostas em Vienna para a inauguragáo no dia l.° de maio. Gom os elementos, de que dispunhamos, e apesar de todas as circumstancias desfavora- veis, a commissao portugueza trabalhava sem- pre, comquanto visse que as commissoes de outros paizes se resignavam a deixar as galerías fechadas no día da inaugurado, porque nao podiam guarnecel-as convenientemente para a precipitada exhibigáo, que se pretendía fa- zer. Felizmente nao ficaram sem fructo as nos- sas diligencias. Mas um acontecimento inesperado, e completamente imprevisto, poderia ter translor- nado tudo quanto se havia táo penosamente preparado. No dia 27 de abril appareceram sobre o porláo da entrada da galería n.° 3-a as armas de Portugal e de Hespanha. Que apparecessem, urna e outra, nao era cousa que surprehendesse, pois que a galeria tinha urna secgao portugueza e outra hespanhola; mas a phantasia do archíteclo austríaco, que por nome nao perca, ligára os dois escudos e formara um só: o escudo da Iberia! Apenas tive conhe- cimento do facto escrevi o seguinte: «Protesto com toda a possivel energía contra as armas ibéricas, que figurara na entrada da galeria n. p 3-a. Creio que v. ex. a nao pretenderá juntar mais um motivo de queixa a tantos que I; ! Ir'i 'i !• i llílM : i '¡i ^íüiíí i ii i» |^l8bt0DáfBE«SÁjl IÍBÜS ,^/i mrn • vmág '. fmmm mmsM ra« 5i ^^Mwíwífi I «le™ íS£C$ mm ^$ím mm mm J m *1 ■> ■ i v\, 2o tenho, e que nao me obrigará a tomar urna re- soluQáo muito desagradavel, e que todavía me parece inevitavelmente exigida pela dignidade do paiz, que tenho a honra de representar». Felizmente a direcQáo geral comprehendeu a melindrosa posicao em que nos achavamos enllocados, e cedeu, mandando immediatamente demolir aquella ahsurdissima obra. Foi substituida por outra nao menos absurda, contra a qual tambem protestei. Por ultimo fizeram o que se devéra ter feito de principio, figurando separadas as armas dos dois paizes, tanto na entrada da galería industrial, como na entrada das galerías agrícolas. Durante o mez de abril o nosso tempo esta- va perfeitamente distribuido. De dia trabalha- vamos ñas instábales da galería industrial. De noite acudia-se ao expediente relativo ás outras galerías e pavilhoes. Chamava-se o representante de Burnay para que tomasse co- nhecimento do estado dos negocios, e se occu- pass.e do deposito dos vinhos, requisitava-sede Lisboa a estatistica dos telegraphos e dos eor- reios, para as quaes se destinava logar no pa- 26 vilháo ilo commercio universal, preparava-se urn grande quadro graphico, executado por artistas belgas, que resumía o movimento do nosso commercio, e figura hoje na secgáo por- tuguezado Atheneum de Yienna, eestabeleciam- se relacoes com as commissoes dos outros pai- zes etc. Entre os assumptos de que n’essa occasiáo me occupei devo mencionar um, que lem merecido sempre toda a minha attengáo. O estudo por homens praticos, bem dirigidos, é quanto a mim o meio mais efficaz de que um paiz pode dispor para recolher nocóes uteis em urna exposigáo universal. Mas Yienna estava em condigoes excepcionaes. O que teria sido fácil, e infelizmente nao se fez, em París ou em Londres, em Yienna era muilo difíicil, porque fal- tavam alojamentos para o pessoal, ou antes porque o prego dos alojamentos, de que se podía dispor, estava fóra do alcance das pes- soas a quem os estudos praticos deviam ser confiados. Aos 18 de abril, tendo examinado o edificio, que o baráo de Schwarz-Senborn destinara 27 para alojar os hospedes operarios, edificio que fóra inoinlio de moagem mechanica, dizia eu: «Os donnilorios, segundo o systema adoptado, nao sao convenientes. Examinei ludo attenta- mente, e com franqueza devo declarar a v. ex. a que nao me aproveitaria d’elles para os meus operarios, contra-rneslres e directores de offici- nas. Tomaría quartos em oulralocalidade,etc.» Yoltarci inais tarde ao assumpto. N’este logar apenas fallo d’elle para demonstrar que antes da abertura da exposigáo pensara eu nos estudos praticos, que sempre recommendei, e recommendo, com a só condigáo de que se- jam bem dirigidos, e nao destinados a mera ostentado, ou a favorecer patronatos esteréis. Nenhuma exposigao será bem estudada emquanto as commissoes nao forem mixtas, ou antes emquanto os encarregados dos relatónos nao tiverem por auxiliares os operarios, os artistas, os meslres de fabrica, porque os elementos que estes podem fornecer completam a serie de que se carece para fazer um bom re- latorio. Para nao alongar demasiadamente a escripta, 28 apenas mui de leve me refiro aos diversos as- sumplos inleressantes, de que me occupava, reservando-me para mais detidamente tratar de cada um d’elles, se algum dia cessar a doenga pertinaz que torna para mim penoso encargo o que n’outras circumstancias teria sido a mais fácil tarefa. No dia 30 de abril, ao anoilecer, termina- vamos a installagáo provisoria, que devia figurar para o acto da inauguracao. No dia l.° de maio foi a exposigáo universal solemnemente inaugurada, e grasas ao esforzó que fizeramos, eu com lodo o pessoal por- tuguez, e o auxiliar estrangeiro, Portugal con- seguiu distinguir-se apresentando a sua galena em ordem, ao menos apparente, emquanto outros paizes mais poderosos e muito mais próximos, conservavam as suas galerias fechadas, ou em principio de arranjo. Nao me parece acertado demorar-me na des- cripQáo da ceremonia. Em poucas palavras foi ella resumida na breve noticia que publiquei em dezembro, e essas bastam para que nao fique lacuna: li ^30 J ' sis asm ré&íí&kí j IÍ2E ¡&§nH!¿iiiff el j¡||te|¡ hSy4«!HsS« ■ 0 $fe m®* S&kS «ífp ¿®mmm méMM *m%mrn $$%?m&á &p£&$ rír¿M f"»|T?í| tsSsft, fc 29 «No dia 1 de maio de 1873 foi solemnemente inaugurada a exposigáo universal de Vienna de Austria. «Ao meio dia, estando reunidas mais de quinze mil pessoas, na rotunda do palacio da industria, subiram ao estrado Suas Mages- tades o Imperador Francisco José e a Impera- triz lzabel, e suas Altezas o Principe e aPrin- ceza de •Allemanha, o Principe de Galles, o conde e a condessa de Flandres, o Principe da Dinamarca e os archiduques de Austria. «As bandas de música tocaram entáo o hy- mno, mais de quinhentos cantores entoaram os coros, e a mullidáo, com enthusiasticos vivas, saudou a familia imperial, e os hospedes, que de longe haviam chegado para assistir a esta solemnidade. «Depois o archiduque Garlos Luiz, protector da oxposieño, dirigiu urna allocugáo ao chefe do estado, o Imperador proferiu o discurso de abertura, tiveram aínda a palavra o archiduque Rainier, presidente da exposigáo, e o ministro do commercio, e terminado o acto, desceu a córte do seu estrado, e visitou as galerías, sen- 9 30 do as commissóes apresentadas a Suas Mages- tades pelo baráo de Schwarz-Senborn, director geral da exposigao. «Ao janlar de gala do paco, n’este dia, foram convidados os commissarios, que depois assis- tiram ao grande circulo da córte.» Estavam em Vienna os commissarios geraes representantes da Allemanha, da America, da Bélgica, do Brazil, da China, da Dinamarca, da Franca, da Grecia, da Gran-Bretanha, da Hespanha, da Italia, do Japao, de Monaco, dos Paizes Baixos, da Persia, de Portugal, da Romanía, da Russia, da Suecia e Noruega, da Suissa, de Siam, de Turim, da Turquía, do Uruguay, e de Venezuela: e cada um tinha suas rascles para se queixar, e para explicar o estado incorrecto da sua galería. Urna excepcáo se deve todavia notar, excepcáo admiravel, porque revela prodigios de methodo, de previdencia, de ordem no trabalho, e a disciplina de um pes- soal intelligente. A Suissa tinha as suas galenas mobiladas, quando principiou o trabalho* em todas as oulras, e guarnecia os seus armarios com as colleccóes perfeitamentc ordena- * bus (L&Ustp orí al T lliSIMiií 'VC^L |;fí^P|,;|| ÍWmi gásg® vC-. ■: f ^«¡.ilt. « itaaaeifay f¡s E&Si MM SKáá mm. h A j Exposicáo de Vienna— Entrada de oeste —(Vide pag. 210 dos documentos) E I das, emquanto nos todos apenas apresentava- mos ama installagáo provisoria! Quando nos afadigavamos para realisar as apparencias de urna inauguragáo, á porta da galeria suissa passeavam socegad ámente as sentinellas, esperando a occasiao conveniente para a entrada, e definitiva collocagáo dos productos. Grande gloria vem d’este facto para a commissáo, e particularmente para o coronel Ritter, e para o seu adjunto o tenente coronel Arthur Brun. O documento n.° 6 dá noticia do estado da galeria port-ugueza em i de maio, data da inauguracáo. A elle me refiro, poupando-me assim a urna inútil repeticáo. Terminada a ceremonia da inauguracáo, achando-se a propria Austria e Hungria em notavel atrazo, estando fechadas as galerías da Franga e da Italia, incompletas as da Inglaterra, em desordem notavel as do oriente, etc. come- garam de novo os trabalhos da installagao, ou antes comegaram os trabalhos da installagao, a valer, que tomaram todo o mez de maio, e aínda urna parte de junho. As commissoes dos outros paizes, em geral, 32 nao linhain grande incommodo com laes trabadlos, porque os expositores, ou os seus representantes, se encarregavam do servido, eom- petindo apenas aos commissarios urna superior inspeccáo. Nos, e tambem os orientaes, tinha- mos de fazer tudo. Estavamos ali como representantes da eommissáo central, e como representantes dos expositores; executavamos, dirigíamos, inspeccionavamos a nossa propria obra, que por vezes descia a ser humilde tarefa, ou penosa faina, que n’oulras circumstancias se recusarla com indignado, e que, todavia, na especial posido em que nos viamos, era atten- dida sem murmurio, e concluida com a íntima satisfago que devesempre acompanhar um acto de patriotismo. Diga-se, porém, a verdade; nao parece bem, nem aos proprios expositores convem, que todo o servico seja encargo das commissoes. Ou adoptar, como é possivel, e mais de urna vez tenbo recommendado, a representado do estado da industria ñas colleccóes officiaes, únicas de que em tal caso os commissarios se occu- pam, ou seguir a geral pratica, deixando á ir i — B !- ¡ ¡( íí’ Wjfeii € Sds¡ *■©’ |!te S,¡l|,'M "1? ‘Tí *¡ ■«*. ¿3 fe§S: KSí;»i mm B0H Si ■'•Éfetóiar-Í ;'>4£Jí£ aaágaiMi, íE^cíi S&&á&3Éí Pavilljáo do duque de Saxc-Coburg-Golla—(Vidc png. 210 dos documenlos) 'f-\ ^ 33 conta dos expositores o trabalho das installa- goes, o da venda, e outros servidos. Eu creio noprimeiro d’estes expedientes, e rejeitariapara adoptar tal systema toda a imitagao do que até agora temos feito, com a consciencia de fa- zer um bom servido ao nosso paiz. Pelo documento n.° 6, a que já me referi, vé-se que reclamavamos com urgencia o catalogo. No dia 10, nao o tendo ainda recebido, fui obrigado a urna reclamagáo telegraphica. No dia 16 tive ainda de expedir novo telegramma, porque a falta se tornara cada vez mais sensivel, e nociva aos interesses dos nossos expositores. No dia 17, respondendo ao barao de Schwarz- Senborn, que mais instava, dizia eu o seguin- te: «Nao tendo ainda chegado a Vienna o catalogo, cuja remessa me foi annunciada pela commissáo central de Lisboa, nao posso enviar a v. ex. a o original, que me pede, para a segunda edicao do catalogo geral. Sendo quasi certo que o catalogo portuguez se extraviou, intentarei aqui mesmo a formagáo deoutro, mas o praso de tres dias nao chega para trabalho de tal-importancia». 3 34 Apesar da minha declaragao, empreguei tres dias e tres noites n’este servigo, e no dia 20 recebi do baráo de Schwarz-Senborn um ofíi- cio, no qual accusava a recepto do catalogo., e agradecía o esforgo que fizeramos, eu e o meu secretario, para conseguir que na segunda edi- gao do catalogo ofíicial nao faltasse a secgáo portugueza. Em 22 de maio dizia eu ao conselheiro secretario geral da commissao central de Lisboa: «Nao havendo aínda recebido o catalogo, cuja remessa v. ex. a se dignou communi- car-me, resolví organisar á pressa urna lista, para incluir no catalogo ofíicial, e occupando- me n’esse trabalho com o valioso auxilio do meu secretario o sr. Bacichi, conseguí entregar, no dia 20, em allemáo, a parte do catalogo ofíicial que a direcgáo geral exigirá. Assim em tres dias se concluía a obra, ficando como sobra a lista em francez, por mim feita, dos productos expostos no 2.° grupo, para satisfa- zer á condigáo de urna reducgáo de volume. «Quando chegar o catalogo ofíicial nao po- derá ser aqui publicada a edigáo. Sao grandes 3o as diíficuldades, exeessivas as demoras, e altos os presos. Tudo está preparado- em Bruxellas para a publicacáo nos termos mais convenientes.» Em 2 de junho ainda nao tinhamos o catalogo. N’essa data escrevia en ao conselhciro Joao Palha, secrjBlario geral da commissáo de Lisboa: «Tenho a honra de communicar a v. ex. a que o pavilháo de provas está prompto, e a loja portugueza arranjada para recebcr os vi- nhos, e outros productos, cuja venda nao pode principiar, porque o encarregado da loja nao trouxe de Lisboa a factura, que lem solicitado, segundo me consta, dirigindo-se ao emprezario por via do seu correspondente deVienna. Lamento esta demora, que vae manifestar urna contradicho inexplicavel entre as minhas assi- duas diligencias, e a solicilude algum tanto frouxa dos principaes interessados. «Acredito que a factura está em caminho, como está de certo o catalogo, até hoje ainda nao recebido; mas pego a v. ex. a , prevendo todas as eventualidades, que me habilite com algumas noticias.» 36 No dia 0 de junbo aínda en, em telegramma para Lisboa, me queixava da falta de catalogo. No dia 10 finalmente deu entrada este importante documento na secretaria do commis- sariado, e n’esse mesmo dia safa para Bru- xellas, declarando eu para a imprensa que nao examinára o original, e pedindo com urgencia duas provas de cada folha. Yaleu-me n’este caso a inexcedivel dedicagáo do sr. Guyot. A demora mais prejudicial, esta ultima demora, nao dependente da commissao central, que fez a tempo a expedido, teria sido fatal, para o servico do jury, se na Bélgica nao hou- vessem feito o trabalho que fizeram, com urna perfeicáo admirare!, e com prodigiosa rapidez. Em 20 de junho dizia eu ao conselheiro secretario geral da commissao de Lisboa: «Felizmente o catalogo cbegou, foi expedido no mesmo dia para Bruxellas, e ahi se fez o trabalho todo da composigao em um dia e urna noite. Revi as provas apenas chegaram, e agora está prompio. A primeira edi^ao apresenta esta obra 37 tal como veiu de Lisboa, porque eslando ojury reunido nao havia tempo para 1‘azer as convenientes alterares, e os additamenlos necessa- rios. Na segunda, que se publicará em fms de julho, acrescentar-se-ha o que for indispensa- vel. «Dispondo do catalogo, e das guias, tenho feito urna previa combina^áo com os presidentes de quarenta e seis secgoes do jury, apresen- to-me em cada seccao, quando ella se occupa dos nossos productos, c assim consigo, com vio- lenlissimo esforco, satisfazer ao que exigem de mim. «Confesso ingenuamente que recolbo fatiga- dissimo d’este servico.» Eu já entáo previa que o resultado do meu esforgo teria para mim desagradaveis conse- quencias; mas aínda assim nao previa que táo graves fossern, e que poriam a minha vida em perigo. Apesar do excessivo trabalho, a que me via forjado, cumpria o meu dever altendendoatudo quanto podia ter alguma importancia para os expositores. O n.° 6.° do artigo 22.° do pro- 38 gramma n.° 76 da direcgáü'geral declarava que a medalha de cooperacáo era destinada aosdn- dividuos que ñas qualidades de directores de fabricas, contramestres, desenbadores, modeladores, ou por outra maneira cooperadores, ti- vessem concorrido para o mérito da producgáo, ou para a importancia das transaccoes, e como taes designados pelos expositores. Referindo-me a este artigo dirigí em 21 de junlio ao conselheiro Joáo Palha de Faria La- cerda, secretario da commissao central, um of- Íícío, no qual lhe dizia o seguinte: «Tendo co- nhecido, ñas conferencias, que o jury internacional está disposlo, nos termos do regulamento, a exigir que a designacáo dos nomes seja feita pelos expositores, ou pelos commissarios geraes, com referencia ás indicacoes officiaes dos expositores, pego a v. ex. a urgentemente que mande publicar esta noticia, convidando os expositores a dirigirem as suas indicagñes alé 15 de julho, sem falta, ao commissario regio de Portugal na exposigáo universal deVienna*. Com exemplar brevidade, que folgo de registrar aqui, para ter occasiáo de agradecer a con- 39 sideragao com que sempre foram acolhidas pelo ministerio, e pela commissao, as minhas repre- sentagoes, foi o annuncio publicado, para que chegasse ao conliecimento dos interessados. Tambem deve aqui fic-ar registrado, e com verdadeira magua o fago, que os expositores, em geral, deram tao pouca attengao a este aviso como aos anteriores que sobre assumptos inte- ressantes Ibes baviam sido communicados. Ha urna certa frieza, de que se deve francamente fallar, para que se expliquen! muitos faclos, que nao sao favoraveis ao progresso da nossa industria. O que lá fóra é assumpto de que os industriaes se occupam, nao acreditando que se perca o tempo em tal trabalho, e nao recelando descer da sua dignidade, quando vivera na sociedade como industriaes, aqui nao merece as attengoes, porque a tendencia ge- ral desvia cada um da classe a que pertence, por obediencia a urnas certas vaidades, que seriara ridiculas, c causariam riso, se nao fossem nocivas ao nosso adiantamento. E preciso dizer sempre c era todos os casos a verdade. Os che- fes dos maiores estabelecimentos industriaes, 40 com raras e honrosísimas excepgoes, esláo ao facto do movimento de política interna e externa, obedecem a todas as tentares deumaosten- tagáo vaidosa e inútil, edeixaráo fechado, como obra de pequeña valia, qualquer escripto te- cbnico, no qual alguem lhes offerefa nocoesuteis ácerca do progresso da sua industria, dos no- vos inventos que a melhoram, ou das experiencias que podem ser aproveitadas e apropriadas ao paiz. Deixaram desattendido o aviso que opportu- namente lhes dirigí, poucos me remetteram as informales que o governo lhes pediu, e alguns cooperadores modestos, aos quaes se deve urna parte dos dividendos annuaes ñas nossas em- prezas fabris, ficaram por este motivo sem a recompensa a que tinham direito. Tendo á vista a minha correspondencia devo n’este logar fallar novamente do catalogo. Escre- véra eu ao sr. Guyot, membro do jury belga em Vienna, para lhe pedir a conta das despezas da impressáo, e como elle me responden que todo o trabalho fóra gratuito, e que se offerecia para imprimir gratuitamente, ñas suas officinas de gcr normfgisdjÉ Jisc^mi-^abillort mü íüillli'Hí:; m&MÉ rí&rÁ HH Wm mm m:¿ íl£HÍ?Jí 5SÉS Lis?, BÜHli mm Pavilháo da Noruega —(Vide png. 21 dos documentos) i ■< ~r% 1 -,jí .1 ' ' ^ 41 Bruxellas, todas as publicagóes de que a secgáo porlugueza carecesse, pareceu-me que o honrado industrial a quem me refiro, se tornava digno, pelas suas qualidades, e pelo seu generoso proccdimento, de urna elevada distincgáo lionorifica, e solicitei a recompensa merecida, tendo a satisfagao de ser immediatamente al- tendido. Por esta occasiño, e a proposito da mirilla proposta, que fizera com perfeito conhecimento da elevada posigáo social da pessoa, da sua con- sideravel fortuna, e completa independencia, e do valor dos servigos prestados, susciton-se um conflicto, que menciono apenas por lembranga como fundamento para algumas consideragoes, abslendo-me de publicar documentos confiden- ciaes, e oulros, para evitar as desagradaveis con- sequencias, que urna tal publicagáo poderia ter. As consideragoes de que fallo reduzem-se á confrontacao de dois systcmas adoptados para a conccssáo das distincgocs honoríficas, confrontado na qual saberei manter-me respetosamente como devo, nao indo alem dos limites que me sao prescriptos pelas regras do servigo oííicial, c pelos preccilos da corlezia e da sub- inissao de respeitoso subdito. O syslema, que ten lio como preferí vcl, concede a distincgao honorífica a quem fez um servido valioso, provado, documentado, conhe- cido, e que todos fácilmente podem apreciar. Adoptado exclusivamente este syslema, nasdis- tinccoes teremos meio de obter, em oulros pai- zes, muitos elementos para o progresso do nosso. O systema, que me parece nocivo, nao toma por base o servido prestado, porque lal servido nao existe, e apenas manifesta urna prova de munificencia, que pode recaír, e quero acreditar que recae sempre, sobre um cidadáo dignísimo, sem que todavía de tal concessao resulte para o nosso paiz algum beneficio. Para quem faz propostas, pelo segundo syslema, podem ser necessarias, e eu direi que sao indispensaveis, as advertencias confidenciaes e os conselhos. Para quem, nos actos de urna longa carrcira publica, lem tido sempre em vista proporcionar o valor das recompensas ao valor dos ser- vicos, afaslando todos os pretextos para favor 43 pessoal, taes advertencias e taes conselhos eram pelo menos inopportunos, impertinentes e per- feitamenle escusados. Na correspondencia do commissariado fica re- gistada urna carta official na qual me occupo do assumpto com o desenvolvimento exigido pelana- tureza e forma dos conselhos, que me foram imprudentemente dirigidos, quando eu com o maior cuidado e zélo me empregava em velar pelos nossos créditos, elevando quanto possivel o nosso nome no conceito do grande congresso internacional, ao qual Y r ossa Magestade se dignára en- viar-me como representante d’este paiz. Para que em tudo e sempre nos tivessem como pontuaes, em 22 de junho dirigí ao ba- ráo de Schwarz-Semborn um officio, pedindo- lhe urna conta geral, e recommendando que n’esta conta fossem comprehendidas todas as despezas feitas por intermediarios ou empreitei- ros auctorisados. No mencionado officio solici- tava eu que me fosse enviado este documento com a maior brevidade. Mais adianto darei noticia das difficuldades que tive de vencer, nao para obter esta conta, 44 que nu nca obtive, mas para salvar, dispensan- do-a, a responsabilidade do commissariado por mim dirigido. Emquanto me occupava d’este e de oulros assumptos, seguia na imprensa as apreciares relativas ás diversas secutes da exposicao, nao com o fim de as discutir, porque nao me cbe- gava o tempo para tanto, porém com o intuito de fazer alguma rectificado, que me parecesse indispensavel. A Independencia belga ofíereceu-me ensejo para urna reclificagáo importante. Referindo-se ao estado das galerías hispanhola e porlugueza no dia l.° de maio dava como adiantada a primeira e como atrazadissima a segunda. Ora convem notar que n’aquella data os hispanhoes na sua galería industrial tinbam apenas a col- lecgáo de productos de um expositor, e que a nossa galería eslava inteiramente guarnecida, comquanlo fossem provisorias algumas das in- stallagoes. Exigí a rectificagáo, e na Independencia belga de 24 de junho lia-se o seguinte: «A proposito da organisagao incompleta dis- 45 sernos ha dias, por engano, que a Hispanha havia terminado os seus arranjos, e que Portugal estava em atrazo. Queriamos dizer o contrario, porque é a verdade. Aqui o erro nao tinha importancia, o facto restabelecia-se por si, mas ao longe esse erro produzia mau effeito no paiz injustamente accusado. Portugal abriu * ha muito a sua galería ao publico. A Hispanha, a esta hora, aínda conserva a sua fechada. » No dia 28 de junho expedí para todas as commissoes, e para a direccáo geral, collecQoes completas de todas as nossas publicares, entre as quaes íigurava com distinc§ao o livro do sr. Figueiredo, barao de Wildit, nosso cónsul em Newcastle, que nos serviu de grande auxilio, para dar informacóes a todos quantos pediam esclarecimento acerca da administracao do nosso paiz. Nao era exempla dedefeitos a obra, mas é justo dizer, que tal como estava nosfoi muito útil. No dia 1 de julho inaugurou-se o pavilhao do commercio universal, na presenca do Imperador Francisco José, sendo Sua Magestadc recebido pelos commissarios geraes, represen- 46 tantes>da Austria, Inglaterra, Suissa e Portugal. As outros nagoes nao coneorreram. Para que se possa apreciar o acolhimento benévolo, que nos concederán!,, bastará dizer que o programmatd’esla exposigáo addicional mereceu as especiaes attengoes do Imperador, tendo Sua Magestade esperanza, como eu tinha, e aínda tenho, de que o pensamento fundamental d’esse programma serviría de base a muitas resolugoes importantes para o futuro das expo- sigoes universaes. Atlendendo ao alcance d’esta tentativa, que nao foi considerada devidamente por todas as nagoes expositoras, permitía Vossa Magestade que n’este logar fique regislada urna aprecia- gao, que me pareceu justa, e que a imprensa allemá e a italiana acolheram com a mais honrosa approvagáo. Creio na ut-ilidade das expo- sigóes universaes, abandonadas as praticas até hoje seguidas, e adoptadas as novas praticas aconselhadas por urna recente experiencia. Por tal motivo nao é para admirar que eu insista n’esle ponto, e que na organisagáo dos museus para exposigáo permanente adopte o systema 47 por aquellas praticas constituido, para a fiel representado do estado da industria, e para o perfeito conhecimento da sua historia. « Examinando atentamente as collecgoes reunidas no palacio do Prater, e nos seus annexos, já se pode entrever o futuro das exposicoes uni- versaes. Está confusa, sern ordem, cahotica, a exposigáo de Vienna; mas assim como do cabos saíu o mundo, d’ella saírá urna organisagáo nova para estes grandes concursos, destinados ao estudo e á comparado dos productos, e dos methodos de trabalho, e nao ás vaidosas ostentares de um luxo ridiculo. «A festa industrial de Vienna é a mais esplendida d’este secuto. O bazar do Prater é a mais apparatosa feira, que o mundo até hoje tem admirado. Aqui está o presentó, aqui se ma- nifesta o resultado da emulagáo errada e des- regradamente excitada. «Saíndo pela porta do norte da rotunda, e atravessando a galeria das machinas, acha-se em frente o modesto pavilháo do commercio universal. Ahi está o futuro, ahi assislimos ao alvorecer da nova era, que se abre para as ex- 48 posigoes de todos os productos da actividade industrial do homem. «Tres nagoes figuram apenas no pavilháo: a Inglaterra, que n’este local continua traba- lhos principiados havinte e dois annos em Londres; o imperio Austro-Hungaro que tambera continua os seus trabalhos de 1868, na expo- sigáo do Havre, bem como os de 1870 em Trieste, e Portugal que se apresenta pela primeira vez. A Suissa tambem se prepara, tomou posse do terreno, mas as suas collecgóes ainda nao esláo installadas. «O logar de honra compete incontestavel- mente á Austria, representada ahi pelas collec- goes de Trieste. Deve este paiz um tal resultado primitivamente ao baráo de Schwarz-Sen- born, que propoz as representagoes graphicas, e principalmente aos esforgos intelligentes, á perseveranga louvavel, á direcgáo eíficaz e discreta do sr. Hugo Massopust. O éxito, que as- segura, n’esle pavilháo, aos austríacos, um in- disputavel triumpho, serve de compensagáo ás enormes e numerosas culpas do director geral da exposigáo deYienna, e será gloriosa recom- ^tibilion Des k. h. J\chcrb^u-3Jlinistcnums i WP g ¡II ¡mñsjMlE Wmm ¡HssaaS^iiiíEj asa .B 3 S 2 M, íí*,-. |i':ji¡l iiíiSiüíl Tr' mm Üüa mm MM mm r.w* ISU e:¡: J".. \ í- 49 pensa para o modesto e muito instruido profes- sor commissario da camara do commercio de Trieste. «O programma da representado do commercio universal foi publicado aos 30 de no- vernbro do 1871. Está exagerado ñas exigencias como todos os programmas da exposigáo deVien- na; mas o que fez a commissáo de Trieste bem o poderiam ter feito as commissoes dos outros paizes. Para se apresentar, como se apresenta, mereeendo geral elogio, preparou-se a tempo, votou mais de 30:000 florins, cerca de réis 13:000^000, para as despezas da formado das collecQoes, e organisacio das estatisticas, e nomeou urna commissáo ad hoc composta de cinco membros, sendo a direcgáo do servico confiada ao sr. Hugo Massopust, professor da academia de commercio e náutica de Trieste. «Vejamos como o filustre commissario se desempenhou da missao que Ihe foi eommetti- da. «As collecgoes estáo distribuidas por tres secgoes. «Na primeira secgáo reunem-se as materias 50 do reino vegetal, na segunda as do reino animal, na terceira as do reino mineral. t Divide-se a primeira, e ñas suas divisoes sao comprehendidas as madeiras, as materias lenhosas e fibrosas, os lichcns e musgos, as cor- tigas, cascas e raizes, as hervas e folhas, as flores, as farinhas e amidos, as substancias corantes, os suecos concentrados, asgommas, assementes, os géneros coloniaes: café, assucar, e diversos, os oleos, saboes e essencias, os vinhos, licores, e bebidas alcoolicas, os cereaes e as fructas. «Tambem a segunda se divide, e as suas divisoes abrangem os couros, as esponjas, os oleos e gorduras, os casulos e as sedas cruas. as las, os espelhos e diversas. «As divisoes da terceira comprehendemime- taes, térras e pedras, betumes, saes, materias corantes mineraes, e carvao fossil. « Nao pretendemos descrever minuciosamente todas as secgoes; teriamos de fazer um livro. Daremos opportunamente noticia de alguma d’estas divisoes, para que bem se possa conhe- cer o systema adoptado. «Antes, porém, será útil dizer, que o pensa- 51 mentó das representares graphicas teve n’es- ta exposicáo as suas mais importantes applica- goes. Comparam-se pela grandeza das superficies de convengao as quantidades importadas e exportadas, comparam-se pelas alturas das ordenadas, e pela extensáo das abcissas, comparam-se nos mappas de bandeiras indicadoras, e ñas tabellas cstatisticas ordinarias. «O systema das represeníacóes graphicas é o que melhor falla aos sentidos, e o que mais directamente impressiona o espirito. Quando varios rectángulos, de grandezas differentes, fácilmente comparaveis, representam a importa- gao, ou a exportagáo de urna qualquer merca- doria, seguimos sem custo as fluctuagóes, com- prehendemos por urna simples inspecgáo quando o genero afíluiu ao mercado, ou d’elle saíu, em quantidade maior ou menor. «Sao 71 os quadros graphicos relativos a Trieste: lineares, superficiaes, numéricos com bandeiras, tabellas de algarismos, e tabellas do systema Minard. Os mappas de importagao e exportarlo, abrangendo o movimento por mar e por térra, sao 262. «O movimento dos algodoes, por exemplo, que n’esta exposigáo 6 representado com grande clareza, exprime-se crn quadros que fíguram as quanlidades, os procos c as suas flucliiacoes respectivas. «Quando se acaba de examinar o quadro graphico principal, quando se descobre urna scn- sivel dcclinagáo, que provém da falla do transito das Indias orientaos para o Tyrol, para a Allemanha do sal, c para a Suissa, comprehen- de-se que a commissáo de Trieste seja severa ñas suas ñolas do mappa, e que procure fundamento, ñas estatislicas, para exigencias milito rasoavcis em relagao ás obras de viagáo ac- celerada, que o*seu commercio instantemente reclama. «A pcrscveranga, c as tendencias praticas, essencialmcnle praticas; dos inglezcs, pode- riam ler demonstrado mais efficazmcnle a sua influencia na formagao das colleccoes que a Inglaterra cxpoe n’estc pavilhfto. «Ahí vemos as amostras dos géneros importados e exportados, notamos urna certa classifi- cagáo, adramos importantes cslatisticas; mas a estatistica é numérica, a classifieado nao tem rigor, e as amostras /nal exprimen) o que segando o programma se de vería exprimir. «Se, por exemplo, considerarnos o algodáo, e comparamos a exposigáo feita pela Gran-Bre- tanha com a notave! exposicao de Trieste, acbámos enorme differenca. «Ñas colleccoes da Austria figura duas v-e- zes o algodáo importado: cmpacotado, em bailas marcadas, que nos apparecem c-inladas, acondicionadas, como é de uso para cada marca, offerccendo-nos urna bella miniatura do que geralmenle so apresenta a despacho; e desempacotado, nos compartimentos de um grande taboleiro, sendo ahí o algodáo classifi- cado em sortea com ind¡cacao dos respectivos precos. «Ñas colleccoes inglezas apenas as amostras no logar destinado para as materias textis. Ne- nhuma representadlo pralica de como no mercado se aprésenla o importante genero, que por tantas rasoes merece urna especial e atienta considerado. «Com as colleccoes de Austria, quadros gra- 54 phicos que representara fielmente as fluctúa goes das quantidades e pregos; cora as ingle- zas apenas os mappas estatisticos, que lendo grande valor, ficam aquem, muito aquén), dos quadros que exprimem graphicamenle o rao- vimento commercial dos principaes géneros. «Se consideramos as madeiras, acháraos apenas, na seccáo ingleza, algumas amostras d’aqueilas que os seus mercados importam, e poucas informagoes estatisticas. «Na secgáo austríaca a collecgáo das madeiras é esplendida, a classificagáo admiravel, e a represenlacáo graphica do movimento merece a mais honrosa mengáo. Apparecem ali todas as madeiras de conslrucgáo, que figurara no commercio de Trieste, todas as que se empre- gam para obra de entalhador, todas aquellas que as fabricas requeren), e que servem para o lavor usual. E apparecem taes como se apre- sentam no mercado, com as mesmas dimen- soes, cora a mesma forma, com o mesmo ar- ranjo. «As madeiras para tinturarla sao expostas como importadas, no estado natural, e prepa- 55 radas, isto é, cortadas, raspadas, moidas, em pó, taes como se vendem para as artes. «A collecgáo das taboas é muito notavel, como a das vigas, vigotas, barrotes e barro- toes. «A collecgáo das aduelas é primorosa. Ahi se observam todas as qualidades e pregos, e notam-se as procedencias, e registram-se os destinos. «Todos os quadros d’esta secgáo sao admi- raveis; mas o do movimento de entrada das aduelas em Trieste, e o da saída, estao representados com a mais superior elegancia, con- vergindo para este porto todas as linhas das varias procedencias, em um mappa geographi- co, e divergindo do mesmo porto as linhas dos diversos destinos. «Comquanto estas comparagoes deixem a Inglaterra em situagao menos favoravel, nao se deve acreditar que a sua exposigáo seja insignificante. Ainda assim é muito valiosa. «Na collecgáo ingleza das cortigas figuram apenas duas amostras, e urna d’ellas é nossa. Nao admira quando se observa que no anno o6 de 1871 a Inglaterra importou 7:256 toneladas d’esla materia, no valor de 763:388^006 réis, lendo sido fornecida por varios paizes 26 toneladas, pela Franca 115, pela Hespanha 548, e por Portugal 6:567! «O mappa do movimento do cbá é muito interessante. Foi o cha introduzido na Gran- Brelanha, em 1610, pela companhia das Indias, e desde entáo até 1707 o seu prego foi, pouco mais ou menos, de 15$500 réis por libra- ingleza. Em 1745 a total importacao foi de 765:000 libras de peso, sendo o direito de 900 réis por libra e 25 por cento. Em 1801 a quan- tidade consumida no Reino Unido subiu a 23.730:000 libras de peso, sendo o prego captiva de 720 réis e o direito de 700 réis por libra. Em 1825 o consumo foi de 29.232:000 libras de peso, sendo o prego captivo de 670 réise o direito de 660 réis. «¡No dia 22 de abril de 1834 foi extincto o monopolio da companhia, e no anno se- guinte'a' quantidade de ch'á consumida foi de 36.5-74:000 de peso, sendo o< prego captivo d© 460, e o direito de 540 réis. i fia®! 1 ! < O o o ¡ NU); • jjljiljtlll.'n-l w&A í k'áffl ¡ijííffl'lpipi !¡ MR ¡;«miíí] eá&sjm fe jaej: mmm üpwp ,' . »,’-- t ‘' ’ , T ■'’ A-f '"l^ - 'Si ,' 1 \ ,' ’ ■ 1 ,'hr ^ , .* i,jL H -?' ! ' '- ■* -"- l ' k -"■ - T . r n 1 i 1 4 ■! '■.* • !■:/ ■'' [ü¿ ; srp n^f»T ‘ \ 57 «Extrahindo do mappa, porque nao podemos transcrevel-o integralmente, o consumo do chá verde e chá preto nos annos de 1840, 1850, 1860 e 1870, apresenta-se mui claramente o augmento (em libras de peso inglez). Annos Chá verde Chá preto 1840. 6.987:000 21.237:000 1850. 8.069:000 40.231:000 1860. 9.645:000 82.755:000 1870. 12.568:000 128.432:000 «Este mappa é exposto pelos srs. J. C. Sillar & C.° 21t, Mincing lañe. «Nos armarios das collecgOes estao as amostran de especiarias e condimentos, fructas (alli figuram os nossos figos de Faro), o chá, assu- car, arroz, café, cacan, trigo, rnilho, legumes, giitfe-percha e cautchuo, olees animaes e vege- taes, tabacos, bollos de residuos da extracgáo dos oleos, madeiras, ponías, materias textis, etc. 58 «Nos mappas relativos ás materias para fa- zer pasta de papel nota-se que a Gran-Bretanha consomé 144:411 toneladas de esparto hespa- nhol, e alfa (esparto do norte da Africa), e 26:868 de trapos, importando ao mesmo tempo 10:000 toneladas de pasta preparada. Esta indicagao ha de servir de base a indagagoes ulteriores. «Na collecgao das las figura a la su ja do Alemtejo com o valor de 5 dinheiros e meio, por libra de peso: em 1872, as las lavadas de Castello Branco e Porto com o valor de 1 shil- ling e 5 dinheiros, e a de Hespanlia, recebida por Lisboa, com o valor de 10 */ 4 dinheiros. Deixemos que se exprima assim o prego, excepcionalmente, saíndo por esta vez das regras establecidas, e fiquem por aqui terminadas as nossas observagoes ácerca da exposigáo ingleza no pavilhao do Commercio Universal. «Depois da Austria e da Inglaterra, n’este pavilhao, apparece Portugal, e brevemente ha de apparecer a Suissa. «Fallaremos, pois, de Portugal. «Se em novembro ultimo, quando o delega- 59 do do governo portuguez em Vienna recom- mendou aformagao das collecgoes das amostras dos producios importados e exportados, se ti- vesse cuidado activamente d’esse trabalho, sem grande fadiga, ñas alfandegas de Lisboa e Porto, teriamos mui distinctamente figurado n’esla secgao. «Infelizmente o nosso —ámanhá—que tantos recursos n’este paiz esterilisa e mata, tor- nou inuteis as recommendagoes e as diligencias ulteriores. « Compensam, porém, os quadros graphicos urna parte da falta, e com elles conquistámos applauso e louvor dos homens mais competentes nos estudos serios, que a exposigáo provoca. «Um grande quadro que foi feilo em Vienna de Austria por artistas belgas, aos quaes se incumbiu a copia do quadro official, figura na parede que nos pertence, e representa a entrada, saída, e consumo, das mercadorias que sao objecto do nosso commercio, e a exportagáo, reexportagao e transito. Tem servido aqui para demonstrar progresso, a inspecgáo das linhas, 60 que representan! o movimento mercantil pelas nossas alfandegas. « Olhando para a linha amarella, nota-se que em 1842 o valor das entradas nao cbegava a 70* milhoes de francos, e que de entáo para cá, nunca descendo aquella somma, tem fluctuado, cliegando a 158 milhoes em 1861, e ficando em 154 na estalislica de 1870. «Observando a linha encarnada, que representa as saldas, vé-se que no anno de 1842 o seu valor foi de 48 milhoes próximamente, quedesceu a 40 no anno seguinle, e que depois, nao voltando mais a estaiverba, fluctúa entre 50 e 126, ficando emi 122 milhoes na estalislica de 1870. «A linha verde, que exprime o consumo, principia em 56 milhoes de francos, no anno de 1842, desee a 14 em 1855, sobe a 1*16 do anno seguí ule, e depois de varios zig-zags, sempre para cima de 120, chega a 146 milhoes na estatistica de 1870. « A linha da exporlagao vae de 36 milhoes em 1842 a 108 om 1870. «A. linha da- reexportado vae de 8 a 10 mi- íhfles no periodo indicado. 61 - O transito principia em 2 miihoes, no anno de 1855 e declina mui lo nos anuos seguintes, para se elevar pouco alem da referida somma nos annos de 1869 c 1870. « Um quadro d’esla ordem offereee assumpto para muitos consideragóes. Todas reunidas, dariam a historia do nosso progresso industrial e mercantil; mas esta historia fi caria incompleta, e nao seria fiel, se faltassem os desenvolvimen- tos da estatislica geral que o quadro graphico representa. « Em outros quadros apparcccm estes desen- volvimcntos. Represeutam ellcs o nosso com- mercio, o movimenlo de importado e exportado referida a diversos paizes, c o movimento das entradas e saldas das mercadoriasque mais avultam. « E urna grande colleccao esta que Portugal apresenta, e agora mais opulenta, porque cerca dos quadros graphicos do movimento das entradas e saldas, esláo expostos os quadros que repre- sentam o movimento de todos os nossos bancos e eslabelecimentos de crédito, e mais adiante a estatislica dos correios, e a dos telegraphos. 62 « No pavilháo do commercio reservou a Austria para si urna parte, que é destinada para a exposigáo das estatislicas dos correios, postas, e telegraphos do Imperio. «Portugal ahi nao tem logar, e nenhuma outra nagáo foi admittida a concorrer com os donos da casa; bom é, portanto, que sob o mesmo tecto e no sitio destinado para a expo- sigao da nossa estatislica mercantil, appare- gam os quadros do oorreio e dos telegraphos. « Sao interessantes os quadros graphicos dos correios portuguezes. « O primeiro representa, em milhóes de francos, o rendimento durante o periodo de 1853— 1854 a 1871-1872, da correspondencia porteada do reino e ilhas e da Hespanha. « O segundo comprehende a correspondencia dos Pyrenéos, a do estrangeiro por navios, a da Inglaterra pelos paquetes, e a das provincias ultramarinas. «O terceiro abrange a correspondencia dos paquetes do Mediterráneo, e dos transatlánticos. • O quarto representa, ainda graphicamente, 63 o rendimento das carias apartadas, o dos portes e premios em dinheiro das correspondencias registradas, o dos premios dos saques e vales, o dos sellos de franquía, ou estampilhas, o das multas pelas cartas apprehendidas, e o de diversas proveniencias. «Em um interessante mappa synoptico estrío representados por algarismos as estatísticas que os quadros graphicos figuram. « No periodo de 1853-1854 a í 871-1872 cobrou a administracao geral dos correios de Portugal: 1. ° Rendimentos dos annos anteriores. 23:49o$428 2. ° Correspondencias porteadas do reino e ilhas. 119:6181411 3. ° Dita de Hespanha. 75:621^624 4. ° Dita de alem dos Pyrenéos.•. 305:329^544 5. ° Dita estrangeira por navios. 130:376$804 6. ° Dita de Inglaterra, por paquetes. 122:594^422 7. ° Dita das provincias ultramarinas. 36:063^133 8. ° Dita paquetes do Mediterráneo : Vinda. 32:989^012 Expedida. 17:908^986 9. ° Dita paquetes transatlánticos : Vinda. 981:0031596 Expedida. 506:882$203 2.351:883$ 163 64 Transporte . 2.351:883¿163 10. ° Cartas apartadas. 33:567^980 11. ° Porte e premios ; correspondencia regis- tada.!. 8:923$549 12. ° Premios de saques e valles. !07:409$030 13. ° Sellos de franquía. 3.728:549$541 14.o Multas . 5:574$230 15.° Diversas entradas. 498:659¡$349 6.734:566$842 ou 37 a 38 milhoes de francos. «Os quadros graphicos dos nossos telegra- phos tambem sao muito interessanles. Representara elles o progresso da telegraphia em Portugal de 1857 a 1872, desde o estabeleci- mento dos telegraphos eléctricos até o fim do ultimo anuo de administragáo. «No primeiro quadro as curvas exprimem o numero dos telegrammas de correspondencia internacional, interna e de servico official. «No segundo observa-se o servigo interno dividido em relagáo as laxas e franquía. « No terceiro apparece o servigo internacional dividido em telegrammas recebidos, expe : di dos e em transito de fronteira a fronteira. «O quarto comprebende a receita e a des- peza annual. josfomitjnstbe tmb te j&mapjror. Pharol austríaco, e posto semaphorico (Vide pag. 210 dos documentos) 11 iiiii ni i «i ii iéii UIU ■y -y?. W i. 6o «0 quinto diz a extensáo das linlias da nossa rede telegraphica, e dá noticia do des- envolvimento successivo dos fios conductores. «O sexto indica o numero das estagoes publicas e semaphoricas. «O sétimo dá, sempre em relagáo a cada anno, o numero de apparelhos de Morse e Breguet. «O oitavo emfim diz o numero dos empre.- gados das diversas categorías. «Tem sido mui bem recebida por todas as pessoas competentes a nossa collecQáo de qua- dros graphicos. Sirva este acolhimento, e o que téem merecido as collecgoes de productos ñas galerías, e a nossa escola, para compensar as pungentes queixas de alguns compatriotas, que nao acham sufficiente o numero das bandeiras, e que se mostram desgostosose magoados, porque nao chegaram ainda de París todos os trophéus, que o commissariado portuguez requisitou ha tempos, baldadas as esperanzas de os obter em Yienna. A Suissa, que cliegára antes de lodos ás galerías industrial e agrícola, e á importantissima galeria das machinas, chegou depois ao pavi- 5 66 lhao do eommercio universal. Reuniam-se ahi collecgoes pertencenles a diversas exposigoes addicionaes, e como especialidade propria do pavilhao apresentou um atlas muito interes- sanle, do sr. dr. H. Wartmann, secretario do directorio commercial de St. Gal!. Este atlas, em oito folhas, representava o desenvolvimiento da industria e do eommercio da Suissa desde 1770 a 1870. Nao apresentou collecgoes. Estava inaugurado o pavilhao do eommercio universal, e adiantado o servigo da loja; mas os trabalhos do jury inquietavam-me. Só um dos commissarios honorarios se apresenlára em Yienna, o sr. visconde de Benalcanfor, mas por circumstancias imprevistas nao eslava presente quando teve principio o exame dos productos, para o servigo das apreciagoes e julgamento. Deu entrada no commissariado geral aos 20 de maio, e retirou-se poucos diasdepois. Achava-me pois só com o meu digno collega o sr. barao de Wiener, que fóra nomeado vice-presidente do grupo 4.° do jury (substancias alimenticias), atten- dida a proposta, que live a honra de submetter á approvagáo de sua alteza o archiduque presi- G7 denle da expósito universal, depois que me foi communicado que Portugal daria vice-pre- sidente para o referido grupo, sendo cu convidado a propor o nome do commissario que me parecesse compelente para o exercicio d’este cargo. Esta circumstancia, dando-me no grupo 4.°um auxilio valioso, deixava-me lodavia mais abandonado em lodos os oulros. O zélo e a boa vontade do digno commissario, a quem me re- firo, aínda assim me poderiam ser uteis, mas a crise financeira, que n’aquella occasiáo se apresentava temerosa, nao lhe deixava tempo livre para me coadjuvar, depois que lhe foi conferida a honorifica nomeagáo de membro de urna especie de directorio creado para acudir aos estabelecimenlos bancarios, e ás casas commerciaes, ameagados pelo terrivel cataclys- mo, que tantas inquietagoes causava emVienna, e ñas principaes pragas do mundo. Resolverá eu dirigir, em 18 de junho, aos presidentes dos jurys, urna circular nos termos seguintes, com a qual demonstrava os meus bons desejos, e punlia á disposigáo das seccoes todos os recursos de que dispunha: 68 «Sr. presidente.— Os jurados de Portugal nao estao em Vienna, e nao viráo a tempo de tomar parte nos trabalhos do jury. «Comquanto, na minlia qualidade da com- missario geral, eu esteja auctorisado a cooperar pessoalmente ñas deliberagoes dos jurados, porque tenho voto deliberativo, nao me será fácil comparecer em todos os logares onde po- derá ser necessaria a presenta de quem possa dar esclarecimentos, e cuidar dos interesses dos expositores portuguezes. Pego-lbe pois, sr. presidente, que tenha em consideracáo esta mi- nha especial siluagáo na ausencia dos jurados, que o governo do meu paiz nomeou. «Fico inteiramente ao seu dispor para dar os esclarecimentos que o jury desejar, e que eu esliver habilitado a fornecer, e espero que os membros de cada seccáo, de accordo com a dis- posicáo do artigo 23.° do programma n.° 76, terao a benevolencia de me convocar para as sessoes, e para o servigo do exame dos productos, dirigindo-me previo aviso á secretaria do commissariado geral, ou prevenindo os empregados das galerías. Por esta maneira, apre- 69 sentando-me perante cada secQáo, quando ella se occupar dos productos do meu paiz, ostra- balhos do jury poderáo correr com regulari- dade, e eu poderei cumprir a minha trabalhosa missfio. «O catalogo dos productos, cuja copia acaba de chegar ha poucos dias de Lisboa, vae saír do prelo, e será submeltido á consideracáo do jury.» D’esta circular resullou um servido algum tanto complicado, e excesivamente penoso para mim, mas decididamente útil áquelles cujos interesscs eu tinha a honra e a satisfago de proteger, em virlude da missáo official honrosissima, que Vossa Magestade se dignára confiar-me. Nao se descreve este servico. É preciso ter assistido aos trabalhos de um jury dividido em grupos e sec§5es, ter sido chamado, no mes- mo dia, por dez ou mais assembléas, e ter ahi dado informagoes sobre variadísimos assum- ptos, para bem apreciar a larefa. Forzoso era recorrer todavía ao auxilio dos collegas, e a elle recorrí, mas este expediente 70 nao era semprc efíicaz. Sobrava em todos o desejo de coadjuvar, mas a todos faltava o tempo, e depois convem notar que a estagao calmosa tornara o trabalho mais penoso, e que os progres- sos do cholera traziam inquietos os ánimos. Para o grupo 26.°, por exemplo, um dos mais diíficeis, pela sua complicadissima constituigao, recorri crn 7 de julho ao meu illustrc collega o sr. Emilio Levasseur, membro do instituto de Franga, que pela sua elevada intelligencia, profundísimo saber, e universal reputagáo, me pareceu pessoa competente para me auxiliar. Depois de lhe ter fallado sobre o assum- pto, e de ter oblido as suas mais favoraveis promessas, escrevia eu na data acima citada: «Remetto algumas brochuras. e os catálogos (prova correcta em relagáo ao grupo 26.°) Ou- sarei pedir-lhe que tome sob sua protecgáo os eslabelecimentos de caridade, aos quaes tantos servigos devemos? Quereria o meu collega, com o sen catalogo na máo, nao só para sua secgao, mas para todo o grupo, representar os interes- ses de Portugal, e ajudar-me com o seu apoio potente? Nada mais lisonjeiro, nem mais agra- 71 clavel, para mim e para o paiz que lenho a honra de representar. Folgo de poder aqui registrar os bons servidos queosabioescriplor francez nos prestou, etodavía, como prova de quáo arriscada era a silua- cáo em que me via, devo dizer por exemplo, cm relacao ás cartas parietaes do sr. Bellencourt, que urna seccao as distinguiu, e que ficaram sem premio, apcsar deter eu assistido á reuniáo, collaborando ñas deliberagoes preliminares. Tendo entrado em campanha, nao quería abandonar o terreno, apesar do estado já entáo pouco satisfactorio da minha saude, c como ás assem- bléas dos grupos nao occorresse sempre advertir que seria preciso chamar o representante de Portugal, antes de homologadas as deliberares das sccQoes, dirigí em 7 de julho aos presidentes dos grupos urna circular nos termos seguinles: «Sr. presidente: Sendo eu auctorisado pelo artigo *&:*■ ■;"P^ ‘ jair.'iL'. K*«m Pavilháo sueco — Exposigáo do material para a pesca (Vide pag. 210 dos documentos) , * ■ • 81 monstrava que fóra devidamente attendida a condigao n.° 1 do arligo 22.° do programma n.° 76. Esta memoria, e muitas outras, e as copias daminha volumosa correspondencia com as secgoes do jury internacional, existem nos archivos do commissariado. Nao me parece ne- cessario transcrevel-as n’este logar, para que se conhega que nao era sem fundamento que eu dizia em 23 de julho ao secretario geral da com- missáo de Lisboa: «A falta de lodos os jurados, alguns dos quaes nem ao menos me avisaram, nao causou grande transtorno aos expositores, mas tem sido, e é ainda, como v. ex. a deve sup- por, causa de grande fadiga para mim». Apesar da doenga e da fadiga, eu queria que ninguem fosse desaltendido, e se nem sempre foram coroadas de feliz éxito as minhas diligencias, ao menos, e como compensagao, ficava tranquilla a consciencia. A camara municipal de Lisboa, por exemplo, mandou muito tarde para a exposigáo modelos de urna parte do material empregado no servigo da extincgáo dos incendios. Em 24 de julbo estavam expostos, e havia sido por mim solicitada a reuniao do 6 82 jury para ajusta apreciagao do seumérito. Basta a simples declaragáo da data da exhibigáo para que todos vejam que nao havia falta de zélo. Estavam os jurys no exercicio das suas func- goes quando se annunciou a publicacáo de um relatorio official (documento n.° 7), declarando a dírecgáo geral que por sua iniciativa se rea- lisaria este grande melhoramento, poisque os relatorios das exposicoes anteriores, tardíamente publicados, nao haviam permittido as confrontares e exames indispensaveis para um estudo consciencioso. Era mais urna promessa, e mais urna levian- dade, porque a commissáo austro-hungara nao estava preparada para servido d’esta ordem. Todavía, n’esta oceasiao, como desde que se annunciára a exposigáo universal em Vienna, era dever nosso acceitar as apparencias como realidades, e tomar a serio o que nao havia sido seriamente meditado. Officialmente deviamos crer na publicacao de relatorio fiel, destinado a preencher urna sensivel lacuna, que todos haviamos notado ñas exposigoes anteriores. Por este motivo escrevi o documento n.° 8, pe- dindo elementos para a obra cuja publicagá© a direcgáo geral intentava. Em documentos que nao tinham o carácter official, manifestava ao mesmo tempo francamente o meu parecer acerca d’esie importanlissimo assumpto, para desviar de mim toda a responsabilidade, vistoque sabia, com certeza, que geralmente aos relatores faltavam as informagoes necessarias para o trabalho de que a direcgáo geral os encarregára. Dizia eu enláo: «Depois de muitas hesitagoes, e longos debates, depois de bem discutida urna proposta para que nao se redigisse relatorio geral, decidía a commissao auslro-hungara emprehender urna obra atrevida, gigantesca, monumental, publicando, antes de fechada a exposicáo, a no- ticia official d’este grande acontecimento, que será um dos mais notaveis na historia do secuto actual. «A difíiculdade da empreza seria enorme se as diversas nacoes tivessem organisado metho- dicamente as suas exposigoes, e se em todos os seus servigos a direcgáo geral tivesse, desde o principio, a contar dos programmas, preparado 84 os necessarios elementos para o éxito desta tentativa grandiosa e arrojada. Maior ha de ser, será enormissima, porque desordenadamente se fez tudo em Vienna, e porque nem sempre, fóra de Vienna, se attendeu ás condigoes características d’esta exposigáo. «Nao parece, todavia, impossivel o resultado que se deseja. Se todos, corn boa vontade, co- adjuvarem o illustrado relator, o dr. Carlos Th. Richter; se de toda a parle vierem os subsidios que elle discretamente requer: a historia da exposigáo terá quanto possivel o conveniente cu- nho de Fidelidade, e ficará como permanente vestigio de um fació, cuja inevitavel influencia, no progresso material e moral dos povos, lodos sem contestagáo reconhecem. «A publicagáo tardia dos relatorios tem sido urna das grandes faltas das outras exposigoes industriaos; a limitada publicidade das edigoes é outra que ninguem desconhece. Vae ser considerada a primeira. Veremos como attenderá cada nagáo á segunda. «Em tres parles será dividido o relatorio of- ficial. A introduccáo, que as precederá, deve 8o comprehender a historia da exposigáo. Para esta existe o material r?ecessario, no conjuncto dos documentos até hoje publicados. Allí veremos a dcscripcáo geral e particular, a colieccáo dos programmas, a legislado e os regulamentos. Tudo está prompto, falta apenas urna coordenado conveniente, que deixe hem a dcscoberto o que foi aproveitado, e no segundo plano, lá no fundo do quadro, tudo quanlo nao prestou e nao presta. A historia dos erros tambem ha de ser de alguma utilidade, e o barao de Schwarz-Senborn, homem de grande mérito, e superior capacida- de, nao ha de querer que seja supprimido o que pode servir de ligáo, ou dar origem a considerares salutares. Fazemos plena jnstiga ao seu carácter, e acreditamos que tudo tornará patente, ainda quando, em alguns casos, possa ficar magoado o seu amor proprio como director geral d’esta grandiosa empreza. «A primeira parte, importantísima, e de certo a mais difficil, deve abranger a collecgáo dos reía torios especiaes de todas as secc-oes e de todos os grupos. Dizendo que sao cerca de noventa as secgoes, divididas algumas em subsec- 86 goes, e notando que será preciso, em cada re- latorio parcial, considerar os productos expos- tos pelos diversos paizes, podem todos compe- netrar-se da immensa difficuldade da obra. «Se esta obra consistisse apenas em coordenar os relatorios dos jurys das secgóes, seguro seria o desastre, porque nao pode haver nexo em Irabalhos que foram encelados, continuados, e concluidos, sem prévio accordo acerca das regras de julgamento, e das c-ircumslancias accessorias da producgáo, que deveriam ser at- tendidas. «Acreditamos porém que se ha de evitar o desastre, completando, ordenando, e rectificando, o que está incompleto, desordenado, e visivamente incorrecto. «Tomando para exemplo o primeiro grupo (exploragáo de minas e metallurgia) achámos no programma n.° 3 oito divisoes: «a — Combusliveis mineraes (hulha, betu- mes, alcatroes, oleos mineraes, ele.) «6 — Minerios e metaes. «c — Mineraes nao comprehendidos acima (sal, enxofre bruto, graphite, etc.), á excepgáo 87 dos materiaes de construcgáo, que pertencem ao 18.° grupo. «rf — Ligas no estado bruto. «e — Modelos e desenhos do material para a explorado das minas, e das ofíicinas metal- lurgicas, planos de minas, etc. € f —Obras sobre geología, e cartas geológicas, etc. «¡<(^1; íp-swH ffli l¡§ÍÍ3¿É Irrirli Wm t g5££ ! ¡&‘. mm wm 3»s EBfoa Pavilhúo do Principe de Monaco — (Yide pag. 210 dos documentos» h A 89 maior, apparenteniente maior, que resulta do abandono em que deixámos o trabalho de in- quirigao industrial tantas vezes recommendado. «Aínda nao ha muitos annos um deputado requereu, em cortes, que se pergunlasse ao ministerio competente qual o numero de fusos méchameos de que dispunham as fabricas nacio- naes. Respondeu o ministro, que nunca em tal eslatislica se pensára, e os representantes do paiz acharam isto muito natural. Alguns annos depois procede-se em Vienna ao exame geral do estado das industrias, e sendo essa urna das pergunlas essenciaes no questionario do grupo 5.°, e lendo respondido a elle quasi todas as na- £oes, Portugal, que n’outros pontos, c-om grande esforgo, mas gloriosamente, como por exemplo no pavilháo do commercio, homhreára com os mais graduados, foi formar á rectaguarda com aquelles que por varias rasoes esláo aínda em deploravel atrazo. «E todavía, sequizessem, naoteriaacontecido isto, poisque deba muito se pede e recommenda, para diversos fins, a organisacáo da eslatislica industrial, e dos servicos technicos correlativos. 90 «A segunda parle do relatorio cuidará únicamente do oriente, porque pareceu acertado contemplar, em noticia especial, ospovosorientaes, que seapresentaram em Yienna como nunca em oulra exposiQáo alguem os viu, e que, aprovei- íando as vantagens da proximidade, vieram fa- zer militas re velado es importantes para a nossa vida económica. Collocando-se em frente das outras naQoes offerecem-nos os recursos da sua variadissima e opulenta producto, ainda até hoje mal conhecida, pedindo em cambio muitos productos da nossa industria manufactura e agrícola. «Se n’esía parte ha para os austriacos um especial inleresse, ninguem ignora que na grande cadeia do trafico mercantil todos os factos se ligam de maneira, que nao ha transacQoes, importantes para os mais próximos, que sejam indiferentes, e sem valia nos mercados remotos, e apparentemente estranhos ao movimento directa ou indirectamente derivado de taes transares. «A lerceira parte do relatorio oíficial dará conta dos trabadlos dos congressos. É urna novidade 91 esta publicado. De todos os congressos temos as acias. Dos congressos estatisticos possuimos relatorios de grande valor, taes como os do sr. marquez de Avila, especialmente a sua ex- cellente noticia relativa ao congresso estatistico de Berlim, e no mesmo genero o do sr.Varnha- gem, barao do Porto Seguro, com referencia ao congresso estatistico de S. Petersburgo. De ne- nhum temos ainda urna noticia official como aquella, que vemos annunciada, cuja importancia nao se pode contestar, attendido o valor dos assumptos, que seráo discutidos durante o mez de setembro próximo.» Do velatorio official, pomposamente annun- ciado, apenas urna pequeña parte appareceu durante a exposigáo, e essa incompleta, incorrecta, revelando precipitado, falta de suficiente informadlo, e algurnas vezes desconhecimento completo dos factos, e ausencia absoluta do exame directo, que para a redacgao de taes documentos é a primeira e mais solida base. Citando algumas apreciares, ñas quaes se contém tudo quanlo oficialmente se relatou, com referencia ás nossas collecgoes dos princi- 92 paes grupos, fácilmente demonstrarei que a directo geral, no seu relatorio official, querendo preencherlacunas, e corregir erros, das exposi- $oes anteriores, conseguiu apenas provar que pouco valem os planos apparatososquando para a execuQáo dos programmas nao se faz metho- dicamente o servido, vendo, examinando, estu- dando, em urna palavra trabalhando. Se livessem visto com áltenlo as nossas collecgoes do l.° grupo, nao teriam apenas declarado que apresentavamos bellos marmores, minerios argentíferos de Beja e do Porto, e mínenos de antimonio, e zinco sulphuroso. As pvrites de cobre da mina de S. Domingos, os minerios da companhia de minera^ao Transta- gana, as collecgoes do Palhal, as plantas do Bragal, Malhada, etc., teriam ao menos merecido mencao, o nao ficariam desaproveitadas as informa^oes, de que o jury dispoz, relativas ás minas de ferro. O mais notavel, n’esta deploravel deficiencia, é o desaccordo entre o relatorio official c os relatónos das secgoes em que o jury se dividirá. Para ao menos simular um tal ou qual exame 93 nao loria sido inopportuna recorrer á lista das recompensas. Assim teriam evitado que se no- tasse, nao só a falta de apreciagáo, mas a falta absoluta de mengáo de productos, que o jury internacional dislinguiu, conferindo premios aos expositores. Se tivessem concedido alguns instantes de allengao ás collecgoes de seda, e attendido á posigáo que poderemos ter como productores da materia primeira, e como fabricantes, de certo, com justiga, teriam severamente expro- brado a indolencia dos creadores, e louvado a diligencia e aJntelligente coragem dos ma- nufactores. Querendo apenas satifazer á forma- lidade, e prescindió do do esíudo, disseram lacónicamente que fazemos esforgos para que a producgao satisfaga as exigencias do consumo, sendo estes esforcos dignos de louvor, poisque para tal conseguir ó necessaria a transformagáo completa d’este ramo de industria! Referindo-se á passamanaria enfeixaram cinco paizes, a Italia, a Hespanha, Portugal, a Bélgica e a Suissa, e apenas disseram que pouco haviam expostol Na primeira noticia da 94 exposigao universal, publicada poralguma fo- Iha politice, seria desculpavel que lanío ao de leve um relator se referisse a qualquer das secgoes de industria. Em relatorio oífícial esta maneira de apreciar nao pode seradmiltida sem reparo, sendo muito para estranhar que a tole- rasse quem tinha a laboriosa e honrosísima missáo de superintender na execugao de todos os servigos. As collccgoes do segundo grupo nao merecerán! maior consideragáo. Em relagáo ás fruclas, por exemplo, o relator apenas diz que Portugal e aHespanha eram representados, em parle, por exposigoes collectivas, e em parte por expositores que apresentaram amendoas, nozes, casta- nhns, laranjas, figos, fructa de carogo, etc. E nada mais! Pieferindo-se ao grupo 26.°, mcios para o en- sino da geographia, o relator especial menciona, sem observagoes, os mappas do sr. Betten- court, ácerca dos quaes, em relatorio official, algumas consideracoes deveriamos esperar. Nao continuarei, porque seria enfadonho continuar n’esta demonslragáo de imperdoaveis 95 faltas. Saíam tarde, é verdade, os relalorios das outras exposigóes, saíam aínda com dcploraveis lacunas, mas se para saír cedo lem de ser a obra táo incorrecta, táo deficiente, táo inútil, como essa que nos apresentou a direcgáo geral da exposigáo de Vienna, prefiro cem vezes o adiamento da publicagáo, desejando que se possa consagrar algum tempo ao estudo, para o quai eu estava disposto a fornecer todos os elementos de que dispunba, tornando-me collaborador assiduo, apesar da doenga, como se demonstra no officio que dirigi em 31 de julho ao dr. Rich- ter, relator geral,.encarregado da collecgáo e co- ordcnagáo de todos os documentos. E convem notar que nao se evitou o adiamento. Quasi um anno depois da exposigáo, e apesar de se haver sacrificado a exaclidáo á urgencia, apenas está publicada urna parte do livro! Em 30 de julho, estando a lindar o praso determinado para os trabalhos do jury internacional, escrevia eu ao baráo de Scliwarz-Sen- born: «Confesso francamente que nao posso mais. Os seus delegados nao quizeram ajudar- 96 me. Nem urna lista ao menos! Abandonarei tudo, depois de haver esgotado os meios ao meu alcance para evitar os erros e as omissóes. Agradeció a v. ex. a tudo quanto quiz fazer, e pe- go-lhe que me desculpe de haver empregado todos os meios para bem cumprir a minha missáo. «Se ao menos me deixassem ver as provas, eu aínda poderia ser útil; mas duvido, poisque, segundo parece, pretenden! prescindir da minha coadjuvagao.» *' N’esles termos me dirigía eu a quern superiormente vigiava todos os servigos, e comquanto fallasse em abandonar, escrevia na mesma data ao dr. Nessler para conseguir que fosse examinado o filtro pneumático do sr. Silva Pinto, ao presidente do 13.° grupo para o julgamento da machina á Jacquard exposta pelo sr. Guerra, e da roda de liar apresentada pelo sr. Rocha, e aos presidentes de varias secgoes pedia que nao deixassem no esquecimento os productos, cujo exame lhes competía, e aínda nao havia sido feito. Nenhuma diligencia poupei, para que a todos se fizesse justiga. ^aíjxllon líaistrs b0ix |lusslanb, l i¡'i ! !"l , i mssñ mm, ’miím mm ü»fi ÉUSsEí íflSfií: mm »w$~¡ mm ’*ssli §2S¡¿§£ l£ff ?:', Wmm ¡sáü f&s&s MIMi MU Pavilháo do Imperador da llussia—(Vide pag. 210 dos documentos) 97 Estava annunciada para 18 de agosto a solemne distribuigáo das recompensas, e nenhum dos protocolos estava em meu poder, nenhuma lista havia dado entrada na secretaria do com- missariadol A maioria dos meas collegas, das commissoes de outros paizes, queixava-se como eu d’esta falta. As 7 horas da noite do dia 16 expedi um telegramma, dirigido ao barao de Schwarz-Sen- born, no qual declarava o segninte: «Nao tendo visto as listas, e faltando-me as promettidas provas, desligo-me de toda a responsabilidade». No dia 18 expedi, nos termos seguinles, ou- tro telegramma, porque o servigo do expediente se tornara trabalhosissimo, e eramos obligados, para altender a todas as exigencias, a recorrer frequentemente ao telegrapho: «Nao tendo recebólo resposta ao meu telegramma de 16, pelo presente venlio eonfirmal-o, habilitando-me para deduzir d’elle todas as consequencias legitimas com a maxima publicidades Depois d’este telegramma escrevi um oíEcio, no qual dizia ao director geral: «Nao tendo re- cebido as provas da lista ofíicial, que o sr. dr. 98 Arenstein solemnemente nos promettéra, em nome da direccáo geral, e nao tendo sido favorecido com alguns exemplares d’esta lista, como esperava, ordenei a compra deum. Examinando atlentamenle este documento, acho ahí urna grande quantidade de erros, o que nao me sur- prehende, porque y. ex. a nao quiz nunca atten- der ás numerosas observacoes que tive a honra de Ihe communicar. N’eslas circnmslancias ainda me dirijo a v. ex. a para lhe pedir que me diga como devo proceder para evitar os erros nos diplomas. «Y. ex.“comprehendebem que, apesar de maguado pelo que tem de extraordinario o proce- dimento da direcgao geral, eu nao posso abster- me de o enfadar com a rninha correspondencia, e reclamares, porque devo, em primeiro logar, cuidar nos interesses dos expositores portugue- zes, esgotando todos os meios possiveis de re- ctificagáo, antes de publicar a historia completa d’esta desgranada negociacáo.» Recebi no dia 19 urna lista official, e a res- posla aos meus telegrammas. Esta resposta dei- xou o director geral em pessimo terreno. Dizia 99 o seguínte: «Tenho a honra de accusar a recepto dos seus dois lelegrammas de honlern e de hoje, pelos quaes me pede que mande a lisia dos expositores premiados. «Permitía, sr. commissariogeral, que llie observe que as listas ñas exposicóes universaes precedentes, em París e em Londres, nao foram submettidas ao examc dos commissarios estran- geiros antes da publicado official. «Eu mesmo, sendo commissario do meu go- verno, em 1851, nao pude obter urna tal con- cessao. «Teria aberto urna excepcao, para acceder aos seus desejos, mas era impossive!, poisque a paginacao foi comecada hontem, e a impressao feila durante a noite de honlern para boje, saíndo a lista ás 0 horas da imprensa imperial. Nao podía pois annuir aos seus desejos. Espero, sr. commissario geral, que reconhecerá o valor d’estes motivos.» Esta resposla, em plena contradiccáo com as solemnes promessas que a direccao geral fizera, ou mandara fazer. pelos seus delegados, perante os jurj T s, nao podía satisfazer-me. Se em París eLondres tal concessao ninguem havia obtido; se parecía acertado seguir os exemplos de París e de Londres, comquanto se houvesse an- nunciado que Yienna se preparava para emendar os erros das antecedentes exposigoes; se os commissarios, com voto deliberativo* nao podiam ver os protocolos das secgoes; e se depois de concluidos os trabalhos dos jurvs nao havia tempo para a revisáo das provas — para que e porque faziam promessas, declarando que as provas iriam a cada um dos commissarios ge- raes, dispensando-se assim a revisáo dos protocolos? Hespondi nos termos seguintes aos 20 de agosto: 105 pretendendo reunir os elementos para estudos technicos de alguma ulilidade, dirigí á com- missáo central um aviso nos termos seguintes, que foi por ella approvado e opportunamente publicado: «Ocommissariado regio portuguez, em Vien- na de Austria, faz constar que reeeberá, até 31 de agosto, todas as requisigoes que lhe forem dirigidas pelos interessados ñas industrias manufactura e agricola, pedindo esclarecímentos relativos a machinas, apparelhos e productos exposlos ñas galerías do Prater, ou a proces- sos, cuja descripgáo se possa obter, e modelos, desenlies, amostras, etc. «As pessoas que desejarem aproveilar este meio de adquirir suficiente informacáo ácerca do material e dos methodos adoptados ñas diversas operagoes das industrias, cujo desenvol- vimento em Portugal se promove, deveráo indicar, por escripto, exacta e minuciosamente, o que pretenderem, na certeza de que o servigo do commissariado, para obter as informagoes e os objeclos, é oficial e gratuito, sendo neces- sario que os interessados mandem abrir os in- 106 dispensaveis créditos únicamente para o pagamento de quaesquer desembolsos a que possa dar origem o Irabalho, que por sua conta e para seu interesse for ordenado. «Toda a correspondencia deverá ser dirigida ao conselheiro Fradesso da Silveira, commis- sario regio de Portugal na exposigáo universal de Vienna de Austria». Emquanto me preparava para responder ao que de Portugal me perguntassem, certo de que nao abusariam da minha solicito de, mas bem longe de crer que táo desattendido (icaria o meu aviso, de outros assumptos cuidava, fa- zendo toda a possivel diligencia para attenuar os pessimos effeilos da desordem que reinava em todo o servigo ofíicial da exposigáo. Dirigindo a exhibigáo das collecgóes de productos das provincias ultramarinas, a presentadas pelo nosso museu colonial e pelo banco, ultramarino, servigo em que fui mui efficazmente auxiliado pelo tenente coronel Brun, commis- sario adjunto da Suissa, tinha eu em vista attrahir as attengoes dos industriaes, dos com- merciantes, e de todos quantos poderiam influir 107 na administracao dos negocios dos diversos estados, promovendo por esta maneira transac- Qoes, que me pareciam possiveis, e para nos de maxima utilidade. 0 que se publicou ácerca das mencionadas collecQoes, em jornaes de todos os paizes, e a honrosissima distincgáo que obtivemos, demonstram que nao ficaram sem fructo as minhas diligencias. Lamentavel é todavía que nao estivesse eu habilitado convenientemente para fornecer amostras aos mu* seus, aos agentes de commercio, ás direc^oes dos estabelecimentos de instruccáo industrial e mercantil, etc., poisque mais fácilmente assim se obteria um resultado, que depende muilo do bom senso pratico dos governos, e da acti- vidade dos seus delegados. Dispuz das collec^oes do banco ultramarino, e sinceramente agradego ao seu illustrado gover- nador a prova de confianza com que me honrou; e devolvi ao museu colonial as suas, empregando a cusió o único expediente que me pareceu ra- soavel para justificar o meu procedimento pecante as commissoes dos diversos estados, que táo liberaos foram sempre com o nosso paiz. 108 Se abundam, como é sabido, ñas possessoes portuguezas, os productos de que mandámos amostras, porque daremos urna singular de- monstra^ao de avidez, recolbendo essas amostras, como se o museu colonial fosse algum museu de anligualhas e raridades, destinadas a figurar, por emprestimo, e bem guardadas, no pavilháo dos amadores? Para evitar as difficuldades de urna resposta satisfactoria a esta inevitavel pergunta, publi- cou o commissariado um aviso, e acceitei eu mais urna responsabilidade, esperando que a benemérita direccao do museu, que tantos servidos tem prestado, nao me deixará ficar mal. O aviso dizia o seguinte: «Tendo a direccao do museu colonial por- tuguez disposto das suas eollecQoes, o commissariado regio nao poderá ceder os tvpos expos- tos. As requisigoes de amostras de productos das possessoes portuguezas, para museus e ou- tros estabelecimentos públicos, deverao ser dirigidas ao conselheiro Fradesso da Silveira, com- missario regio de Portugal, que as transmittirá e recommendará ao museu colonial de Lisboa, i09 cuja direcgáo, entrando em relagoes directas com cada um dos estabelecimentos, poderá for- necer os objectos requisitados, e os esclareci- mentos respectivos. «As requisigoes particulares de amostras, para o commercio, deverao ser dirigidas do mesmo modo. O commissariado portuguez lhes dará o mais conveniente destino, para que nao fiquem desaltendidas.» Este aviso nao era urna evasiva. Tenho as requisigoes dos estabelecimentos públicos á disposigáo do museu colonial, e fa- rei o respectivo expediente logoque sejam competentemente determinados os preceitos para o fornecimento de colleccdes, e para o estabele- cimenlo das indispensaveis relacoes internacio- naes. Das requisicoes particulares algumas já fo- ram attendidas, e oulras bao de ser opportuna- menle consideradas, se nao me faltarem as for- cas, e se os principaes interessados nao recusaren! um auxilio, que reverte principalmente em seu proprio beneficio. Nao basta dizer que do ultramar virao re- ilO cursos á melropole. É preciso fazer alguma cousa, para que taes recursos possam d’ali vir, e para que scjam realmente valiosos. Outro assumpto, que lambem prendía muilo a minha atten^áo, era o esludo pralico, assumpto de que me occupára nos primeiros lempos, e que leve de ser adiado, nao só porque falla- vam alojamentos, mas tambem, e principalmente, porque me fallava o animo para instar pela ida dos operarios aVienna, quando a invasáo do cholera tornava mais perigosa a residencia n’aquella cidade. Mas no principio de setembro, depois de haver ordenado algumas providencias preliminares, e altendendo ás estatisticas da mortalidade, pareceu-me que o risco já nao seria grande, e por esta rasáo me dirigi nos termos seguintes ao conselheiro secretario geral da commissao central: «Ill. m0 e ex. m0 sr. — No meu officio de 18 de abril ultimo promelti a v. ex. a que Ihe daria opportunamente conhecimento do que se resol- vesse em relaQáo á maneira de accommodar o pessoal encarregado de proceder aos estudos praticos. Nenhuma resolugáo aproveitavel me lii constou, que podesse, ou antes que devesse, íommunicar a v. ex. a • Os alojamentos, que visilei, construidos pela direcgáo geral, nao satisfaziam ás condi- £óes necessarias, era tempos normaes, e na presenta do cholera forzoso era rejeilahos. O es- tabelecimento de alojamentos, similhantes aos inglezes, por exemplo, exigía recursos, de que nao podíamos agora dispor. A demora das in- stallagóes, e a confusao de todos os servidos, nao convidavam a propor despezas, que deveriam ser infructíferas. «Hoje as circumstancias sao oulras, e creio que vantaj osa mente poderá o governo subsidiar alguns mestres de fabricas, ou directores de officinas, proposlos pelos chefes de eslabeleci- mentos, e fabricantes, e alguns agrónomos, e operarios fabris, proposlos pelas associacóes competentes. Os grupos 2.°, 5.°, 6.° a 13.° e 18.° devem n’este caso merecer urna especial altengao. «Dividido o pessoal subsidiado em duas sec- coes, urna das quaes se demore aqui durante a primeira quinzena de outubro, destinando-se para a outra os últimos quinze dias da expo- 112 sigáo, terá cada um dos subsidiados o tempo ne- cessario, com urna discreta direcgao do traba- lho, para obter informales uteis, que sómente pelo exame directo podem ser adquiridas. «Apresentando esta indicagao cumpro um dever. A commissáo proporá ao governo de Sua Magestade o que lhe parecer acertado, na certeza de que, alé onde as minhas forgas che- garem, eu farei quanto possivel, pessoalmente, com o auxilio dascommissoes dos outrospaizes, ecoadjuvado pelos meus empregados, para que o resultado corresponda ao sacrificio.» No dia 8. confirmando o que dissera n’este officio, annunciei telegraphicamente que podia acolher quinze visitantes (operarios, contrames- tres e mestres de fabricas), sendo favoraveis as condignos, em virtude do accordo que fizera com a commissáo da Suissa, para o alojamento do meu pessoal nos barcos do Danubio, que serviam de hospedaría ao pessoal enviado para o mesmo fim, por aquelie paiz que tanto n’esta exposigáo se distinguía. Em officio da mesma data explicava o tele- gramma nos seguintes termos: has türluscbc ¡Saffcíbaus anfr bcr íürhiscba §a¿ar. Lvflf ;,jjj;t|! : j¡¡ji¡ÍH4!¡iijÍi¡f ' "ííjlüüiljjli: 1! ¡11ÍM *11 /l ¡l ¡ fiüjtíj 11 ij HESñJj WSjS *53^ m0&¡ ileáaá EgÉS?® rnm mm mu ts&m mm g&Ss**.; Esyifflffiraresg Casa de café e bazar turco — (Vidc pag. 210 dos documentos) ■*- f*l - . ’il • f i ■ J '-.-. •&' *v*3ki í® ' -V, 113 «Refere-se o lelegramma ao mea officio de 3 do corrente relativo ao pessoal encarregado dos estudos praticos. Tendo obtido do commissaria- do geral da Suissa que os nossos visitantes se- jam admittidos como os do paiz que o dito com- missariado representa, aproveitando osseus alójamenos, os seus guias, e os precos favoraveis de 1,30 florim pelo alojamento, e deoutro tanto por duas boas refeigoes diarias, parece-me ha- ver conseguido o mais que se poderia desejar. «De todos os cantoes da Suissa téem vindo rnestres de fabricas, contramestres, professores, e alguns fabricantes, e como vejo que os aloja- mentos sao aceiadissimos, que a comida é excedente, sendo o servico irreprehensivel, nao tenho duvida em propor que os nossos viajantes aproveitem a concessáo vantajosa com que o commissario geral nos favorece, attendendo ás excellentes relacoes que nos ligam. «Os visitantes da Suissa, enviados aqui pelos cantoes, para estudos technicos, demoram-se doze dias, dez dos quaes sao destinados para estudos, e dois para passeios na cidade, visitas de estabelecimentos públicos, etc. 8 i 14 «Pego a v. ex. a que submetta esla minha in- dicagáo ao conselho director. No l.° de outubro poderiam estar aqui os directores eobreiros, das offieinas do estado, que fácilmente o governo nomearia. «No dia 15 estariam aqui os mestres das offi- cinas particulares, e os operarios enviados pelas . associacóes. «Sem grande sacrificio poderiam assim trinta visitantes adquirir as convenientes nogoes pra- ticas. «Se esta proposta for adoptada, pego a v. ex. a que me avise a tempo do assumpto especial dos esludos incumbidos a cada delegado, para que eu possa, de accordo com os oulros commissa- riados, preparar previamente tudo quanto deverá concorrer para facilitar taes estudos. «Esta nova tarefa. sobre tantas de que me oe- cupo, nao me deixará um só instante de socego; mas parece-me que tambem este sacrificio nao será inútil para o paiz.» A pesar de se haver aggravado o meu mal, pareceu-me conveniente nao me referir a esta circumstancia, para evitar que as consideracoes pessoaes prejudieassem o servigo de alto inte- resse publico que pretendía aínda reger; mas o governo de Vossa Mageslade rejeitou a mi- nha proposta, resolvendo nao mandar á cxpo- sigáo de Vienna nenhum mestre, conlrameslre, ou operario, por isso que já era tarde paralo- mar deliberacao contraria, de modo que nao desse logar a queixas fundadas. Pareceu a s. ex. a o ministro da repartigao competente que seria difficil encontrar meio de transporte por mar, nao sendo por Franga, e tambem lhe pareceu que tendo havido em Vienna bastantes casos de cholera, seria arriscado, em estagáo adían - tada, mandar al i visitantes, que nao estando aclamados, mais fácilmente poderiam ser atacados. Ao officio, que me transmittia estas noticias, respondí nos termos seguinles. em 11 de ou- tubro: «Fico sciente da resolucao que v. ex. a me communica, por ordem de s. ex. a , o ministro, acerca dos individuos que poderiam agora, com proveito, visitar a exposicao. Acolhendo respei- tosamente essa resolucao, como devo, pego li~ cenca para notar que a minha proposta se re- 110 feria ao modo e á epocha, e nao ao principio, e ao que devéra previamente haver sido preparado, porque a minlia opiniao, sobre este ponto, é de ha muilo e perfeilamente conhecida. Sirvam estas paiavras como breve reclificacáo, porque algumas phrases do seu referido officio poderiam dar a entender que fallara tarde no assumplo quem d’elle se occupou em primeiro logar, e mui delidamenle, como é notorio. «Agora é larde. «Se ha um mez, segundo a minlia indicacáo, e quando abi ebegou o meu ofücio de 3 do pas- sado, livessem sido nomeados alguns homens habilitados, como Garlos Augusto Pinto Fer- reira, e outros, das ofíicinas do estado, que vi- riam por Santander, formando a lumia da pri- meira quinzena de outuhro, e se no praso de vinle dias ou mais, praso milito sufíicienlc, se tivesse offerecido, com especificadas condigoes e cautelas, a subsistencia, o alojamiento, e a di- reccáo do estudo em Vienna, aos mestres de fabricas, em determinadas circumslancias, nao teria bavido logar para queixas fundadas com relacao á turma da segunda quinzena. 117 «Quanto ao lempo destinado paraos estados, estando os trabalhos da exposigáo quasi a Andar, asseguro a v. ex. a que nenhurn oulro me- 3hor ensejo se poderia ter aproveitado, como provarei com documentos que acerca d’esle as- sumpto me téem sido fornccidos pelos collegas de outros paizes. «Resumirei dizendo a v. ex. a que, apesar de tudo quanto antccipadamente eu havia visto, nos jomaos, a respeilo da nomeacáo do pessoal para esludos pralicos, sempre esperei que ao menos aqui viessem algunshomenstechnicos muilo distinctos, que perlencendo a estabelecimenlos do estado, fácilmente poderiam aproveitar as vantagens da proposta que fiz, com desejo sincero de ser mil, e com perfeito conhecimento, perrnitta-me que o diga, das condicóes effecti- vas de que depende actualmente o nosso pro- gresso industrial.» Gumprindo a ininba promessa direi, com documentos avista, que ficatn archivados n’este commissariado, como em poucos dias poderia ser attendida a missiio dos estados, e tornarei por typo a Suissa, poisque as minhas negocia- 118 toes com ella eram, e tinliam por objeclo habilitar e instruir o nosso pessoal, como se havia habilitado e instruido o pessoal enviado a Yienna pelos diversos cantoes da república. Os quinhentos a seiscentos operarios, que a Suissa cnviou aVienna para visitaren! a exposi- gao, esludando em particular, cada um d’elles, a sua respectiva industria, foram divididos em quinze grupos, demorando-se cada um d’elles, em Yienna, como já disse, doze dias, dos quaes dez destinados para o estudo da exposigáo, e dois para a visita da capital. Cada grupo era composto, quanto possivel, de homens da mesma profissáo, sem attengao ao idioma, ou á localidade, de cada operario, dirigidos por dois chefes, um fallando a lingua franceza, e outro a lingua allemá. Ñas epochas determinadas reuniam-se em Romanshom os operarios destinados para um grupo, e ahi eram organisados por um com- missario federal, que distribuía os bilhetes de caminho de ferro, e dava as instrucgóes para a viagem. Á chegada, em Yienna, outro com- missario federal* os esperava, e conduzia em 119 carruagens ómnibus ao caes do Danubio, d’onde passavam para os barcos da sociedade d’Ulm, fretados para hospedarías, alojando-se a bordo em camarotes de duas camas, cada urna das quaes custava, por dia, 1 florim e 30 kreutzers, isto é, 520 réis, pouco mais ou menos. Cada operario, no dia da sua entrada em Vienna, recebia um bilhete de quartel, e oulro da entrada na exposigáo, dividido em dez senbas. As 8 horas e meia da manha, porque ás 9 se abriam as portas do palacio da industria, era servido aos operarios, em urna casa de pasto próxima, o almogo composto de urna sopa, carne, legumes, pao, etc., e meia garrafa de vi- nho, ou cerveja, á escolha do consumidor. De tarde, ás 6 horas, servia-se o jantar, composto como o almoQo, e mais urna sobremesa. Para facilitar o expediente, e a fiscalisacáo, cada operario recebia, de manila, no seu camarote, um bilhete, com duas senhas, urna para o almoQo, e oulra para o jantar. As duas refeigoes custa- vam 520 réis por dia. Cada operario, depois de entrar na expósito, podía livremente fazer as suas indagares, 120 sempre auxiliado e protegido pelo commissa- riado. Nao foi possivel realisar praticamente a direcgáo dos estudos de cada grupo por um operario de profissáo respectiva. Para as visitas á cidade servia sempre o mesmo guia. Para o servico sanitario estava contratado um medico de partido por lodo o tempo daexposiQáo. Referindo-se á Internacional, o coronel Rie- ter, commissario geral da Suissa, assegurou- me, officialmente, que nunca em relagao aos seus operarios aquella associac-áo manifestara o minimo signal de vida, sendo certo que nao ti- nham elles tendencia para se occuparem das questoes sociaes. Admirando o methodico servido da Suissa, e os seus uteis resultados, e respeitando as importantes rasoes, que determinaram a rejeigáo da minha proposta, nao posso deixar de lamentar que ella nao fosse favoravelmente aco- lhida, porque tinha tudo combinado com o meu collega de maneira que os nossos delegados aproveitariam os resultados da experiencia adquirida, durante os primeiros rnezes, na in- íaiigfoam tos $ntoawrs. i-fül mm Mm \*2®SÍ9* 'Lí'íí.irí^.! aM wi wmm .oja de bebidas dos Indios—(Vide pag. 210 dos documentos) - '■¡-‘Pjl • r > '?'**v •>*• »• •.».» ’ ... • ¿s • 1 ívf M '■^Cfc .. \ ^Tffiíií -- ’■ i 121 strucQáo dos grupos de operarios federaes. A Inglaterra, cujo commissariado manteve sem- pre as melhores relagoes com o commissariado portuguez, e que tinha o seu servido bem or- ganisado, a Bélgica, da qual recebi os maiores favores, nao poderiam, de certo, e menos ainda os oulros paizes, auxiliar-nos como a Suissa na instrucQáo pratica do nosso pessoal. Devo acrescentar que sempre na esperanza de que fossem nomeados alguns directores de officinas do estado, e particulares, haviamos at- tendido ás suas especiaes circumstancias, tanto para os alojamientos, como para a subsistencia, estudos e visitas, de maneira que ninguem fica- ria maguado, e que todas as conveniencias se- riam respeitadas. Estas occupagoes nao me desviavam do servido do expediente, penosissimo, mas indispen- savel. Urna das seccoes mais trabalhosas, e de mais pesada responsabilidade, era a das contas. No dia 22 de junho, quasi dois mezes de- pois da inauguragáo, notando que a directo geral nao me dava noticia da despeza feita por 122 conta do commissariado, e recelando as conse- (juencias de urna conferencia tardía, pedí infor- magoes, para meu governo, requerendo que fos- sem completas, isto é, que abrangesseni todas as despezas feitas por intermediarios, ou em- preiteiros auclorisados, porque nao os conhe- cia, lendo sempre enviado ao director geral, ou aosseus subordinados, as requisicoes de quanto liavia sido necessario para a insiallaQáo. O meu officio ñcou sem resposta, e sómente no dia 26 de agosto, dois mezes depois, e sem referencia áquelle documento, recebi, com as datas de 14 e 16 do mesmo mez, dois officios da directo geral solicitando pagamento das quantias em divida. Estes officios, aos quaes dei mui positiva e peremptoria resposta, 'e ou- tros, que depois recebi, e que reunidos consti- tuem o documento n.°10, mostram que o servido da conlabilidade era táo desordenado como todos os outros, ou ainda mais irregular. Sai a custo da situacao difficil em que tal desordem me collocava, salvando a responsabilidade do paiz, e a minha responsabilidade pessoal, mas para conseguir este resultado durou a polémica alguns mezes, ficando concluidas as negocia- coes milito depois do cncerramenlo da exposi- cáo. Em 1871, estando en em Brnxellas, encar- , regado pela associagao promotora da industria fabril de alguns estudos praticos, visilei varios estabelecimentos, c nolei que os industriaos ma- nifeslavam desejos de entabolar negociares com o nosso paiz, cujas possessoes Ibes pode- riam fornecer maleriásprimeiras,abrindo-sena metropole novo mercado para os seus artefactos. D’aquellas tendencias dei noticia ao go- verno, que me auctorisou a cscolber productos, e acceitar collecgoes, para os museus technolo- gicos do estado. D’esta aucíorisacáo fiz o uso conveniente, organisando no museu technolo- gico do instituto industrial e commercial de Lisboa urna secgao, que de certo nao é a menos inleressante para o ensino que ao dito es- tabelecimento compete. De como fui n’este servido efficazmente auxiliado pelo governo belga, ao qual sou milito grato, completa prova se encontra na sua folha official (Moniteur belge) de 25 de noven)bro e i i de dezembro de 1871, 124 em noticias acerca das minhas diligencias, e na circular de 2 de dezembro do mesmo anno, pela qual o ministro do interior, mr. Kervyn de Lettenhoven, annunciou ás camaras de com- mercio a existencia de urna exposi§áo permanente em Lisboa, nos museus do estado, re- commendando que dessem ao aviso do Moniteur toda a necessaria publicidade. Aberto o exemplo, obtidos os primeiros resultados, sem encargo para o paiz, e com as evidentes vantagens de urna boa informagáo mercantil, e de um apreciavel ensinamento industrial, pareceu-me que deveria continuar em Vienna as minhas diligencias, aproveilando-me das relacóes que a minha posi§ao official faci- litava. Tendo esta conviccao, dirigi ao ex. m0 ministro das obras publicas, commercio e industria, com a data de 19 de setembro, um oñicio nos termos seguintes: M¡$g M mm m i ?m«y mn l«l mm lililí 14o successiva diligencia de lodos, aproveiiando cada um a experiencia d’aquclles que o prece- dcram. Cheguei depois, e aproveilei as conse- quencias do irabalho anterior. D’ahi a vanlagem consideravel que já o paiz obleve; d’abi os elementos para outros beneficios, que mais tarde seguramente seráo patentes, e chegaráo ao co- nhecimento de todos. Concluirei aqui, senlior, a parte administrativa do meu relatorio. A parle technica lia de necessariamcnte seguir, em divisoes e subdivi- sñcs, as divisoes e subdivisoes dos grupos, para que sirva de algum proveito, aos nossos indus- Iriaes, a noticia do que se expoz em Viennn. Convem todavia declarar que urna tal noticia nao será sufñcientemcnte efficaz, desacompa- nbada como fica de publicagoes periódicas, e outras, cuja falta muito sensivel eu sinceramente lamento. Nao temos urna gazeta, que se occupe de artes e officios. Nao possuimos um diccionario technologico. Faltam manuaes e livros elementares para a instrucgáo da classe industrial. Concede o governo subsidios a um periódico destinado á instrucgáo agrícola, e bem 40 146 liaja olio por osla sonsala resollido, porquo assim manlem o orgáo de pubücidade, que traz alguns lavradores mais esclarecidos ao fació do que se descobre e inventa nos dominios da agricultura. Se o mesmo fizer, com o fim de facilitar publicares que sejam de verdadeiro inte- resse para a industria, no seu progresso acbará compensado para o pequeño sacrificio a que for temporariamente obrigado. O governo de Vossa Mageslade fará o que llie parecer acertado, em relado a esle importantísimo assumpto, na certeza de que, por minha iniciativa, e por influencia da associa- gáo promotora da industria fabril, ludo está preparado para facilitar as publicares que a instruedo da classe industrial instantemente reclama: livros e periódicos, de todos os pai- zes, formando no museu urna pequeña biblio- llieca especial de artes e officios; gravuras e clichés que representam apparelhos, machinas, utensilios, recen teniente inventados; collecQoes de amostras de productos» da industria de varios povos; e sobre tudo islo, como principaes elementos para a continuado dos beneficios i 47 que devem resallar do urna inslrucgao proíissio- nal hem dirigida, as relajóos internacionaes establecidas de maneira que sendo o primeiro impulso devido á exposigao de Yicnna, conli- miaremos a receber publicagoes, graveras, e productos, cmquanlo nos convier, por este modo, enriquecer os nossos museus, e favorecer a edigáo de obras technicas. N’eslas paginas, senhor, deixo noticia dos actos que pratiquei, para dar cumprimento á honrosa missao que Vossa Magestade houve por bem confiar-me. Por feliz me darei se estes meas actos merecerem a regia approvacüo de Vossa Magestade, e se os resultados do meu trabalho trouxerem ao paiz algum ' . Deus guarde a preciosa vida de Vossa Magestade por muitos anuos. Lisboa, 31 de agoslo de 1874. O commissario regio. joayuim é'ienlifju.ei ffiiadefio da Sfiivriia. &- Í i.i ;:ti k ;» • ;'v]5v^.^i-^ívfiíií3 . •i ['¿b <$^* 9 , |¿fr& *• *V 5 *■ ,* : » : ^-. rv>; •’ $•«!$ T^/*r>#i ! " ,v/ ’}y." WWÍ*** \ fc . *£YiU l« v ,: t'MU 5 y> • ?¿-uniU;uMí; 1 *|n.^ - °> ..,/ & íi'f ji áfÍ3C VJlU »j¿- r vT-* '• •: .(} f-'v». i^-. v¿T"*í 1 '• ■* ¿ l . ií*j¡. ^ n üh:\ Y,’ úv,* C] rfT ■* .‘yrf *V ' # 9 H ínrjíoil ííjíí wtf^v iU, iw< -i^i‘, i ■ ivn:>> vjp. r( ^ - •iw^ív'.iítyn' r ígw.i» i >-..‘ii■ -i', ,v*r ^1 ., ¡i . 1 »»TJ u . 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O governo de Sua Magestade, com o fim de facilitar as relaces entre os industriaes de qualquer natu- reza, que quizerem concorrer a esta exposicao, e a commissáo imperial, julgou dever nomear commis- sario por parte de Portugal ao nosso cónsul em Vienna, o sr Eduardo Wiener, com quem se deverao entender directamente todos aquelles que quizerem mandar os productos da sua industria a este novo concurso do trabalho internacional. DirecQao geral do commercio e industria, em 13 de marco de 1872.=#. de Moraes Soares. 4 EXPOSICÁO UNIVERSAL DE 1873 EM YIEfflA PROGRAMMA I. No anno de 1873 celebrar-se-ha em Vienna, sob a alta protecgáo de Sua Magestade Imperial e Real Apostólica, urna expósito internacional, que tenha por objecto mostrar o estado actual da civilisacao moderna e da economía nacional de todos os povos, e favorecer o desenvolvimento d’ellas. Esta expósito será organisada no Prater, em edificios expressamente construidos; abrir-se-ha em 1 de maio de 1873, e será encerrada no dia 31 de Quebró do mesmo anno. II Os objectos expostos serao divididos em 26 grupos: Grupo l.°—Explorado de minas e raetallurgia. Grupo 2.°—Agricultura, horticultura, explorado e industria florestal. Grupo 3.°—Artes chimicas. Grupo 4.°— Substancias alimenticias, incluindo bebidas; tabaco, etc., como productos industriaes. Grupo 3.°—Industria das materias textis, obras de agulha, etc. Grupo 6.°— Industria do couro e do caoutchouc. Grupo 7.°— Industria dos metaes. Grupo 8.°—Manufacturas de madeira. Grupo 9.°— Vidraria e industria cerámica. 5 Grupo 10.°—Marroquins e quinquilherias diversas. Grupo 11.°—Industria do papel. Grupo 12.°—Artes graphicas e desenhos indus- triaes. Grupo 13.°—Machinas e material de transporte. Grupo i4.°—Instrumentos de precisáo e de medicina. Grupo lo. 0 —Instrumentos de música. Grupo 16.°—Exercito. Este grupo comprehende todos os objectos e dis- posigoes relativos ao armamento emuniciamento dos exercitos, e ao tratamento dos doentes e feridos per- tencentes ás torgas de térra e mar. Grupo 17.°— Marinha. Pertencem a este grupo os objectos que respeitam á navegagáo marítima e fluvial, á construcgao, armamento e equipamento dos navios, á construcgao de portos, aos pharoes, á organisagüo de soccorros para casos de naufragio, salva-vidas, boias, etc. Grupo 18.°—Engenheria civil, obras publicas e ar- chitectura. N’este grupo terá logar a exposigao dos desenhos, planos e modelos de construcgoes de estradas e de caminhos de ferro já executados ou em projecto, de aqueductos, de obras para desseccamento do solo, para o regimen das aguas correntes, para canalisagáo, canos de despejo, construcgao de casas para habita- ü cao e edificios públicos (palacio das cortes, theatros, hospitaes, prisóes, estabelecimentos de banhos públicos, lavadouros públicos); disposigóes interiores, taes como as que se referem á ventilagáo e aqueci- mento das habitagoes, etc. Grupo 19.°—Typos de casas de habitado ñas ci- dades e villas, disposigáo interna, decoragao, trastes. Grupo 20.°—Typos de habitagoes ruraes, sua dis- posigáo, utensilios, mobilia. N’estes dois grupos se deverá demonstrar de que modo os diíferentes povos entendem e interpretam as condigoes de habitagáo. Grupo 21.°—Industria nacional domestica. Este grupo é destinado a provar, que abundancia de preciosos motivos de arte encerram os productos da industria nacional domestica, taes como objectos de adorno e enfeites, louca de barro ordinario, teci- dos, mobilia, etc. Grupo 22.°—Exposigáo dos museus de bellas artes applicados á industria. O objecto d’este grupo é mostrar por que meios os museus modernos de bellas artes applicados á industria tendem a melhorar o gosto publico, a espa- ihar e generalisar a instrucgao artística. Grupo 23.°—Arte religiosa. N’este grupo será reunido tudo quanto produzem as artes industries para servigo do. culto divino. Grupo 24.°—Objectos de arte das epochas passa- 7 das expostos por amadores e colleccionadores. (Ex - posicáo dos amadores.) N’esta parte da exposigáo tem-se em vista fazer co- nhecidos os thesouros das eolleccoes particulares de objectos artísticos, que geralmente só sao accessi- veis a poucos, e inspirar ideas novas aos artistas industriaes. Grupo 25.°—Bellas artes. Este grupo só comprehenderá as obras de arte produzidas depois da segunda exposigáo de Londres de 1862. Grupo 26.°—Educagao, instrucgao e ensino. N’este grupo será comprehendido: a) ludo quanto tenha relagao com os cuidados que demandam a creagáo e educagao das creangas, o seu desenvolvimento physico e moral, desde o primeiro dia de existencia até irem para a escola; b ) Tudo quanto diga respeito á instrucgao primaria, á instrucgao e ás escolas desde a de instrucgao primaria até á professional e á universidade; c) Tudo quanto se refira ao ensino geral; produc- goes de litteratura, da imprensa periódica, das asso- ciagóes, das bibliothecas publicas; mappas graphicos e estatisticos, etc. III. Pela exposigáo comparativa das machinas, ap- parelhos, processos e methodos de trabalho ñas dif ferentes epochas, mostrar-se-ha o aperfeigoamento successivo das diversas invengoes, como, por exemplo, 8 os aperfeigoamentos por que tem passado a machina de coser, o tear, a telegraphia, a photographia, etc., etc. Por este modo far-se-ha um ensaio para apresentar um resumo da historia das invencoes; este ensaio deverá demonstrar por meio de exposigoes de machinas, e de productos feitos á máo, que, em certos casos, as machinas supprimiram a máo de obra, e n’ou- tros sustentam e até augmentam a producto do trabalho manual. IV. Pela exposigao de objectos análogos, mas provenientes de epochas differentes (tendo quanto pos- sivel a indicado dos pregos), bem como as amostras e modelos, mostrar-se-ha o augmento da torga productiva das diversas industrias, sua dependencia das alternativas do gosto, e a acgáo que sobre este exer- cem; assim como a sua importancia sob o aspecto da economía política ñas diferentes epochas. Assim esta parte da exposigao será um resumo da historia da 1 industria. V. A fim de se poder conhecer com clareza, n’uma vista de olhos retrospectiva, a influencia dassciencias nos progressos da industria, mostrar-se-ha o apro- veitamento dos residuos de materias animaes e vege- taes e o progressivo numero de applicagóes que váo tendo, expondo esses residuos e os productos d’el- les derivados, assim como os productos intermediarios, quando esta producgáo de novos valores for o resultado de invengóes e descobertas feitas de- 9 pois da primeira expósito universal de Londres em 1851. VI. A. historia dos presos formará outro ramo da exposigáo. Haverá um quadro comparativo, por quin- quennios, dos pregos dos objectos mais importantes dos principaes centros de producgáo, desde os tempos mais remotos, que for possivel, juntando-se a esses pregos amostras e specimens. VII. Para se poder fazer idéa da permutagao internacional dos productos, procurar-se-ha representar o commercio universal. Para este fim haverá urna exposigáo de collecgóes de amostras e de specimens dos portos de commercio mais importantes, indicando-se em cada amostra a sua proveniencia e extracgáo que téem, as quanti- dades importadas e exportadas, pregos, etc. Alem d’isso será indicado por meio de dados estatisticos e mappas o movimento da navega gao e do trafico de cada porto commercial durante os últimos dez annos. VIII. O pensamento precedentemente expresso de facilitar o estudo da exposigáo por meio de algaris- mos e mappas será realisado em todas as partes da exposigáo, a fim de fazer sobresaír por meio de dados ofíiciaes os progressos industriaes e económicos feitos pelos differentes estados depois da primeira exposigáo universal de Londres (1851). Por exemplo, apresentar-se-ha o estado comparativo das superficies consagradas á cultura, das quantidades de produc- 10 gües agrícolas annuaes, de seus presos, do valor da térra, da taxa do juro, dos caminhos de ferro, dos recenseamentos da populado, etc., tal qual foi verificado em cada urna das epochas das exposicoes uni- versaes posteriores (París 1855, Londres 1862, París 1867). Por esta forma se mostrará a forga productiva das diferentes nagoes no proprio espago, que a cada urna for destinado no palacio da exposigáo. Todos os dados relativos aos diferentes productos, que constituirem a exposigáo, taes como: nome do expositor, espeeificagao do objecto, prego (que o expositor tem a faculdade de declarar ou nao), estaño juntos aos productos expostos. Todos os demais es- elarecimentos, cuja publicagáo for solicitada pelo expositor, e que forem de interesse publico (historia e importancia do estabelecimento, seu successivo de- senvolvimento, producgáo annual e todos os esclare- cimentos que ñas exposigóes precedentes só eram insertas nos catálogos) seño juntos aos objectos respectivos em caribes escriptos ou impressos. IX. A fim de tornar mais efficaz o carácter principal da instrucgáo, que distingue a exposigáo, far-se- hao ensaios de processos novos ou pouco conhecidos aínda. Seño submettidos a experiencias os objectos, cujo valor se nao poder verificar de outro modo; por exemplo, experiencias concernentes á producgáo vinícola (aquecimento do vinho, applicagáo do aque-ex- tractor, etc.); ensaios de instrumentos de todas as es- 11 pecies, da applicagáo da luz eléctrica, da applicagáo do baláo preso, ensaios de charrúas de vapor, de transmissóes telodynamicas, locomotivas, bombas de incendio movidas por vapor, etc., etc. Haverá conferencias ácerca d’estes objectos n’uma sala especial da exposigáo. Finalmente abrir-se-háo opportunamente concursos internacionaes, por exemplo: ácerca dos melhores instrumentos para a cultura da beterraba para assucar, etc. X. Os productos seguintes constituiráo exposigoes internacionaes temporarias, isto é, que, pela propria natureza dos productos, só podem ter certa duragáo: Animaes vivos (cavados, bois, carneiros, porcos, caes, gatos, aves domesticas, caga miuda, peixes, etc., etc.); Lacticinios; Aves cevadas, caga de veagáo, carnes, gorduras, etc.; Productos horticulos, fructas verdes, hortaligas, flores, etc.; Plantas vivas nocivas á agricultura e ás matas. Far-se-háo ensaios dinamometricos para conhecer a forga de tracgáo dos animaes. Durante a exposigáo de cavados de luxo, haverá corridas internacionaes, para as quaes seráo destinados premios. Organisar-se-háo outros divertimentos, taescomo: regatas, jogos nacionaes, etc. 12 Certas exposigóes temporarias darao ensejo a en- saios praticos combinados com discussóes sobre questoes relativas a objectos expostos. D’este modo a exposigáo dos lacticinios dará logar a experiencias ácerca do fabrico da manteiga e do queijo, etc. Para que o publico possa apreciar as substancias alimenticias exposlas, construir-se-háo pavilhoes para provas, onde cada expositor poderá vender speci- mens dos seus productos, mesmo cozinhados ali. XI. Durante a exposigáo, organisar-se-háo con- gressos internacionaes e conferencias, para discutir as questoes importantes que resultarem da propria exposigáo, ou que se levantarem como themas espe- ciaes da discussáo internacional. Haverá tambem congressos internacionaes de sabios e de artistas, de pedagogos, de médicos, de representantes dos museus de bellas artes applicados á industria, de professores de desenho, de architectos, de engenheiros, de representantes das camaras de commercio, de economistas, para as questoes bancadas e sobre seguros, de agricultores e cultores florestaes, de engenheiros de minas, etc. Entre outras deveráo ser submettidas ás discussóes as questoes seguintes: Propriedade intellectual, aperfeigoamento do gosto publico, propagagáo e desenvolvimento do ensino de desenho industrial, aperfeigoamento de tudo quanto diz respeito a transportes, modo de obter o melhor 13 effeito útil das machinas, propagado e desenvolvi- mento da estatistica florestal, reducto dos pregos dos géneros alimenticios (pelo augmento da producto, pela melhor organisagáo dos mercados, pela reforma da cozinha, por novos methodos de conserva- gao); alimentagáo e primeira educagáo das creangas; hygiene pedagógica e orthopedia; instrucgiío da mu- lher e melhoramento das suas condicoes de existencia. XII. A divisao do espago, concedido a cada com- missáo estrangeira para expor os productos da sua nagáo, será geographica, isto é, far-se-ha por paizes, de modo que os differentes territorios de producgáo sejam agrupados, quanto possivel, pela mesma ordem em que estáo situados no globo, seguindo a direcgao de oeste para leste. XIII. Emquanto aos objectos que podem ser clas- sificados nos diversos grupos indicados no artigo 2.°, tem o expositor a faculdade de designar o grupo onde deseja ver figurar o seus productos. XIV. Instituir-se-ha um jury internacional encar- regado de votar os premios. Cada expositor deverá declarar se quer ou nao submetter os seus productos ao julgamento do jury. No ultimo caso os objectos expostos traráo este letrciro—fóra do concurso. Os premios que háo de ser adjudicados pelo jury internacional sao divididos pelo modo seguinte: A Para as bellas artes consistirá o premio n’uma medalha para a arte . 14 B Para os outros objectos da exposicáo os premios seráo os seguintes: a) Os expositores que tiverem tomado parte em exposicoes universaes anteriores, receberáo em recompensa dos progressos que se verificarem nos seus productos, depois da ultima exposicáo, a que hajam concorrido, medalha de progresso; b) Os expositores, que pela primeira vez enviarem os seus productos a urna exposicáo universal, receberáo em premio do merecimento que Ibes for reco- nhecido sob o aspecto económico ou sob o aspecto technico, a medalha de mérito; c ) Todos os expositores, cujos productos preen- cherem todas as condicoes do melhor gosto, tanto em relacáo á cor como á forma, teráo demais direito á medalha de bom gosto; finalmente d) Seráo conferidos diplomas de mérito análogos ás meneóles honrosas concedidas ñas exposicoes precedentes. C Os cooperadores a quem, segundo constar das indicacoes e esclarecimentos dados pelos expositores, couber urna parte notavel do mérito do producto, seráo recompensados com a medalha de cooperacáo. D Os individuos ou cooperares que se tiverem tornado notaveis pela propagacáo da edueacáo do povo e pelo desenvolvimento da industria e da economía nacional, ou pela sua solicitude particular pela prosperidade intellectual, moral e material das classes 15 operarias, seráo premiados com diplomas de honra especiaes. XV. Os pormenores relativos á organisagao da ex- posigáo, a composigáo e as operagoes do jury, o sys- tema do catalogo, os relatorios, etc., etc., formarán o assumpto do regulamento geral e de regulamentos especiaes. Vienna, 16 de setembro de 1871.=O presidente da commissáo imperial, Archiduque Regnier =O director geral, Bardo de Shwarz-Senborn. GRUPO l.° Explorado de minas e metallurgia a) Combustiveis mineraes (hulha, betume, alca- tráo, oleos mineraes); b) Minerios e metaes; c) Mineraes nao comprehendidos nas classificagoes precedentes (sal, enxofre em bruto, graphite, etc.), á excepgáo dos materiaes de construcgáo (18.° grupo); d) Ligas em bruto; e) Modelos e desenbos do material para explora- gao de minas, e de officinas metallurgicas, planos de minas etc.; 16 f) Obras de geología, e cartas geológicas, etc.; g) Material e processos da explorado de minas, e das officinas, e das explorares a céu aberto; h) Estatistica de producto. GRUPO 2.° Agricultura, horticultura, expíoragao e industria florestal a) Substancias alimenticias, e plantas medicinaes, á excepgao de hortalizas e fructas verdes, que consti- tuem o objecto de exposigoes temporarias; b ) Tabaco cru e outras plantas narcóticas; c) Materias textis vegetaes (algodáo, linho, canha- mo, pita, etc.) e outras plantas, a que se dá emprego similhante; d) Gasulo de bicho de seda; e ) Productos animaes em bruto (pelles, pennas, pello, crinas, etc.); f) Las; g ) Productos de explorado florestal (madeiras empregadas como materiaes, materias para cortume e materias colorantes, resinas, carváo de madeira, isca de agárico, etc.); h) Turfa e corpos derivados; *) Estrumes e materias fertilisantes; k) Desenhos e modelos de objectos de explorado rural e florestal, cartas agronómicas e florestaes; l) Trabalhos acerca do estabelecimento de ensaios 17 agrícolas, cadastro rural e florestal, estatistica florestal, etc.; m) Material e processos relativos á producto, transporte e armazenagem dos productos acima mencionados; n) Material de horticultura. Planos, desenhos c modelos, objectos de ornamentagao dos jardins em desenhos e modelos, estufas, irrigagoes, etc.; o) Specimens de estabelecimentos de horticultura; p ) Estatistica da producto. (Yide exposigoes temporarias 4.) GRUPO 3.° Artes chimicas a) Productos chimicos empregados na industria e na pharmacia (ácidos, álcalis, saes de todas as quali- dades, productos diversos); b) Productos pharmaceuticos, aguas mineraes, etc.; c) Corpos gordurosos e seus productos (stearina, acido oleico, glycerina, sabáo, velas, etc.); d) Productos da distillagáo secca (petróleo refinado, essencia de schisto, parafma, acido phenico, ben- zina, anilina, etc.); e) Oleos essenciaes e perfumados, varias especies de perfumarías; f) Mechas, iscas, palitos phosphoricos, etc.; 18 g ) Substancias tintureiras de origem mineral e de origem orgánica; h) Resinas lavadas, tintas e branqueadas, lacre, verniz, albúmina, gomma de peixe, collas diversas, amido, destrina, etc.; t) Material e processos das industrias chimicas; k) Estatistica da producto. GRUPO 4.° Substancias alimenticias, incluindo bebidas, tabaco, como productos industriaes a) Farinha e productos farináceos, malí e productos de malt; b ) Assucar, xaropes, etc.; c ) Bebidas espirituosas, licores, etc.; d) Vinhos; e) Cervejas; f) Vinagres; g) Conservas alimenticias (extractos de carnes, pastilhas para fazer caldo, leite de conserva, carnes, hortalizas e legumes de conserva); h) Tabaco e productos análogos; t) Productos de confeitaria e pastelaria, bolos de especie, chocolates, etc.; k) Material e processos relativos ao fabrico dos productos acima mencionados. /) Estatistica da producto. 19 GRUPO 5.° Industria das materias textis, obras de agulba, etc. á) Las lavadas, pellos de animaes (pello de camello, de cabra, etc.), fio e tecidos de 13 e pellos cardados, fio e tecidos de la e pellos assedados (comprehen- dendo os feltros para chapéus, méselas e chales de la); b ) Algodao e materias para o substituir, fios e tecidos de algodao, fitas e galoes de algodao; c) Linho, eanhamo, juta e outras fibras vegetaes textis; linha, tecidos e trancas; estofos de palha, de cabello, de junco, etc.; cordoaria; d ) Seda crua, barbillio e borra da seda; fio e tecidos de seda, fitas, galoes, etc.; e ) Passemaneria, tecidos de fio de oiro e deprata, brocados, tissús e bordados; f) Rendas, filos, etc.; g) Meias, barretes, camisolas e outras obras de ponto de meia (apisoados e nao apisoados); h) Vestuario dos dois sexos (casacos, chapéus, barretes, calcado, luvas, roupa branca, lavores, etc.); i) Obras de tapegaria (movéis estofados, objectos pertencentes ás camas de dormir, etc.; k ) Flores artificiaes, plumas, etc.; l ) Material e processos empregados no fabrico dos productos acima mencionados; m) Estatistica da produegao. 20 GRUPO 6.° Industria do couro e do caoutchouc a) Couros e objectos de couro (manufacturas de correeiro, selleiro, etc.), á excepgao dos objectos para vestuario e marroquins; pergaminho (animal) e tripa preparada; b) Pelleterias e pellicas; c) Objectos de caoutchouc e de gutta-percha, á excepgao de instrumentos scientificos, e pegas destacadas de machinas; oleados, encerados, pannos im- permeaveis, etc.; d ) Material e processos empregados no fabrico dos objectos acima indicados; e ) Estatistica da producgao. GRUPO 7.° Industria dos metaes á) Objectos de oiro e prata, joaltieria, ourivesaria. b ) Objectos de ferro e de ago, exceptuando machinas, partes de construcgoes, instrumentos scientificos e instrumentos de música; • c) Objectos feitos de outros metaes e ligas; d) Armas de todas as qualidades, exceptuando as de guerra; •e) Material e processos empregados no fabrico dos objectos acima indicados; f) Estatistica da producgao. 21 GRUPO 8.° Manufacturas de madeira a) Obra de carpintería e de ensambladura (sobrados, assoalhados de xadrez, caixilhos, portas, etc.); b) Fabrico de movéis, marceneria; c) Obra de tanoeiro (toneis, barris, aduellas, arcos); d) Madeira para mechas e productos correlativos; e ) Obra folheteada, obra de embutidos, tauxia; f) Objectos de madeira torneada, guilloché e en- talhada; g) Esculptura em madeira; h) Manufacturas de cortina; i) Obra de cesteiro; k) Productos das artes de pintar, tingir e dourar objectos de madeira; l) Material *e processos empregados na industria da madeira; m) Estatistica da producto. GRUPO 9.° Artefactos de pedra, vidraria e industria cerámica a) Objectos de pedra, ardosia e cimentos (tubos, pedras de afiar, moz, objectos de marmore verdadero e artificial, objectos de ornato, labrilho, etc.); b ) Porcelana, faianga e louga de outras qualida- 22 des, térras codas (tubos, servidos caseiros, pegas de ornato, fogóes, etc.); c) Crystaes, vidros de luxo e vidraga (vidro e vidro verde, vidro em chapas, espelhos e imitagóes de pe- dras preciosas, peroias, esmaltes, etc.); d ) Material e processos relativos ao fabrico dos objectos acima mencionados; e) Estatistica de producgáo. GRUPO 10.° Marroquim e quinquilherias diversas a) Objedos de espuma do mar, de marfim, ma- dreperola, nacar, barba de baleia, de cera e de lacre ; b) Objectos de marroquim, bainhas, estojos, obje- clos de phantasia feitos de couro, de bronze, etc.: c) Bengalas, chicotes, chapéus de chuva, para ho- mem e para mulher, leques, etc. d ) Pentes, escovas, vassouras, pinceis e outros objedos correlativos; í?) Bonecas e outros brincos para creangas, etc.; f) Material e processos concernentes ao fabrico dos objectos acima nomeados; g) Estatistica da producgáo. 23 GRUPO 11.° Industria do papel a) Pastas, papellao, papel; b) Papéis de phantasia, papéis pintados, cartas de jogar, etc.; c ) Papier-maché , papel para obras de cartáo, etc.; d) Objectos para servido de escriptorios, material das artes, instrumentos e apparelhos para uso dos pintores e dos desenhadores; e) Encadernacóes, objectos feitos de papel e de cartao, etc.; f) Material e processos do fabrico dos objectos acima indicados; g) Estatistica da produccao. GRUPO 12.° Artes graplncas e desenhos industriaes a) Typographia; b) Gravura em madeira; c ) Gravura em metal (cobre, ago, etc.); d ) Lithographia, autographia, chromographia; é) Photographia e impressoes photographicas; f) Obras de gravura e de guülochis; g) Desenhos industriaes, desenhos e pinturas de ornato, etc.; h) Material, instrumentos e apparelhos; i) Estatistica de producgáo. 24 GRUPO 13.° Machinas, material de transporte a) Motores (machinas de vapor, caldeiras, turbinas, rodas hydraulicas, machinas de columna de agua, de ar quente, motores electro-magneticos, moinhos de vento, machinas de gaz); b ) Apparelhos de transmissao, cadernaes, etc.; c ) Utensilios (instrumentos para a exploragáo das minas e ofíicinas); utensilios para trabalhar em metal e em madeira; utensilios destinados á preparagao, fiagao e tecelagem das materias textis, teares para tecidos de malha, machinas de cozer, de fazer meias, defazer rendas, de bordar; machinas de apisoar, frisar o panno, de torcer, centrifugas; machinas que servem para tingir, branquear e preparar couro; machinas de fabricar papel; instrumentos de.encaderna- dor, machinas para fundigao do typo; utensilios empregados na typographia, lithographia, na im- pressao em talhe doce, na chromo-lithographia, etc.; machinas e apparelhos empregados ñas fabricas de as- sucar, de oleos, de eerveja e de distillagao; utensilios para o fabrico da stearina, de sabáo e de velas, de gom- ma, de gélo, de mechas; utensilios especiaes para diversas industrias; moinhos, machinas agrícolas, etc.); d) Outras machinas aínda nao mencionadas (bombas, bombas para acudir a incendios, folies, ventiladores, etc.); e) Pegas destacadas de machinas; f) Material de transporte nos caminhos de ferro (locomotivas), tenders e pegas destacadas, vagoes e pegas destacadas; draisiennes, lowries , machinas es- peciaes e utensilios das officinas destinadas á conser- vagao, concertos e construcgáo do material; guardacapas, etc,; g) Manómetros, dynamometros, etc.; h) Carros e carrogas; i) Estatistica da producgao. GRUPO 14.° Instrumentos de precisao e de medicina a) Instrumentos de mathematica, de geometría pratica, de astronomía, de physica e de chimica (ap- parelhos e instrumentos de medir, pesar e dividir, instrumentos e apparelhos de agrimensura, de geodesia, de telegraphia eléctrica e óptica, etc., etc.); b) Apparelhos e instrumentos cirurgicos, apparelhos de prothese plástica e mechanica, etc.); c) Relojoaria (chronometros, chronoscopos, chro- nographos, relogios eléctricos); d) Estatistica da producgao. 26 GRUPO 15.° Instrumentos de músicas «) Instrumentos de música; b) Pegas destacadas de todas as qualidades (cordas, teclas, etc.); c) Apparelhos acústicos (signaes acústicos, etc.); d) Gampainhas, sinos e carrilhóes, etc.; e) Estatistica da producgáo. GRUPO 16.° Exercitos a) Organisagao e aperfeigoamento dos exercitos. b) Municiamento, fardamento e armamento das tropas; c) Artilheria; d ) Engenheria militar; e) Soccorrosaos feridos e doentes do exercito e da armada; f) Educagao militar, ensino e instrucgáo; g) Cartographia e historiographia. GRUPO 17.° Marinha a) Material para construcgoes navaes; b) Typos e modelos de barcos e de navios empre- 27 gados na navegado fluvial e maritima, e nos lagos e canaes, navios de cabotagem, vasos de guerra, objec- tos de equipamento e de armamento e aprestos; c) Instrumentos e apparelhos empregados ñas contrucgóes navaes; d) Fardamento e equipamento da tripulagao; e) Construcgoes diversas que dizem respeito á na- vegagáo (pharoes, docas e portos artificiaes, fortifica- gao das costas, etc.); f) Hydrographia (cartas marítimas, instrumentos náuticos e meteorológicos, material e processos de ensino). GRUPO 18.° Engenheria civil, obras publicas e architectura a) Materiaes de construcgao de origem mineral, ' material e processos para a sua producgao; apparelhos e instrumentos para ensaiar esses materiaes, vigas e armagoes de ferro e outras pegas metallicas de construcgao; material e processos empregados para a conservagáo da madeira; b) Material e processos para a construcgao de ali- cerces (macacos para bater estacas, estacas de rosca, apparelhos pneumáticos, caixoes, etc.); c) Material e processos dos trabalhos de aterro e desaterró (instrumentos de excavagáo, drogas, material para transporte de térras, etc.); d) Material e processos para construcgao de estra- 28 das e vías férreas (galgas, mudanzas e cruzamentos de vias, carros de transporte, plataformas rotatorias, planos inclinados e automotores; caminhos de ferro atmosphericos, outros systemas de tracgáo, appare- lhos para o fornecimento de agua, construcgoes de todas as especies empregadas na explorado dos caminhos de ferro, signaes, etc.); e) Obras hydraulicas, á excepQáo de construcgoes marítimas (comportas, obras para aregularisacáo das correntes, obras de canaes, etc.); f) Modelos, planos e desenhos de obras publicas, pontes, viaductos, aqueductos, etc.; g ) Planos, modelóse desenhos de monumentos públicos com destino especial (casas de habitado, pri- soes, hospitaes, escolas, theatros); apparelhos destinados a elevar e transportar os materiaes de construc- cao mais volumosos (machinas hydraulicas, guindastes etc.); planos e modelos de casas baratas (bairros de operarios); instrumentos e processos relativos aos officios mechanicos que dizem respeito a construc- Qoes; h) Material e apparelhos que téem por objecto as eommodidades e a conservado da saude dos habitantes (illuminagáo, ventilado, systemas de toda a especie 1 para aquecer casas, aqueductos, water-closets, canos de despejo, pára-raios, etc.); i) Processos de engenheria agrícola; cultura, sa- neamento, drenagens, irrigado, planos e modelos de 29 construcgoes ruraes (granjas, silos, cavallarigas, esta- bulos, curraes, etc.); k ) Planos, modelos e typos de estabelecimentos in- dustriaes (moinhos, fabricas de distillagáo, de refina- Qáo de assucar de serragao, de cerveja, armazens de deposito, etc.); GRUPO 19.° Typos de casas de habitado ñas cidades e villas, sua disposigáo interior, decoragao e mobilia a) Desenhos e modelos, specimens de habitagoes burguezas dos povos civilisados; b ) Aposentos completamente mobilados. GRUPO 20.° Typos de habitares ruraes, sua disposi^ao, utensilios e mobilia a) Desenhos, modelos e specimens de casas ruraes de differentes paizes; b ) HabitaQoes para homens de campo, completamente mobiladas e guarnecidas dos competentes utensilios. GRUPO 21.° Industria domestica nacional a) Louca de barro ordinario; b) Tecidos, bordados, rendas e outras obras de agulha; 30 c ) Enfeites de metal; d) Mobilia e utensilios diversos. GRUPO 22.° Representado da influencia dos museus de bellas artes applicados á industria a) Representado dos meios pelos quaes estes institutos modernos das bellas artes applicados á industria (como o museu South Kensington em Londres, e outros similhantes emVienna, Berlim, Lyon, Mos- cow, etc., etc.), concorrem para elevar o gosto publico e para propagar o gosto do bello; b) Exposigoes das obras produzidas e propagadas por estes museus. GRUPO 23.° Obras de arte pertencentes aos cultos religiosos a) Decorares de igreja (pinturas para paredes, vi- draga pintada, etc.); b ) Objectos empregados ñas igrejas, altares, pulpitos, orgaos, assentos coraes e bancos, armarios, etc.); c ) Armagoes e guarnigoes de altares (crucifixos, cálices, custodias, castigaes, frontaes, doceis, pallios, guioes, etc.); d ) Objectos que servem para baptisados, enterros, etc. 3i GRUPO 24.° Objectos de arte das epochas passadas expostos por amadores e colaboradores (exposigáo dos amadores) a) Pinturas de mestres das escolas antigas; b ) Objectos de arte de todos os géneros (manufacturas de bronze, pinturas de esmalte, de barro pintado, miniaturas, objectos de porcelana, faianga, etc.); GRUPO 25.° Bellas artes. Obras executadas depois da exposigao universal de Londres em 1862 a) Architectura, modelos, planos e desenhos das obras de architectura do tempo moderno, inclusive as restaurares, projectos de edificios, esculptura de relevo inteiro, alto e baixo relevo; b ) Medalhas em relevo e cavadas, camafeus, pedras gravadas ; c) Pintura a oleo, miniatura e pintura em esmalte, aguarellas e desenhos, etc. d) Gravuras em talhe doce, gravuras de agua forte, gravuras de madeira, etc. GRUPO 26.° Educagao, ensino e instrucgao a) Educagao: Representada por tudo quanto se refere á educagao da infancia, ao seu desenvolvimento> 32 physico e moral, desde os primeiros dias da existencia até ao ir á escola (alimentagáo das créanlas, créches, jardins de recreio, brincos e jogos proprios para meninos, apparelhos de gvmnastica, etc.). b ) Ensino: Representado por typos, modelos e desenhos de edificios e mobilia para para escolas, pelo material de ensino, pelas obras e publicagoes periódicas relativas ao ensino publico, pelas des- cripgóes e illustragóes dos methodos de ensino, pela historia e estatistica das escolas, pela sua organisagáo e regulamentos. a) Escola de instrucgáo primaria, (comprehenden- do sob esta designagáo o material para o ensino dos cegos, dos surdos mudos e dos idiotas); b) Escolas secundarias (lyceus, escolas industriaes e professionaes, etc.); c ) Escolas, artes e ofíicios, escolas commerciaes, e escolas normaes centraes, escolas de pontes e calcadas); d ) Universidades; é) Instrucgáo no sentido mais restricto; formagáo do adulto por meio das producgbes litterarias, das publicagoes periódicas uteis em geral, das bibliothe- cas particulares e publicas, por meio das sociedades a associagóes que tenham por fim o complemento da instrucgáo do povo. 33 Os instrumentos de trabalho, nao obstante estarem classificados na grupo 13.° seráo julgados pelo jury do grupo da profissao a que pertencerem, coadjuva- do por engenheiros méchameos e fabricantes de machinas. Pelo que diz respeito aos objectos que possam ser classificados em grupos diversos, o expositor tem a faculdade de indicar o grupo, em que deseja ver figurar os seus productos. Exposigoes addicionaes •1. Historia das inventes; 2. Historia da industria; 3. Instrumentos músicos de Cremona; 4. Ulilisagáo dos miudos e despojos dos animaes. Expósito das materias brutas e dos seus productos empregados desde a expósito de Londres de 1851; 5. Historia das presos; 0. Commercio universal, representado por dados estatisticos e por amostras de specimens de materias primas, de merendonas com indicacáo dos presos. Exposigoes temporarias 1. Animaes vivos (cavallos, gado grosso, ovelhas, porcos, caes, gatos, aves domesticas, ca^a, peixes, etc.); 3 34 2. Ave engordadas, caca de veagao, carnes, gorduras, etc.; 3. Lacticinios; 4. Productos da horticultura (hortalizas e fructas verdes, plantas, etc.); 5. Plantas vivas nocivas á agricultura e ás matas. (Serdo publicados regulamenlos especiaes para estas exposicoes.) Yienna, 16 de setembro de 1871.= O presidente da commissao imperial, Archiduque Regnier= O director geral, Bardo de Schtcarz-Senborn. Muito alto e muito poderoso Principe e Senhor Ü. Fernando II, Rei de Portugal, Duque de Saxonia Coburgo Gotha, Marechal General, meu muito pre- zado e querido pae: Eu D. Luizl, por gragadeDeus, Rei de Portugal e dos Algarves, etc., envió muito saudar a Yossa Magestade, como áquelle que sobre todos amo e prezo. Ilavendo de realisar-se em Yienna de Austria, no futuro anno de 1873, urna exposigao universal, á qual deverao concorrer os productos da industria portugueza; e desejando eu nao só proporcionar a Yossa Magestade mais urna occasiáo de patentear o interesse que a Yossa Magestade háo constantemente merecido as industrias e artes d’este reino, mastam- 35 bem dar a maior importancia e lustre á realisag;ao de um acto de que tantas vantagens podem resultar para este paiz: hei por bem e me apraz convidar a Yossa Magestade para presidir á commissao central directora dos trabalhos preparatorios para a expósito universal que ha de abrir-se em Yienna d’Austria, no mez de maio de 1873, creada por decreto d’esta data. Muito alto e muito poderoso Principe e Senhor 1). Fernando II, Rei de Portugal, Duque de Saxonia Coburgo Gotha, Marechal General, meu muito amado, prezado e querido pae, Nosso Senhor haja a augusta pessoa de Vossa Magestade em sua continua guarda. Pago, aos 7 de setembro de 1872. — De Vossa Magestade bom filho, irmao e amigo — Luiz.= Antonio Cardoso Avelino. Honrado marquez d’Avila e de Bolama, do ( meu conselho e do d’estado, par do reino, ministro e secretario d’estado honorario, amigo: Eu El-Rei vos envió muito saudar como aquelle que amo e prezo. Tomando em considerado os vossos distinctos me- recimentos, hei por bem nomear-vos, como por esta minha carta regia vos nomeio, para, na ausencia de Sua Magestade El-Rei o Senhor D. Fernando II, meu augusto pae, desempenhardes o logar de presidente 36 da commissao central directora dos trabalhos preparatorios para a exposigáo universal que ha de abrirse em Vienna de Austria no mez de maio de 1873, creada por decreto da data de hoje. E confio de vossa muita illustragáo e reconliecido zélo pelo servio publico, que haveis de desempenhar este cargo com a proficiencia de que tendes dado incontestaveis provas. O que me pareceu communicar-vos para vosso co- nhecimento e devidos effeitos. Dada no paco, aos 7 de setembro de 1872.= El- Rei.= Antonio Cardoso Avelino. Para o honrado marquez de Avila e de Bolama, do meu conselho e do d’estado, par do reino, ministro e secretario d’estado honorario. Sendo da maior conveniencia que os productos de todas as nossas industrias sejam devidamente representados na exposicáo universal, que ha de inaugu- rar-se em Vienna de Austria no mez de maio de 1873; e considerando que é de necessidade urgente regular os trabalhos preparatorios, que demanda a selecto e expedito dos productos das nossas industrias, que tenham de concorrer á referida expósito ; hei por bem decretar o seguinte: Artigo l.° É creada em Lisboa urna commissao 37 central directora dos trabalhos preparatorios para a exposigáo universal que ha de abrir-se em Vienna de Austria no anno de 1873, na parte relativa á sec- gáo destinada n’aquelle concurso prra a expósito de Portugal. Art. 2.° Esta commissao tem a seu cargo organi- sar os necessarios programmas, regular a forma de admissáo dos productos, fazer a selecto dos que de- verem ser remettidos á exposicáo, coordenar o catalogo dos mesmos productos e propor ao governo as medidas que julgar convenientes para os effeitos indicados. Art. 3.° Disposicóes especiaes regularao a constituido da mesa. Art. 4.° Os governadores civis do reino e ilhas adjacentes organisarao nos seus districtos urna ou mais commissoes filiaes, que coadjuvem a commissao central de Lisboa nos trabalhos que por este decreto Ihe sao incumbidos. Art. 5.° Serao vogaes da commissao os individuos constantes da relado que faz parte d’este decreto, e com elle baixa assignada pelo ministro e secretario d’estado das obras publicas, commercio e industria. O presidente do conselho de ministros e os ministros e secretarios d’estado de todas as repartidas assim o tenham entendido e fa^am executar. Pago, em 7 de setembro de 1872.= Rei.= Antonio María de Fonles Pereira de Mello — Antonio Rodrigues 38 Sampaio = Augusto Cesar Bar joña de Freitas— Jayme Constantino de Freitas Moniz — Jodo de Án~ drade Corvo=Antonio Cardoso Avelino. RELACAO DOS VOGAES DA COMMISSAO CENTRAL DE LISBOA PARA A EXPOSICAO UNIVERSAL DE VIENNA DE AUSTRIA, CREADA POR DECRETO DA DATA DE HOJE Conselheiro Rodrigo de Moraes Soares, director geral do cominercio e industria no ministerio das obras publicas. Gonselbeiro José de Mello Gouveia, ministro d’es- tado honorario, chefe da repartido de agricultura no ministerio das obras publicas. Conselheiro Ernesto de Faria, administrador ge- ral das matas do reino. Conselheiro Anselmo José Braamcamp, ministro d’estado honorario. Márquez de Ficalho, vogal do conselho geral do commercio, industria e agricultura. Visconde de Carnide, idem. Geraldo José Braamcamp, idem. Ayres de Sá Nogueira, idem. Esteváo Antonio de Oliveira Júnior, idem. Conde de Ficalho, director do instituto geral de agricultura. 39 Joáo Ignacio Ferreira Lapa, professor do instituto geral de agricultura. Olympio de Sampaio Leite, segundo official, chefe de secgáo no ministerio das obras publicas. Conselheiro Joáo Palha de Faria Lacerda, chefe da repartido do commercio e industria no ministerio das obras publicas. Conselheiro Joaquim Henriques Fradesso da Sil- veira, presidente do conselho administrativo da asso- ciacáo promotora da industria fabril. Antonio Augusto de Aguiar, director do instituto industrial e commercial de Lisboa. Conselheiro Firmo Augusto Pereira Maréeos, administrador da imprensa nacional. José Ribeiro da Cunha, presidente da assembléa geral da associagáo commercial de Lisboa. Conselheiro Carlos Ferreira dos Santos e Silva, negociante, vogal do conselho geral do commercio, industria e agricultura. Visconde de Azaruginha, negociante e industrial. José Ferreira Pinto Basto, vogal do conselho ge- ral do commercio, industria e agricultura. Pedro Daupias, negociante e industrial. Flamiano José Lopes Ferreira dos Anjos, idem. Polycarpo José Lopes dos Anjos, idem. Joáo Gomes Roldan, idem. Antonio José Rodrigues Leitáo, idem. 40 Antonio Diogo da Silva, negociante e industrial. Joaquim Moreira Marques, idem. Daniel Cordeiro Feio, industrial. Esteváo de Sousa, idem. José Pedro Collares Júnior, idem. Francisco Augusto Florido da Moita e Vasconcelos, segundo official, chefe de secgáo no ministerio das obras publicas. Francisco Antonio de Vasconcellos, idem. Filippe Folque, conselheiro d’estado, director ge- ral dos trabalhos geodésicos, topographicos, hydro- graphicos do reino. Francisco Antonio Pereira da Costa, director interino da escola polytechnica de Lisboa. José Vicente Barbosa du Bocage, professor da escola polytechnica. Carlos Ribeiro, vogal da junta consultiva de obras publicas. Joao Baptista Schiappa de Azevedo, chefe da repar- tigáo de minas no ministerio das obras publicas. Joao Ferreira Braga, engenheiro de minas. Visconde da Praia Grande deMacau, ministro d’estado honorario, director geral da marinha. Conde de Linhares, vogal da junta consultiva de marinha. Carlos Testa, professor da escola naval. Conselheiro José Joaquim da Silva Guardado, vogal addido á junta consultiva do ultramar. 41 Conselheiro Antonio María Barreiros Arrobas» idem. Antonio Julio de Castro Pinto de MagaMes, secretario do extincto conselho ultramarino. Conselheiro Francisco Joaquina da Costa e Silva, secretario graduado do extincto conselho ultramarino. Conselheiro Francisco de Oliveira Chamigo, gover- nador do banco ultramarino. Agostinho Vicente Lourengo, professor da escola polytechnica de Lisboa. Antonio José de Seixas, negociante. Márquez de Sousa Holstein, vice-inspector da academia das bellas artes de Lisboa. Visconde de Menezes. Francisco de Assis Rodrigues, professor de academia das bellas artes de Lisboa. Víctor Bastos, idem. Joaquim Pedro de Sousa, idem. Joaquim Possidonio Narciso da Silva, architecto da casa real. Pago, em 7 de setembro de 1872 .= Antonio Car - doso Avelino. Attendendo ao merecimento e mais circumstancias que concorrem na pessoa do conselheiro Rodrigo de Moraes Soares, director geral do commercio e indus- tria: hei por bem nomea-lo vice-presidente da com- missáo central directora dos trabalhos preparatorios para a exposigáo universal de Yienna de Austria, creada por decreto d’esta data de hoje. O ministro e secretario d’estado dos negocios das obras publicas, commercio e industria assim o tenha entendido e faca executar. Pago, em 7 de setembro de 1872.= Reí. —Antonio Cardoso Avelino. Attendendo ao merecimento e mais circumstancias que concorrem na pessoa do conselheiro Joáo Palha de Faria Lacerda, chefe da repartigao do commercio e industria: hei por bem nomea-lo secretario da com- missáo central directora dos trabalhos preparatorios para a exposigáo universal de Yienna de Austria, creada por decreto da data de hoje. O ministro e secretario d’estado dos negocios das obras publicas, commercio e industria assim o tenha entendido e faga executar. Pago, em 7 de setembro de 1872.= Reí .=Antonio Cardoso Avelino. A commissáo nomeada por decreto de 7 do corrente, para dirigir os trabalhos preparatorios para a exposigáo universal de Yienna de Austria, ha de cele- 43 brar a sua sessáo de installagao, sendo presidida por Sua Magestade El-Rei, o Senhor D. Fernando, áma- nhá 14 de setembro, ás duas horas do dia, n’uma das salas do ministerio do reino. Sala das sessóes, 13 de setembro de 1872.= O secretario da commissáo, Jodo Palha de Paria La- cerda. Sua Magestade o Imperador da Austria e Rei da Hungria decretou que no mez de maio de 1873 se inaugure em Yienna de Austria urna nova exposido universal dos productos de todas as industrias. A inaugurado d’este novo concurso industrial já foi annunciada no Diario do governo de 16 de mar<¿o do corrente anno. Tendo o governo de Sua Magestade, sempre solícito em promover tudo quanto possa concorrer para o progresso da nacao, incumbido, por decreto de 7 do corrente mez, urna commissáo central de proceder aos trabalhos preparatorios para a conveniente representado de Portugal n esta nova festa do tra- balho; é o primeiro e mais grato dever da commissáo dirigir-se a todos os industriaes, invocando o seu patriotismo para que, sem perda de tempo, se prepa- rem para esta nova luta, difficil, mas útil e honrosa. A commissáo tem a insigne honra de ser presidida por Sua Magestade El-Rei o Senhor D. Fernando, 44 que nunca deixou de patentear o seu decidido inte- resse pela prosperidade das nossas industrias, e pelo adiantamento de tildo quanto pode considerar-se ramo mais ou menos importante das bellas artes. A commissáo central está constituida; e, com o auxilio das commissoes filiaes que se crearem nos diferentes districtos administrativos do reino, e com aquelle que, sem duvida, lhe lia de ser prestado pelos nossos representantes dos variadísimos ramos do trabalho humano, espera confiadamente que em 1873 nao desmereceremos do bom conceito em que fomos tidos ñas quatro anteriores exposigoes universaes de 1831, 1835, 1862 e 1867. Urna nagáo ñas circum- stancias da nossa nao pode pretender hombrear com as mais florescentes ericas potencias do mundo, mas pode mostrar, como tem mostrado sempre ñas epo- clias mencionadas, que a sua sitnagao económica e industrial melhora de anno para anno, e que entre nós acham sempre bom acolhimento os progressos da epocha notavel em que vivemos. A commissáo conta que este seu convite terá a mais satisfactoria recepgáo por todos quantos se interes- sam pelo bom nome da térra em que nascemos. Os industriaes, que responderem ás nossas instancias, mostraráo que comprehendem os seus verdadeiros interesses; que sabem avahar a conveniencia d’estas grandes reunioes, onde se comparam e se passam em revista as industrias do mundo inteiro; e que o amor da patria nunca deixa de ser a primeira e mais grata affeigao de coracoes portuguezes. Nao se illucla ninguem, pensando que só ás nagoes de primeira ordem compete disputar entre si prima- zias ñas grandes exposigóes. Ali ha logar para todos. Indique cada povo qual é o seu contingente para o inventario da riqueza commum da humanidade, e mostrem todos que honram o.trabalho; e a missáo de cada um ficará comprida. Já mais de urna vez se tem repetido e escripto que mil vezes um producto singelo da industria humana encerra em si mais utilidade que todas as maravilhas que nos encantam. Mil vezes um producto, tido como pouco importante, n’estes grandes concursos, obtem classificagáo vantajosa, que dá origem a permutagoes commerciaes e de subido valor. Por estes e similhantes meios se desenvolve a riqueza publica. Creio poder sustentar que o nosso commercio ultramarino tem ganho sempre com as exposigóes anteriores. Ali se conheceram productos importantes das nossas possessóes, que até eniáo nao tinham valor commercial. Em I8G7, quando eu tive a honra de me dirigir aos industriaes do paiz em nome da commissáo, que n’essa epocha se preparava para a exposigáo da nossa secgüo n’aquelle grandissimo concurso industrial de 46 París, que ficará para sempre memoravel, lembrei que todas as instrucgoes dos commissariados geraes faziam bem sentir que, ao lado do producto, que só pode satisfazer o luxo, se deve encontrar aquelle que, nao seduzindo os olhos pela sua modesta apparencia, encerra comtudo utilidade incontestavel e satisfaz innúmeras necessidades. Dizia tambem entáo, e hoje o repito, que todos os objectos, que pelo seu modico prego estejam ao alcance dos desprotegidos da fortuna, sao sempre os mais bem recebidos ñas exposigoes da industria. Portugal, com a boa vontade dos chefes de todas as industrias do paiz, pode alcangar na nova exposi- gao um logar honroso. Outra nao pode nem deve ser a nossa aspiragáo. Por isso a commissao central de Lisboa, que eu tenho a honra de presidir nos impedimentos de Sua Magestade El-Rei o Senhor D. Fernando, cumpre o seu primeiro dever dirigindo, como dirige, pela forma mais instante, este convite a todos os agricultores, industriaes e cultores das bellas artes, pedindo-lhes que se preparem para mandar a Yienna os mais importantes productos das suas industrias. Nao é ne- cessario produzir de novo para este concurso. Basta apresentar os specimens variados da producgáo normal do paiz. Nem a estreiteza do tempo, que dista até á inauguragáo da exposigao, permitte que se adopte outro systema. 47 A commissao espera que todos empregarao os mais constantes e decididos esforgos para que Portugal seja dignamente representado no grande jury internacional de Vienna. A commissao chama mui particularmente a atten- gáo dos industriaes para o regulamento geral da exposigáo publicado no Diario de 16 de margo do corrente anno, bem como para o systema de classifica- gáo. Em publicagóes posteriores se fará conheeer o de- senvolvimento do referido regulamento, e se dirá qual o methodo que se ha de seguir para que em Lisboa se reunam em tempo opportuno os productos que tiverem de ser remettidos para Yienna. Sala da commissao central directora dos trabalhos preparatorios para a exposigáo universal de Yienna em 1873, em 17 de setembro de 1872. = Márquez d’Avila e de Bolama. Tomando em consideragáo o que me foi proposto pela commissao central directora dos trabalhos preparatorios para a exposigáo universal que ha de abrirse em Vienna de Austria no futuro anno de 1873: hei por bem determinar que os individuos constantes da relagáo junta, que baixa assignada pelo ministro e secretario d’estado das obras publicas, commercio e 48 industria, fagam parte da commissao já referida, creada por decreto de 7 do corrente mez. O ministro e secretario d’estado das obras publicas assim o tenha entendido e faga executar. Pago, em 26 desetembro de 1872. =Rei.= Antonio Car- doso Avelino. RELACÁO DOS VOGAES DA COMMISSAO CENTRAL DIRECTORA PARA A EXPOSICÁO UNIVERSAL DE YIENNA DE AUSTRIA, NOMEADOS POR DECRETO DA DATA DE 1I0JE Antonio José da Cunha Salgado, tenente coronel de cavallaria. Antonio José Teixeira (Dr.), lente da universidade de Coimbra. Antonio Thomás da Fonseca, professor da academia de bellas artes de Lisboa. Bento José da Cunha Vianna, coronel de infantería. Caetano Alberto deSory, major docorpo de enge- nheiros. Claudio de Chaby, tenente coronel de infantería. Conselheiro Antonio María de Amorim, director geral interino da instrucgáo publica. Conselheiro D. José María de Almeida e Araujo Correia de Lacerda, deao da sé patriarchal. Conselheiro Jorge Husson da Camara. Francisco da Fonseca Benevides, professor do instituto industrial e commercial de Lisboa. 49 Francisco Izidoro Yianna, negociante. Joáo Alfredo Dias, negociante. Joao Manuel Cordeiro, coronel de artilheria. José Frederico Amado Judice, tenente coronel de engenheria. José Mauricio Vieira, director da oíFicina de instrumentos de precisao no instituto industrial e commer- cial de Lisboa. José Victorino Damazio, vogal da junta consultiva de obras publicas. Mariano Ghira, reitor do lyceu nacional de Lisboa. Miguel Angelo Lupi, professor da academia de bellas artes de Lisboa. Silvestre Bernardo Lima, lente do instituto geral de agricultura. Thomás de Carvalho (Dr.), professor da escola medico-cirurgica de Lisboa. Thomás José da Annunciagao, professor da academia de bellas artes de Lisboa. Pago, em 26 de setembro de 1872. = Antonio Car- doso Avelino. Manda Sua Magestade El-Rei, pelo ministerio das obras publicas, commercio e industria, declarar ao director geral dos correios e postas do reino, para sua intelligencia e devidos effeitos, que toda a correspondencia que for trocada entre a commissao cen- 4 50 tral directora dos trabalhos preparatorios para a expósito universal de Yienna de Austria e os governa- dores civis e quaesquer auctoridades, commissoes filiaes dos districtos do reino e ilhas adjaeentes e expositores, seja considerada como official. Pago, em 26 de setembro de 1872. = Antonio Cardoso Avelino. = Para o director geral dos cor- reios e postas do reino. CIRCULAR Ul. m0 e ex. m0 sr.—O decreto de 7 do corrente mez, que creou urna commissao central em Lisboa para os trabalhos preparatorios da nossa secgáo na exposigáo universal de Vienna de Austria, determina no artigo 4.°, que nos differentes districtos administrativos do reino e ilhas adjaeentes se organisem commissoes filiaes. Para que esta disposigáo possa ter regular e proficua execugáo, rogo a v. ex. a que preste á com- missáo central de Lisboa todo o auxilio de que ella carecer, e que com a mesma commissao se entenda directamente, nao só para a creado das commissoes districtaes, mas para tudo mais que possa ser conveniente, a fim de alcan^armos em Yienna urna boa representado das nossas industrias. Deus guarde a v. ex. a Ministerio das obras publicas, commercio e industria, 23 de setembro de 1872. 51 — Antonio Cardoso Avelino. — 111. m0 e ex. mo sr. go- vernador civil do districto administrativo de Aveiro. Idénticas para todos os governadores civis dos dis- trictos do reino e ilhas, excepto para o de Lisboa. Commissáo central directora dos trabalhos preparatorios para a exposicáo de Vienna de Austria de 1873. — Circular. —111. m0 eex. rao sr.—Sendo Portugal convidado para concorrer á futura exposicáo universal, que ba de effectuar-se em Vienna de Austria no armo de 1873, náoerapossiveldeixar deaccei- tar este honroso convite. No Diario de H de setem- bro do corrente anno encontrará v. ex. a o decreto de 7 d’este mez, pelo qual se prova a importancia que o governo de Sua Magestade dá a este assumpto. Por este decreto foi nomeada urna commissáo central directora, á qual pertence dirigir os trabalhos preparatorios para a exposicáo da scccáo portugueza no grande concurso universal de Vienna. Esta commissáo tem a subida honra de ser presidida por Sua Magestade El-Rei o Senhor D. Fernando, e acha-se installada. É de urgente necessidade comecar com o mais decidido zélo os trabalhos que possam concorrer para que nos apresentemos dignamente perante o novo jury do trabalho universal; e por isso, em nome da commissáo, tenho a honra de me dirigir a v. ex. a , solicitando o seu valioso auxilio e cooperagáo, a flm de que no districto dignamente a cargo de v. ex. a se organisem commissoes filiaes, que se incumbam de promover por todos os modos possiveis que as diffe- rentes industrias do districto se fagam representar em Vienna. Para se conseguir este resultado julga a commissáo central de summa conveniencia que v. ex. a , no seu districto, organise urna ou mais commissoes filiaes, eseolhendo para este fim as pessoas mais zelosas e mais dignas da confianza de v. ex. a A commissáo central confia que v. ex. a se nao negará a este servigo feito á nossa industria, tomando a presidencia da commissáo que for organisada na cabeca do districto. Remetió a v. ex. a um exemplar do systema de clas- sificagáo, adoptado pela commissáo de Vienna de Austria, bem como um exemplar do convite geral que a commissáo julgou necessario dirigir ás industrias na- cionaes, e da circular que se ex pede aos industriaes cujos noines sáo conhecidos pela commissáo. Estes documentos, e os que posteriormente remet- terei a v. ex. a , serviráo para esclarecer as commis- sóes districtaes. Rogo pois a v. ex. a queira chamar a particular at- tengáo das commissoes do seu districto para o que nos mencionados documentos se determina, princi- 53 pálmente em referencia aos prasos de remessa de productos para Lisboa, e indicares previas que sirvam para a organisagáo do catalogo e projectos de instal- lagáo. A commissáo espera que v. ex. a e as commissoes do seu districto nao pouparao estorbos para despertar a boa vontade dos nossos industriaes, fazendo-lhes bem comprehender que nao só o pundonor nacional, mas muito particularmente o seu proprio interesse, os deve levar a nao se eximirem das diligencias ne- céssarias para que a nossa exposigao seja quanto possivel completa. Com a intelligente vontade de v. ex. a conta a commissáo, confiando que v. ex. a se nao limitará a empregar os meios que ficam indicados para que se consiga o fim que todos temos em vista. A sua influencia pessoal, a das auctoridades suas subordinadas, a das camaras municipaes e das sociedades agrícolas e industriaes, muito podem contribuir para convencer os nossos agricultores e fabricantes da incontestavel conveniencia de tomarem a peito essa empreza. Pelos documentos a que-já me referí verá v. ex. a que os prasos sao curtissimos, e que é necessario desde já aproveitar, sem demora, todos os momentos. Na qualidade de secretario da commissáo terei de me dirigir differentes vezes a v. ex. a Queira v. ex. a dirigir-me, para serení por mim presentes á commissáo central, todas aquellas indicagoes que a experiencia for mostrando serení uteis para conseguirmos o resultado desejado. A elevada inteligencia de v. ex. a e seu amor pelas cousas publicas dispensam-me de entrar agora em mais explicares. Deus guarde a v. ex. a Sala da commissáo, em 26 de setembro de 1872. —111. m0 e ex. mo sr. governador civil do districto de Aveiro. = 0 secretario da com- missáo, Joño Palha de Paria La cerda. Idénticas para todos os governadores civis, excepto o de Lisboa. Commissáo central directora dos trabadlos preparatorios para a expósito de Vienna de Austria de 1873 — Circular.—111. mo sr.—No Diario dogoverno encontrará v. um convite geral, dirigido a todos os industriaes do paiz para a exposigáo universal que de ve ter logar em Vienna no anno de 1873. O governo portuguez, por decreto de 7 de setembro do anno corrente, nomeou urna commissáo central, incumbindo-a dos trabalhos preparatorios para a expósito da secgáo de Portugal no futuro concurso universal já indicado. Em nome d’esta commissáo nao posso deixar de solicitar a cooperado de v. para este importante 55 trabalho, que sem duvida todos os industriaes toma- rao a peito, movidos nao só pelo interesse geral do paiz, mas tambem pelo seu proprio. A commissao julga do seu dever dar algumas in- formagóes para esclarecimento dos industriaes, agricultores e artistas que quizerem annuir a este seu convite. A exposicao universal ha de abrir-se em Yienna em 1 de maio de 1873, mas, segundo oregulamento ge- ral adoptado pela commissao imperial austríaca, todos os productos das differentes industrias dos pai- zes estrangeiros devem ser recebidos no palacio da exposigao antes de abril. Por esta consideracáo o conselho director da com- missáo central portugueza entende que é de urgente e absoluta necessidade que todos os productos das nossas industrias estejam completamente reunidos em Lisboa até ao fim de dezembro do anno corrente, a fim de que os mezes seguintes possam ser empregados nos indispensaveis trabalhos de organisagáo, selecto, classificagáo e expedido dos mesmos productos. A recepto comegará em Lisboa no dia 5 de outu- bro, e será feita na casa da fazenda do arsenal da marinha. Os objectos de bellas artes para serem admittidos na exposigáo devem ter sido executados depois do anno de 1862. 56 Os expositores nao terao a pagar emVienna des- peza alguma, e o governo portuguez encarrega-se do transporte de Lisboa para Vienna e de Vienna para Lisboa de todos os prodoctos que forem escolhidos pela commissáo central para figurar na exposigáo universal. Nao sao admittidos na exposigao: 1. ° As copias, mesmo aquellas que reproduzirem urna obra de arte, adoptando um genero differente do original; 2. ° Os quadros a oleo, miniaturas, aguarellas, dese- nhos de vidros pintados e de frescos, se nao forem em molduras quadrangulares; 3. ° As esculpturas de térra plástica nao cozida; 4. ° As materias inflammaveis e fulminantes, e todas as que se considerarem perigosas, os espiritos ou alcools, os oleos e essencias, as materias corrosivas, e geralmente todos os corpos que possam alterar os productos expostos ou incommodar o publico, nao seráo recebidos senao em vasos com sufficiente solidez, apropriados para o fim a que sao destinados, e de limitadas dimensóes. As capsulas fulminantes, os fogos de artificio, as mechas chimicas e outros objectos análogos só serao recebidos em estado de imitagao, nao contendo materia alguma inflammavel. É de sumrna conveniencia que todos os productos sejam acompanhados da maior somma possivel de 57 esclarecimentos. Sao porém indispensaveis e obligatorias as seguintes indicares: 1. a Nome do expositor ou sua firma social. Os expositores devem declarar se sao simplesmente pos- suidores dos objectos expostos, inventores, manufa- ctores ou productores; 2. a Prego dos productos no mercado da producto; 3. a Prego da venda do producto em Yienna, no caso do expositor querer vende-lo ; 4. a Valor total dos productos fabricados ou pro- duzidos annualmente pelo expositor, com referencia a cada artigo exposto. Para facilitar os estudos que precedem a concessáo dos premios pelos differentes jurys, é tambem de summa conveniencia que, alem das indicagoes já mencionadas, os expositores declaran: 1. ° Sede e data da fundagáo do estabelecimento ; 2. ° Numero de empregados na fabricagáo (homens e mulheres, maiores e menores de quinze annos); 3. ° Mínimo e máximo dos salarios; 4. ° Natureza e forga dos motores empregados; o.° Designagáo dos teares, apparelhos ou outros meios empregados na fabricagáo ; 6. ° Origem das materias primas; 7. ° Principaes mercados de consumo; 8. ° Medalhas, distincgoes ou mengoes honrosas já obtidas em anteriores exposigóes nacionaes ou es- trangeiras. 58 Junto a este officio encontrará v. um exemplar do systema de classificacáo adoptado pela commissao imperial de Vienna. Todos os productos que forem remettidos para a exposigao devem ser dirigidos á commissao central directora, e acompanhados de urna guia em duplicado ; e para facilitar o trabaltio dos expositores a commissao mandará organisar modelos d’essas guias, que podem ser reclamadas na secretaria da commissao no ministerio das obras publicas. A todos os expositores se passará um recibo dos productos que remetterem para a exposigao, á vista do qual lhes seráo restituidos logoque, finda a exposigao de Vienna, tenham sido devolvidos para Lisboa. Será muito conveniente que o commissario regio junto á exposigao seja auctorisado pelos expositores para a venda em Vienna, por corita do expositor, dos productos de maior importancia, devendo entenderse que todos aquelles que apenas forem remettidos como amostras sao cedidos pelos expositores, ficando o commissario regio auctorisado a dispor d’elles como julgar mais conveniente. Devo lembrar a v. que n’estas exposigóes nao se atiende só ao alto merecimento e perfeigáo absoluta dos productos. Pretende-se sobretudo conhecer o que cada paiz pode produzir; e muitas vezes um artigo ou objecto que parece pouco importante, mas que se al- 59 canga por pregos diminutos, e que occupando grande numero de bragos satisfaz muilas das necessidades das classes numerosas, é digno de premio, e pode mostrar a existencia de urna valiosa fonte de com- mercio. Todo e qualquer producto que possa dar logar a permutagoes importantes é digno de muita attengáo. Por isso nenhum productor deve hesitar em remet- ter quaesquer objectos pela errada consideragáo de serem de pouco valor, e nao merecerem as honras de figurar em um grande concurso de industria. Se v. quizer pedir quaesquer esclarecimentos, poderá dirigir-se ao secretario da commissáo central. Confio que v. e todos os industriaes acceitarao gostosamente este convite, que Ibes é feito para con- correrem a urna obra digna de civilisagáo do seculo em que vivemos. Deus guarde a v. Sala da commissáo central dos trabadlos preparatorios para a exposigáo universal deVienna de 1873, em 26 de setembro de 1872.= O secretario da commissáo, Jodo Palha de Faria La- cerda. Ill. mo sr.—Devendo realisar-se em maio de 1873, em Vienna de Austria, urna exposigáo internacional, 60 recommendo a v. s. a que empregue todos as meios que lhe forem possiveis para que principalmente a nossa industria agricola seja dignamente representada ; cumprindo-lhe alem d’isto prestar á commissao central de Lisboa, ou a qualquer dos seus vogaes, e ás commissbes districtaes que forem creadas pelo artigo 4.° do decreto de 7 de setembro ultimo, todos os esclarecimentos que lhe forem pedidos e que esti- verem ao seu alcance. Deve v. s. a , para bem cumprir os seus deveres, compenetrar-se da idea que preside a esta exposigao pelo programma publicado no Diario do governo de 16 de margo ultimo, pela circular feita pela commissao central no Diario do governo n.° 210, de 18 de setembro ultimo, e pelas subse- quentes publicagóes relativas a este servigo, que lhe é muito especialmente recommendado. Deus guarde a v. s. a Direccao geral do commercio e industria, 3 de outubro de 1872.— Ill. m0 sr. intendente de pecuaria do districto de Aveiro. = Pelo director geral, Joño Pal-ha- de Faria La- cerda. Idéntico aos demais intendentes de pecuaria do continente e ilhas. Para conhecimento se publica o seguinte programma especial relativo á cultura do linho: 61 UNIVERSAL DE VMM 11 m CONGRESSO INTERNACIONAL DOS QUE SE EMPREGAM NA CULTURA, INDUSTRIA E COM1IERCIO DO LINDO ESTATUTOS Atienta a grande importancia do linho como planta para a agricultura e como materia prima para a industria, é de esperar que sejam representados completamente na exposiQáo universal de 1873, nao só a planta e seus productos, mas tambem os differentes processos, utensilios e machinas empregados para obter as fibras textis. A fim de juntar ao quadro exposto á vista a pala- vra vivificante, projecta-se combinar com esta expósito um congresso internacional de pessoas interes- sadas na cultura, industria e commercio do linho, que tenha por objecto responder aos quesitos juntos ao presente programma, e discutir assim quaes sejam os melhores meios e methodos adequados para que a cultura do linho seja mais lucrativa para o agricultor, e a industria da fiacáo do linho possa obter materia prima de melhor qualidade e mais barata. Este congresso celebrará as suas sessoes nos dias 18, 19 e 20 de agosto de 1873. Sao convidados a tomar parte nos debates e deci- soes do congresso os agricultores, industriaes e ne- 62 goeiantes, que se occupam na cultura, na bagáo, ou no commercio do linho, bem como os representantes da sciencia e da litteratura na parte respectiva áquelle producto, os quaes, para serem admittidos, teráo de apresentar previamente as suas petigoes. Estas peticoes deveráo ser dirigidas ás commissoes respectivas da expósito, tanto nacionaes como es- trangeiras. Estas transmilti-ias-háo, o mais tardar, até 1 de maio de 1873, á direccáo geral da expósito, que, depois de examinal-as, remetterá os bilhe- tes de admissáo, que seráo pessoaes, ás mesmas com- missóes para estas os enderegarem ás pessoas a quem forem destinados. Um conselho director composto de pessoas competentes será encarregado dos preparativos para o congresso e de redigir as propostas que houverem de ser-lhe submettidas. Os relatores para os differentes pontos do pro- gramma serao propostos pelo conselho e nomeados pelo director geral. A primeira sessao do congresso será aberta pelo presidente do conselho director. Sao reservados ao congresso a eleigáo da presidencia, e a designagáo da ordem do dia. Os debates do congresso poderáo ser na lingua allemá, ingleza, franceza ou italiana. As missivas, obras e propostas relativas ao pro- gramma devem ser enviadas á direccáo geral da ex- 63 posigao universal de 1873, o mais tardar até ao fim de maio do mesmo anno, e terem o seguinte sobrescripto: «Para o congresso de cultivadores, industriaes e negociantes de linho». Ponr le congres de linicul- teurs, industriéis et commercants en Un. Os debates e as decisoes do congresso seráo ulteriormente publicados e enviados aos seus membros. Que stion ario 1. ° Que experiencias se téem feito relativamente á escolha da semente do linho e á sua producgao, e por que meios pode ser esta melhorada? 2. a Quaes sao os methodos de cultura do linho usados actualmente? Quaes sao os melhores? e que meios sao particularmente recommendaveis para ge- neralisar estes methodos? 3. ° Quaes sao os methodos de preparado do linho empregados com bom resultado, e por conse- guinte recommendaveis? 4. ° Quaes sao os inconvenientes actuaes do com- mercio do linho, e por que meios se poderiam remediar? 5. ° Quaes sao, em geral, os meios que devem empregar-se para augmentar a producto do linho e utilisar mais vantajosamente os productos da cultura do linho ? 42, Praterstrasse.— Julho, 24 —1872. — Vien- 64 na. = O director geral, Bardo de Schwarz-Sen- born. Está conforme.—Repartido do commercio e industria, em 11 de outubro de 1872 .=Joao Polka de Faria Lacerda. Sua Magestade El-Rei, attendendo ao que lhe re- presentou a commissáo central directora dos trabadlos preparatorios para a exposigáo universal deYien- na de Austria sobre o modo de dar cumprimento a programma publicado no Diario do governo n.° 61, de 16 de margo do corrente anno, na parte que diz respeito á educagáo, instrucgáo e ensino; e Considerando que é de manifesta necessidadee conveniencia que Portugal se faca representar n’aquelle grande concurso internacional de modo que possa quinhoar o aprego e galardáo a que tem direito um povo que se esforga por melhorar as condigóes da sua vida litteraria, moral e scientifica: Ha por bem determinar o seguinte: 1.° Sao convidados os estabelecimentos de instrucgáo superior, dependentes do ministerio do reino, para tomar parte na exposigáo universal de Vienna de Austria, podendo cada um d’elles nomear um delegado junto da commissáo central de Lisboa, a fim de se combinar na escolha dos objectos mais proprios 65 a mostrar o estado e progressos do ensino no respectivo estabelecimento; 2. ° Sao igualmente convidados os lyceus nacionaes do reino e ilhas adjacentes para se fazerem representar na exposigao por meio de photographias ou plantas dos edificios públicos em que funccionarem, estatificas, horarios, compendios catálogos, trabalhos dos alumnos (composigóes escripias, desenhos e ver- soes), publicares litterarias e quaesquer outros obje- ctos que possam dar luz sobre o movimento litterario e scientifico de taes estabelecimentos. Para este fim, os reitores, ouvidos os conselhos escolares, tomarao as necessarias providencias, na in- telligencia de que todos os objectos que offerecerem deverao dar entrada no ministerio do reino até o ultimo de Janeiro de 1873. Os trabalhos dos alumnos serao feitos em dias previamente designados, e perante professores esco- lhidos pelos conselhos dos lyceus. Os directores dos collegios de ensino livre podem, querendo, concorrer á expósito relativa á instruccao secundaria; porém os trabalhos dos seus alumnos sóndente seráo admittidos quando tenham sido feitos nos lyceus juntamente com os dos estudantes d’estes estabelecimentos, ou nos proprios collegios, perante commissóes auctorisadas pelos reitores dos lyceus. 3. ° Os governadores civis dos distritos administrativos, de accordo com os commissarios de estudos, J 66 sao encarregados de promover a exposigao dos ob- jeetos pertencentes á instrucgáo primaria, e n’este sentido se lhes recommenda: 1. ° Que em todas as escolas publicas de ensino primario de um e outro sexo, os alumnos da classe mais adiantada, procedam nos dias 20 e 21 de de- zembro próximo futuro, perante o professor e parodio da freguezia e um individuo nomeado pelo administrador do concelho respectivo, ás seguintes provas: Um exercicio de calligraphia; Um dictado; Resolucáo de um problema de arithmelica. Estas provas devem ser escriptas em papel fino usado na correspondencia oíficial e ministrado pelas adminislraQoes dos concebios. A primeira prova figura na primeira pagina, e a segunda e terceira na terceira e quarta pagina. Á margem do papel indi- car-se-ha o nome do concelho e da escola. Cada alumno assigna as suas pro vas, que o jury rubricará sem fazer emendas ou correccóes; 2. ° Que as provas logo depois de concluidas, se- jam enviadas em sobrescripto fechado ao administrador do concelho, o qual as remetterá ao governador civil, e este ao governo, pelo ministerio do reino, até 1 de fevereiro de 1873; 3. ° Que ñas escolas primarias em que se ensinar o desenlio, os melhores alumnos preparem alguns 67 trabalhos para serem entregues na administrado do concelho com as devidas indicares até o fim do mez de dezembro, e terem destino igual ao das outras provas; 4. ° Que ñas escolas do sexo feminino se aprom- ptem, para serem dirigidos aogoverno pelo modo que tica declarado, alguns lavores, que podem consistir em — roupa talhada na escola — bordados — crochet—rendas — tecidos de la—flores—quadros— obras de cabello; 5. ° Que os professores e mestras remettam ura exemplar das obras que hajam publicado para o ensino, assim como traslados, mappas, cadernos, etc., organisados por elles para auxiliar o estudo das diversas disciplinas; 6. ° Que ñas localidades onde houver bibliothecas escolares se escrevam breves noticias históricas d’es- tas instituigóes para subirem ao governo acompa- nhadas dos catálogos dos livros, estatisticas e mais esclarecimentos convenientes; 7. ° Que nosasylos, estabelecimentos de beneficencia e caridade, e sociedades ou associagóes, que se occupam da educado e instrucgáo do povo, se faculte a expósito de tudo quanto for attinente á sua organisagáo material, económica e litteraria. Sua Magestade El-Rei espera que os chefes dos estabelecimentos e auctoridades supramencionadas em- pregarao todo o zélo e eflicacia no desempenho do 68 importante servido que Ibes é commettido, a fim de que Portugal possa alcanzar do jury internacional de Vienna urn logar honroso entre os paizes civilisados. Pago da Ajuda, em 12 de novembro de 1872.= Antonio Rodrigues Sampaio. O conselho director da commissáo central de Lisboa encarregada dos trabalhos preparatorios para a exposigáo universal de Vienna de Austria, em vista das resolugóes tomadas pela commissáo austro-hun- gara, relativamente á exposigáo de vinlios, declara o seguinte para conhecimento dos expositores: 1. ° Para a exposigao devem ser remettidas pelo menos seis garrafas de cada urna das qualidades que se expozerem. 2. ° Duas d’estas garrafas serviráo para estarem expostas, duas para a apreciagáo do jury, e duas se- ráo submettidas á analyse chimiea, na esta gao dos ensaios oenochimicos, creada para esse effeito em Klosternembourg, perto de Vienna. Estas analyses seráo gratuitas, e precederáo a apreciagáo do jury. 3. ° As garrafas destinadas á analyse chimica deve- ráo ser encamotadas em um caixote á parte, a fim de se entregarem no laboratorio, emquanto que as ou- tras seráo colloeadas na exposigao. 69 4. ° Todas as garrafas devem ser convenientemente lacradas e rolhadas, e indicarao o nome do expositor, local da prodúcelo, anno da colheita e prego. 5. ° As garrafas destinadas para li analyse chimica devem, alem das indicacóes geraes, conter as seguin- tes palavras para a analyse. As que forem destinadas para o julgamento'do jury devem conter a indicado para o jury. 6. ° Alem d’estas indicares, que sao indispensa- veis, cada expositor poderá fazer acompauhar os seus vinhos de quaesquer informagoes que tiver por convenientes. 7. ° No interesse dos expositores muito se recom- menda que as garrafas sejam cheias de modo que o vinho nao entre ern fermentado com o calor do ve- rao. 8. ° Alem do vinho de uvas seráo tambem admit- tidos vinhos de qualquer outro fructo. 9. ° Haverá na exposigáo um pavilháo especial, a fim de que o publico possa provar os vinhos expos- tos. Por esta rasáo e para occorrer a qualquer even- tualidade será muito conveniente que, alem das seis garrafas exigidas pelos regulamentos, os differentes expositores remettam á commissáo central um numero supplementar. Sala da commissáo, ern 23 denovembro de 1872.= O secretario, Jodo Palha de Paria Lacerda. 70 Para conhecimento de quem interessar se faz publica a traducgáo da lei de 13 de novembro de 1872, publicada no jornal official do imperio austro-hun- garo: Artigo l.° Qualquer individuo, nacional ou estran- geiro, que apresentar na exposigáo de 1873,emVien- na, um objeclo que, na conformidade das disposigoes da lei de 13 de agosto de 1832 e das duas leis de 7 de dezembro de 1838, possa ter urna garantía de privilegio, marca ou amostra, deverá solicitar o respectivo certificado do director geral da exposigáo. Esta requisigáo deve ser dirigida ao director geral, o mais tardar até ao dia da abertura da exposigáo, ou antes da entrega dos objectos, e será acompanhada de urna descripgáo exacta feita pelo expositor, e, quando assim se tornar necessario, das plantas e de- senhos em duplicado, bem como dos duplicados das marcas ou das amostras ou modelos correspondentes, fechados em sobrescriptos separados. Se o pedido for feito por meio de um procurador, deve juntar-se a necessaria procuracáo. Art. 2.° O certificado da garantía será publicado gratuitamente, em nome do director geral da exposigáo, por intermedio de um empregado para tal fim designado pelo ministerio das provincias do reino da Hungría, e assegurará áquelle, a favor de quem for passado, desde entáo até ao dia marcado para a entrega do objecto respectivo no palacio da exposigáo, 71 I e no caso de a requisigáo só ter sido feita d’esta entrega, desde o dia da entrega da requisigáo, que será designado no certificado de garantía, até 3! de de- zembro de 1873 inclusive, os mesmos direitos que lhe sao concedidos por um privilegio obtido nos de- vidos termos, por um registo igualmente legal de urna marca, de urna amostra ou modelo. Fica-lhes reservado o direito de solicitarem ñas repartigoes competentes, para taes objectos, antes de terminado o praso de garantía mencionado, a garantía de privilegio, marca ou amostra, na conformi- dade das leis citadas no artigo l.° Art. 3.° Da denegagao d’este certificado de garantía nao é permittido recorrer. Se o direito ao certificado de garantía for contestado, será o negocio resolvido pelas auctoridades competentes, de accordo com as leis respectivas. Art. 4.° Haverá um registo em duplicado das re- quisigoes edascontestagoesque acerca dos certificados de garantía se originarem, um dos quaes, depois de encerrada a exposigáo, será enviado ao ministerio do commercio, com as respectivas requisigóes e correspondentes descripgoes, marcas, e amostras, e a outro ao real ministerio húngaro da agricultura, industria e commercio. Art. 5.° Os certificados de garantía seráo publicados nos jornaes officiaes da Austria e Hungría. É permittido a qualquer examinar o registo dos m 72 certificados concedidos; mas as descripgoes, plantas modelos e documentos idénticos conservar-se-hao secretos, se assim o for exigido ñas requisigoes. Art. 6.° Da execugao d’esta lei é encarregado o ministro do'commercio. Sala da commissao, em 10 de dezembro de 1872.= O secretario, Joao Palha de Faria Lacerda. A commissao encarregada de preparar a exposigáo dos productos portuguezes, recebe propostas por es- pago de oito dias, a contar do dia 12 até 20 do corrente, á urna hora da tarde, no local destinado á sua reuniao (no ministerio das obras publicas), para o for- necimento dos seguintes objectos de madeira: 10 Armarios de 4 ra ,50 de comprimento, 0 m 80 de largura e 3 m ,25 de altura. 10 Estantes de 4 m ,20 de comprimento, 1 metro de. largura e 3 m ,25 de altura. 2 Estantes de 4 m ,20 do comprimento, 1 metro de largura e l m ,50 de altura. 4 Estantes (pés torneados) de 2 m ,75 de comprimento, l m ,25 de largura e I m ,30 de altura. 2 Estantes (pés torneados) de l m ,50 de comprimento, 1 ra ,20 de largura e l m ,30 de altura. 2 Estantes (pés torneados) de l m ,70 de comprimento, l m ,20 de largura e l m ,30 de altura. 2 Armarios ou machinetas (quatro faces) de l m ,40 73 de comprimento, 2 m ,40 de largura e 4 metros de altura. 2 Armarios octogonaes de l m ,40 de diámetro por 4 m ,25 de altura. 1 Armario octogonal de 4 metros de diámetro por 4 metros de altura. 2 Quadros de 1 ra , 50 por l m ,30. 2 Bancos-estantes de 4 m ,50 de comprimento e 0 m ,80 de largura. Os desenhos e as condicoes do fornecimento esta- rao patentes na casa das sessóes da commissáo, durante o praso acima indicado, em todos os dias, das nove horas da manhá até ás tres da tarde. Secretaria da commissáo, H de dezembro de 1872.= O secretario, Joáo Palhci de Faria Laceria. A commissáo imperial austro-hungara da expósito universal de 1873, nos seus regulamentos, como já se declarou no annuncio publicado no Diario do governo de 25 de novembro, n.° 267, resolveu que os vinhos apresentados na expósito poderáo ser sub- mettidos á analyse chimica feita gratuitamente por urna commissáo para esse fim nomeada. Mas n’este mesmo annuncio se declara quehaverá um pavilháo especial, onde os expositores poderáo fazer provar os seus vinhos. Será tambem possivel alcancar no parque adjunto 74 ao palacio da exposigáo local onde se estabelega urna casa de venda de diíferentes productos. Seria vantajoso que ali se vendessem os nossos vinhos, fructas seccas, conservas, doces, queijos, carnes salgadas e quaesquer outros productos. É evidente que este pensamento nao pode realisarse senáo pela iniciativa particular. Já em 1867, na exposigáo de París, houve muitos cafés e casas de venda onde se apresentaram ao publico productos de differentes nacoes. Gomo exemplo, basta citar a casa de venda de cer- veja daBaviera, apadaria austríaca, o café americano, o hespanhol, o italiano, etc., etc. Quem pretender encarregar-se de similhante em- preza deve dirigir as suas propostas ao conselho director da commissáo central até ao fim do corrente mez, a fim de se poderem entabolar negociagoes com a direcgáo da exposigáo em Yienna. No pavilhao destinado para as provas dos vinhos a que se refere este annuncio, e que já foi mencionado tambem no annuncio do Diario n.° 267, poderáo os differentes expositores fazer vender os seus vinhos e mais comestiveis. Por isso o conselho director da commissáo central tambem convida as pessoas que qui- zerem aproveitar-se d’esta facilidade a declaral-o á commissáo até ao dia 31 de dezembro corrente. É fácil comprehender quanto sobretudo é conveniente que na exposigáo os nossos vinhos e outros 75 productos nao só sejam apreciados pelos jurys, mas tambem pelo publico. Só assim se estabeleceráo relacóes commerciaes. A commissáo austro-hungara deliberou que os productos que se venderem ficam sujeitos ao pagamento dos direitos respectivos e dos fretes. Os géneros que se nao venderem seráo restituidos aos expedidores livres de todas as despezas. Sala da commissáo, 12 de dezembro de 1872.= O secretario, Jodo Palha de Faria Lacerda. O conselho director da commissáo central encarre- gada dos trabalhos preparatorios para a exposigáo universal de Vienna de Austria, na sua circular de 26 de setembro ultimo, dirigida aos differentes indus- triaes do paiz, solicitou que todos os productos destinados á exposigáo fossem entregues em Lisboa até ao fim de dezembro corrente. Esta necessidade é urgente para se proceder sem demora aos trabalhos de selecQáo, catalogacáo e outros. Por isso novamente se insta para que quanto antes se remettam os productos á casa da fazenda do ministerio da marinha, das dez horas da manhá até ás tres da tarde, todos os dias náo santificados. Sendo possivel que alguns dos productos náo pos- sam ser remedidos no praso indicado, pede-se aos 76 srs. expositores que mandem pelo menos urna reía- gao indicativa do que pretendem apresentar, e con- vem que os representantes da industria fabril e manufacturara declarem o espado de que carecem para a collocagáo dos seus productos. Sala da commissáo, em 14 de dezembro de 1872. = O secretario, Jodo Palha de Paria Lcicerda. O conselho director da commissao central acima mencionada, pelos seus annuncios publicados nos Diarios do governo n. os 267 e 283, já fez publico que na exposicáo haverá um pavilháo especial para provas de vinhos. Pelo regulamento ou programma, para o qual o conselho chama muito particularmente a atten- gáo dos expositores, vé-se que as provas se referem a outros productos. N.° 65 PAVILHAO DESTINADO Á PROVA DE VINHOS E COMIDAS PROGRAMMA ESPECIAL (Programma geral, titulo x) i l.° O pavilháo para as provas será construido pela direcgáo geral. | 2.° Será dividido em compartimentos ou tojas se- 77 paradas por tabiques. Estas tojas teráo cerca de 2 m ,50 de largura, e seráo separadas da galería destinada ao publico por um balea o continuo de 75 centímetros de largo. | 3.° Por baixo do pavilháo das provas, ouna pro- ximidade d’elle, haverá pequeñas adegas divididas pelo mesmo modo. § 4.° Todas as despezas com a decorado das lo- jas, mesas e prateleiras, etc., assim como o arranjo da competente adega, ficam a cargo do locatario da loja, o qual deverá entender-se com a directo geral. | 5.° Em cada loja onde for necessaria agua para lavagens mandará a direcQáo geral por á sua custa urna torneira com a canalisagáo respectiva. | 6.° Ñas lojas mais pequeñas o balcáo terá só 2 metros de comprimento. Os expositores que desejarem ter lojas com balcóes de mais de 2 metros devem declaral-o no pedido para admissáo. |7.° Dois ou mais expositores poderáo alugar urna loja em commum, mas n’esse caso a loja deverá ter o comprimento necessario para que a cada expositor toque l m ,5 pela sua parte. Os meios metros seráo comtados como metros in- teiros. Porexemplo, urna loja commum a tres expositores deverá ter, pelo menos, 5 metros de comprimento. Os municipios e corporales contam-se ao menos 78 por tres expositores. Gomtudo, n’este caso, a toja terá só urna firma commercial, a do municipio ou da corporagáo. | 8.° Só os expositores téem direito a alugar lojas no pavilháo das provas. O prego de aluguer das lojas é de 200 florins por metro corrente (86$000 réis pouco mais ou menos), e de 250 florins (valor de Austria) com a adega, ou 107$500 réis, pouco mais ou menos. | 9.° O pavilháo de provas estará aberto, durante a exposicáo universal, todos os onze dias, das onze horas da manhá ás cinco da tarde. | 10.° No pavilháo das provas só poderáo ser vendidos os productos representados por amostras na exposigáo e que possam conservar-se por muito tempo, como vinhos engarrafados, licores, conservas de carne e de peixe, fructas seccas e de conserva, chocolate, biscoitos, extractos, queijo, etc. | 11.° Sáo excluidos os productos náo expostos, assim como bebidas em cascos e todos os alimentos que necessitem de qualquer preparacáo ou que se náo conservem depois de encetados. | 12.° No pavilháo das provas os productos só seráo servidos sendo pagos na occasiáo, e o expositor deverá fixar o pregG de urna dóse. | 13.° A quantidade de urna dóse será a mesma para os productos da mesma especie, e será fixada pela direcgáo geral. A medida fixada provisoriamente 79 como mazimwm da dóse é para os vinhos l /u de mass viennense^O^CHi; para os licores metade d’esta medida. 114. ° O expositor deve ter urna taboleta onde, de um modo elegante, se leia ao lado da sua firma com- mercial a especie dos productos e o prego de cada dóse. 115. ° Nao épermittido por mesas nemca deiras na passagem reservada ao publico. | i6.° A venda dos objectos de pro vas deve ser confiada pelos expositores a pessoas sobrias, honradas e vestidas decentemente. Estas pessoas deverao conformar-se com as instrucgoes que receberem do inspector do pavilháo das provas, e munir-se de urna auctorisagao passada pelo inspector e assignada pelo expositor. | 17.° Deverao ser pagos adiantados os direitos de entrada ou de barreira a que estiverem sujeitos quaes- quer productos servidos no pavilháo das provas ou postos ñas adegas. 118.° Como nao é possivel quenas pequeñas adegas do recinto da exposigao possam caber as provi- soes necessarias para o pavilháo das provas durante todo o tempo da exposigáo, os expositores estrangei- ros poderao depositabas nos armazens da alfandega, pagando um direito de armazenagem, ou arrecadabas de qualquer outro modo. N’este ultimo caso a direc- gáo geral fará o que estiver ao seu alcance para facilitar esse trabalho. 80 | 19.° Se os expositores quizerem gosar do privilegio das tarifas reduzidas para os alimentos, deverao dirigir os respectivos volumes e marcal-os, como os outros objectos da exposigáo, na conformidade do re- gulamento geral, e alem d’isso, escrever-lhes por cima em caracteres grandes «Kosthalle, Hauptzol- lamt» (pavillon de dégustation, douane principale). | 20.° Os requerimentos para admissáo no pavi- lháo das provas devem ser feitos á direcgáo geral em Vienna o mais tardar até ao dia 15 de janeiro de 1873; namonarchia austro-hungara damesma sorte que nos paizes estrangeiros por intermedio das respectivas commissoes da expósito. Nenhum requeri- mento poderá ser aceite depois de expirar este praso. § 21.° A importancia do aluguer das lojas deverá ser paga na occasiáo da entrega do requerimento para admissáo, sem o que nao se tomará conhecimento d’aquelle pedido. O aluguer pago por urna loja nao se restituirá, aínda mesmo que o expositor náo se utilise d’ella. i 22.° As lojas alugadas pelos expositores náo po- dem ser sub-arrendadas. | 23.° As lojas arrendadas que estiverem devolutas por espago de tres semanas poderáo ser arrendadas novamente pela direcgáogeral. Mesmo n’esle caso náo se restituirá a importancia do aluguer. 42, Praterstrasse— Novembro 15, 1872— Vien- 8i na. = 0 director geral, Bardo de Schivarz-Sen- born. Sala da commissao, em 18 de dezembro de 1872.= O secretario, Jodo Palha de Faria Lacerda. O conselho director da commissao central pede aos srs. fabricantes de fio de algodáo e de la, queiram declarar até ao dia 28 do corrente mez se pretendem concorrer á exposigáo universal deVienna, a fim de que a commissao Ibes possa indicar os preceitos a que devem subordinar a installagáo d’estes productos. O conselho pede igualmente aos srs. fabricantes de esteiras, que até ao mencionado dia 28 mandem as declarares do que tencionam expor, a fim de calcular o melhor modo de se collocarem estes productos. Sala da commissao, em 21 de dezembro de 1872.= O secretario, Jodo Palha de Faria Lacerda. Para conhecimento de quem interessar se publica o seguinte regulamento: 6 82 N.° 63 RECILAMENTO DAS ALFANDEGAS E DE 1MPOSTOS DE CONSUMO PARA OS OBJECTOS ENVIADOS A EXPOSICAO Instrucgoes comrelagao ao despacho ñas alfandegas dos ohjectos vindos do estrangeiro I As reparticóes das alfandegas estabelecidas ñas fronteiras do imperio enviaráo directamente á delegado da alfandega na exposigáo, em carros ou voluntes, que nao poderáo abrir, sellados com o séllo das alfandegas, e acompanhados de urna guia de aviso ou de transito, os objectos destinados á exposicáo, com a sua nota de admissao passada pelas commissoes es- trangeiras. Deve ir com a guia de aviso ou de transito urna relado feita pelo expositor dos objectos que contém o volume. II A delegado da alfandega da exposigáo poderá examinar a maneira por que os objectos que lhe forem enviados estáo fechados, e tirar-lhes os sellos. A delegado da alfandega na exposido, depois de registar as relacóes dos objectos recebidos com as guias de aviso ou de transito, consignará esses objectos aos respectivos commissarios estrangeiros, que d’elles faráo um registo exacto, cuja inspecdo será 83 permittida aos empregados das alfandegas do imperio, quando estes o exigirem. III Nao sera neccssario designar na relacáo do conteúdo de cada volume a classificagao da mercado- ria segundo a pauta das alfandegas; bastará súmente notar a especie e quantidade sob a sua denominagáo commercial. É á delegado da alfandega que perten-* ce completar as relagoes, ajuntando-lhes a classifica- gáo da mercadoria segundo a pauta, e fazel-as registar. ÍY. Nenhuma mercadoria poderá saír do local da exposigáo sena urna guia; esta guia será passada pela commissáo do paiz da procedencia da mercadoria, e só é valida com o carimbo da delegado da alfandega na exposigáo, como prova de ter ali passado. As guias das mercadorias estrangeiras terao urna cor e as das mercadorias nacionaes outra. V. Os objectos retirados da exposigáo para o es- trangeiro com urna guia de aviso ou de transito, seráo consignados pela delegagao da alfandega na exposigáo, á respectiva reparticáo das alfandegas na fronteira. VI. Todos os objectos que ficarem dentro do imperio, ou dentro da area da cidade de,Vienna, sujeita a impostos de consumo, os direitos de entrada e os impostos seráo cobrados depois de um rigoroso exame feito na delegagao da alfandega na exposigáo. Vil. Respondona pelo pagamento d’esses direitos: 1. ° Os objectos expostos e seus propietarios; 2. ° Os commissarios estrangeiros. , 84 Dado este caso com alguma companhia ou empreza de transportes, recaírá sobre ella esta responsabili- dade. Y1II. A inexactidáo do conteúdo dos volumes, quanto á sua especie e quantidade, com as listas juntas, sao explicagao satisfactoria do facto, a extracto sem audorisacáo das mercadorias do local da expósito, e a sua venda no mesmo local sem audorisa- to prévia, daráo em resultado os competentes proce- dimentos legaes. IX A venda do tabaco e de objedos fabricados com tabaco é absolutamente prohibida no local da expósito, assim como o seu transporte fóra do local concedido para estas mercadorias. X. Os objedos expostos de procedencia estran- geira, que tres mezes depois do encerramento da expósito nao forem apresentados na delegato da al- fandega, para audorisar a sua reexportato, ficarao sujeitos ao pagamento dos direitos de entrada e aos impostas de consumo se d’elles forem susceptiveis. (Portaría do ministerio da fazenda, de 9 de agosto de 1872, n.° 127. — Boletim dos leis , edito xiv.) Sala da commissao, 27 de dezembro de 1872.= O secretario, Jodo Palha de Faria Lacerda. No domingo próximo, 29 do corrente, do meio dia ás duas horas da tarde, estará patente o plano da in- 8o staliagáo dos productos da industria portugueza na exposigao universal de'Vienna de Austria. As pessoas que desejarem ver este plano, cujo exame muito particularmente se recommenda aos expositores, deveráo dirigir-se ao instituto industrial e commercial de Lisboa (Boa Vista). Os interessados depois do exame poderáo dirigir quaesquer indicagoes que lhes parecerem convenientes ao conselho director da commissáo central (ministerio das obras publicas), até ás tres horas da tarde do dia 31 do corrente mez. Sala da commissáo, 27 de dezembro de 1872.= O secretario, Jodo Palha de Faria Lacerdci. O conselho director da commissáo central encarre- gada dos trabalhos preparatorios para a exposigao" universal de Vienna, no seu convite de 17 de setembro dirigido aos differentes industriaes do paiz, indicou o dia 31 de dezembro do anno findo para a recepgáo dos productos na casa da fazenda do ministerio da marinha. O mesmo conselho, tendo recebido differentes re- presentagóes solicitando que este praso seja prorogado, declara que receberá os productos até 31 do corrente mez de janeiro; mas pede aos srs. expositores que sejam solicitosnas suas remessas, porquanto alem 86 do praso aqui indicado nao será possivel organisar os trabalhos indispensaveispara a remessa dos productos para Vienna. Pede igualmente que desde ja lhe sejam remettidas as guias, emboca os productos a que ellas se referem nao sejam entregues na casa da fazenda do ministerio da marinha antes do dia já indicado. Sala da commissáo, em 3 dejaneiro de 1863.= O secretario, Joño Palha de Faria Lacerda. O conselho director da commissáo central encarre- gada dos trabalhos preparatorios para a exposiQao universal de Vienna de Austria nao pode deixar de instar novamente para que os representantes das diffe- rentes industrias do paiz remettam, o mais tardar até 31 dejaneiro corrente, os productos que destinam para a referida expósito universal, á casa da fazenda do ministerio da marinha. O conselho invoca o patriotismo de todos os expositores, e pede a sua coadjuvacáo para que os trabalhos do conselho possam ser feitos com a regularidade necessaria. = O secretario da commissáo, Joño Palha Faria de Lacerda. O conselho director dá conhecimento do programma especial da representacao do commercio universal na 87 exposigao de Vienna, e muito particularmente chama a attencáo do publico para o aviso que segue o referido programma. EXP0SIC50 DE 1813, El VIENNA DE AUSTRIA PROGRAMMA ESPECIAL REPRESESTACÁO DO COJMERCIO UNIVERSAL (Exposigao addicional n.° 6) Na vida industrial dos povos ha poucos dominios, onde os progressos da nossa epocha manifestem reformas tao rasgadas e tao profundas, como no commer- cio universal, quer se attenda á sua importancia ou á sua extensáo. Se, por urna parte, o desenvolvimiento progressivo e incessante da civilisagáo dos estados e dos povos vivifica e anima o commercio universal e torna cada vez mais sensivel a solidariedade universal dos inte- resses; por outro lado os números sempre progressi- vos, que exprimem o estado actual d’este commercio, permittem avahar os progressos materiaes e intelle- ctuaes das na^oes. Um progressorealisado em qualquer ponto do globo sente-se em todos os paizes accessiveis á civilisagao. Os trabalhos de intelligencia humana, que dominam tudo no vasto campo da industria e do commercio, e os melhoramentos effectuados nos meios do transpor- 88 te, sobretodo depois da applicagao do vapor, nao só téem exercido influencia benéfica nos povos civilisados circumvizinhos, mas até propagado as suas forjas fecundantes muito para alem dos limites do Océano. Estes efíeitos salutares nao se limitaram a habituar o europeu e seus descendentes das outras partes do mundo a necessidades novas e mais numerosas, a faze- los mais laboriosos, mais ricos e, por conseguinte, mais aptos para consumir e para comprar; o proprio habitante das zonas mais remotas que, ha seculos, só para satisfazer necessidades moderadas e restrictas estava habituado a trabalhar, foi envolvido no vasto circulo do commercio universal, e adquiriu aptidao para augmentar o valor dos productos da sua industria e para troca-los por outros, cujo uso o approxima cada vez mais do mundo civilisado. D’ahi provém a grande influencia que na industria nacional exerce o commercio universal, porque, este progredindo inces- santemente, abrindo pelo proprio poder novos campos á sua actividade, prosegue na sua marcha irresistivel através de montes e mares sem se deter em nenhuma fronteira politica e considerando todos os paizes só- mente como pontos de producgao ou de consumo. Por isso, o desenvolvimento do commercio universal em tal ou tal periodo poderia servir de base certa para apreciado do grau de cultura proprio das diversas epochas, e a participagáo de cada povo n’este commercio, de ponto de apoio para avahar a sua actividade 89 productiva, e a parte que toma cada urna das suas classes ñas compras e no consumo. Gragas aos progressos communs da civilisagáo e ao augmento das necessidades que ella cria, o commer- cio cosmopolita tem attingido proporgoes que era im- possivel prever, tanto na quantidade como na varie- dade dos productos. Em consequencia dos progressos industriaes, do emprego variado de certos productos naturaes, e do descobrimento de materias novas, o commercio cosmopolita é enriquecido constantemente por novas mer- cadorias, e, com o auxilio proveniente da facilidade dos meios de transporte, vae-se estabelecendo cada vez mais, em todo o mundo, o equilibrio entre a es- cassez e a superfluidade. Ha alguns decennios apenas que -todos os annos viamos um ou outro ponto do globo devastado pela fome e pelos horrores que d’ella resultam, em consequencia da falta decolheita; agora, pelo contrario, os cereaesconstituem pela quantidade e valor o mais importante ramo do commercio universal, e reduzem a fome a um ílagello do numero d’aquelles que o homem, com alguma previdencia epouco dispendio, pode conjurar. Quem poderia prever, ha alguns annos, a importancia que havia de ter o petróleo, esse producto do solo entao sem valor apparente? Extrahido em ¡inmensas quantidades de diversos pontos do globo con- 90 stitue hoje a carga de frotas inteiras, e é urna das mer- cadorias mais importantes que transí tam nos caminhos de ferro. É outro phenomeno da nossa epocha a mudanza total operada em certos ramos especiaes do commer- cio. O algodao que, pela sua importancia, pode ser considerado como a segunda mercadoria do commer- cio universal, foi-nos, durante seculos, fornecido exclusivamente pela America, até ao comego da guerra civil d’este paiz. Durante esta guerra todos receiavam com terror ver seccar a antiga fonte d’este producto, quando o Egypto, as Indias orientaes, o Brazil, etc., vieram fazer concorrencia. A crise foi dominada com o auxilio d’estas novas fontes de producto, mas urna parte d’esses navios que, abarrotados com cargas de algodao, commerciavam d’antes exclusivamente entre os portos dos Estados Unidos e Liverpool, foram animar, como ainda hoje animam, a navegagáo do Mar Vermelho e do Mar das Indias. Todavía a America pouco soffreu com a alteragáo por que passou o com- mercio de um producto que, até entao, constituía a parte mais importante da sua exportagáo, e mediante o qual parecía conservar dependente d’ella todo o mundo. As forgas que ficaram disponiveis emprega- ram a sua actividade n’outros géneros deproducgóes, e poucos annos de privagáo bastaram para elevar á mesma altura a verba da exportagáo americana. Hoje a parte que este paiz toma no commercio cosmo- 91 polita é mais brilhante ainda que antes da guerra civil. Avista da importancia extraordinaria doeommercio cosmopolita, e animados pelo desejo de verificar a parte que tomam na permutado internacional alguns dos portos mais importantes de Inglaterra, principalmente Liverpool e Hull, as commissoes locaes d’estas pragas tentaram na primeira exposicáo universal de Londres em 1851 o ensaio tao interessante quanto instructivo, de apresentar um quadro que mostrasse á primeira vista a extensáo do commercio effeetuado por aquelles portos, bem como as mercadorias que o con- stituem, representando os productos doeommercio de importado e de exportado, por meio de amostras, junto ás quaes havia as indicares necessarias relativas ásquantidadesimportadaseexportadas,suaprovenien- cia e mercados, pregos, etc. Apesar do curto espago de tempo e dos meios restrictos de que estas com- missoes podiam dispor para a realisagáo d’esta idea, nem por isso o ensaio deixou de ser coroado com o melhor éxito, e as exposigóes addicionaes tornaram- se para o publico em geral, assim como para os ho- mensespeciaes, taouteis como instructivas. Emquanto assim se manifestava aos olhos do primeiro o quadro do commercio d’esses portos com os portos estran- geiros, habilitando-o a apreciar resultados que antes só eram conhecidos pelos negociantes e estatisticos, os últimos achavam ali occasiáo de augmentarem os 92 seus conhecimentos quanto ás procedencias e mercados dos productos, e até mesmo de fazerem entrar no circulo das suas combinaQóes géneros que até entao lhes eram desconhecidos. Liverpool realisou pela segunda vez esta idea na exposiQáo universal de Londres em 1862; e na expósito que se celebrou no Havre em 1868, este mesmo pensamento, proposto pelo director geral abaixo assi- gnado, entao vice-presidente da referida exposiQáo, foi realisado de modo mais perfeito por meio de re- presentaQoes graphicas. Urna exposiQáo similhante que houve em setembro ultimo na cidade de Trieste obteve tambem a mais viva approvacáo. No Havre como em Trieste foram essas mesmas secQoes que formaram os pontos mais brilhantes das ditas exposiQÓes. A exposiQáo universal de Yiennaem 1873, querendo desenvolver esta idea, tornará bem patente a parte que toma no commercio universal cada um dos portos e mercados mais importantes do globo. Esta exposiQáo addicional constará de urna collec- Qáo completa de amostras e de modelos de todas as materias brutas ou auxiliares, assim como de todos os productos que formam os objectos de commercio dos portos principaes e dos mercados mais importan- tesdointerior(Leipsic,Nischney-Novogorod,Kiatchta, etc.) Cada amostra será acompanhada das indicaQoes se- guintes: 93 1. a Procedencia e mercados; 2. a Quantidades importadas e exportadas; 3. a Prego medio no local da producgáo durante o anno de 1871; máximum e mínimum dafluctuacao dos pregos no mesmo anno; 4. a Maneira de se utilisar (sómente em dados ge- raes). Pelo que diz respeito á segunda parte d’esta ex- posigáo—as indicagóes graphicas — deveráo consistir no seguinte: 1 . a A parte que toca a cada paiz no commercio total de cada urna das mercadorias especiaes; 2. a As fluctuagoes na exportagáo das principaes mercadorias de cada paiz comparada com a fluctuagáo do commercio total de cada urna das mercadorias; 3. a Quadros demostrativos do encarecimento das mercadorias entre o productor e o consumidor. Só se trata aqui, bem entendido, do augmento de prego operado no tempo em que os productos figuram como objectos de commercio universal, de maneira que só se deveráo tomar para termo definitivo e regulador das apreciagoes os mercados universaes e nao os logares de producgáo e de consumo; 4. a Quadros demostrativos do commercio universal em grande e na sua totalidade, sem referencia ás diversas especies de mercadorias; mappas synopticos representando a parte que cada paiz toma no commercio geral; mappas representando o commercio dos 94 diferentes paizes entre si; mappas estalisticos relativos á navegagáo, transportes de mercadorias e seguros; mappas eoncernentes ás íluctuaQoes dos precos correntes entre as pracas de commercio mais importantes, etc. Os quadros graphicos acima mencionados que nao podérem fundar-se em um grande numero de annos, deveráo tomar por base os números medios que representaren! as transacgóes do ultimo decennio; seria igualmente para desejar que se juntassem aos qua- dros d’esses dez annos os números relativos aos annos em que o commercio attingiu um máximum ou um mínimum. 42. Praterstrasse.—Novembro 30, 1871.—Vien- na.=0 presidente da commissáo imperial, Archiduque Régnier. = 0 director geral, Bardo de Sckwarz- Senborn. 1. ° A commissáo central para execuc-ao do programóla acima publicado póe a superficie horisonta! de 6 metros quadrados á disposigáo do expositor que se obrigar a expor a colleccáo de amostras e modelos de todas as materias brutas ou auxiliares, e de todos os productos que sao principaes elementos de commercio dos nossos portos principaes e dos mercados do interior. 2. ° A mcsma commissáo central dispoe de 12 metros quadrados de superficie vertical para a exhi- 95 bii^ao de quadros graphicos estatisticos officiaes do nosso commercio interno e externo, junto ao local escolhido para a exposicáo das referidas amostras e modelos, sendo estes quadros apresentados por conta da commissáo. 3. ° A commissáo central poderá fornecer ao expositor das amostras e modelos, que satisfizer ás conduces d’este programma, todas as estatisticas e in- formaQoes officiaes existentes ñas repartieres publicas que elle requisitar para dar cumprimento ao mesmo programma. 4. ° O expositor disporá de urna loja de 5 metros, com subterráneos para depósitos, no pavilháo das provas, podendo aproveitar-se d’ella para a venda de productos a retalho, nos termos do programma respectivo, que foi publicado no Diario n.° 288, de 19 de dezembro ultimo. As pessoas que pretenderem encarregar-se d’esta secgáo da exposicáo, que se pode considerar como principal base de urna agencia commercial importan- tissima, deveráo apresentar as suas proposlas ao con- selho director da commissáo central, no ministerio das obras publicas, até 10 de fevereiro próximo, sa- tisfazendo ás seguintes clausulas: 1. a Apresentaráo com as proposlas os planos de organisafáodas colleccoes das amostras e modelos; 2. a Indicaráo os géneros cuja venda pretenderem effectuar na loja; 96 3. ° Obrigar-se-háo a apresentar as ditas collecgoes ao commissario regio em Vienna, promptas para serení installadas, por conta do expositor, até 15 de abril próximo; 4. a Obrigar-se-háo ao pagamento de urna renda pelo aluguel da loja. Será preferido o expositor que offerecer maior renda. Este pagamento será effectuado no dia em que se firmar o contrato. As collecgbes ficaráo pertencendo ao estado. O transporte será por conta da commissáo, se o emprezario apresentar os volumes respectivos antes da salda dos outros volumes destinados para a expósito. Sala da commissáo, em 20 de janeiro de 1873.= O secretario, Joáo Palha de Faria Lacerda. O conselho director da commissáo central ainda mais urna vez pede aos srs. expositores que remet- tam os productos que desejam mandar para Vienna de Austria com a maior brevidade para a casa da fa- zenda do ministerio da marinha, e que náo só mandem as respectivas guias, mas todos os esclarecimentos que tiverem por convenientes para a organisagáo do 97 catalogo, que deve conter o maior numero de indicares em referencia aos productos expostos. Tambem se pede aos srs. expositores que déem ao conselho director as explicares que tiverem por necessarias sobre o modo de expor os productos. Sala da commissao, em 4 de fevereiro de 1873.= O secretario, Joño Palha de Faria La cerda. O conselho director chama a attengao dos interes- sados para o programma especial, pelo qual se ha de regular o concurso para a distribuigao de premios aos contramestres de fabricas e aos operarios de mérito distincto. EXPOSITO IMSAL DE 1873, EM VIEHHA DE AUSTRIA CONCURSO PARA CONTRAMESTRES E OPERARIOS DE MERITO DISTINCTO A sociedade industrial de Vienna deliberou distribuir, por occasiao da exposigao universal que ha de celebrar-se em 1873, certo numero de medalhas aos contramestres beneméritos dos paizes estrangeiros, que ali enviarem os seus productos. As condigoes e regulamento para este concurso contéem-se no programma seguinte publicado pela sociedade industrial. 98 PROGRAMMA Ñas anteriores exposigoes de Londres e de París os productos technicos expostos foram¡ quasi os uni-, eos recompensados e, alem dos industriaes respectivos, receberam tambem recompensas alguns cooper radores eminentes por elles designados. A exposigao universal de París em 1867 introdu- ziu urna innovagáo importante no systema de distri- buigáo das recompensas, organisando urna secgao especial do grupo X, onde fossem expostos, alem dos productos industriaes propiciamente ditos, todos os objectos que parecessem proprios para melhorar a condigáo physica e moral do povo, e principalmente para augmentar os gosos da classe operaría. Ao mesmo tempo foi destinado um grande premio áquelle em que um jury especial reconhecesse o mais elevado merecimento com relagáo aos pontos acima mencionados. Por este modo fez-se justiga aos dotes moraes dos mestres para com os operarios, mas ninguem pen- sou em recompensar os merecimentos, nao menos dignos de consideragao, que os operarios podiam ter adquirido a par de seus mestres. Este ponto importante que, por admiravel acaso, nunca foi tomado em consideragao ñas exposigoes anteriores, tem sido desde o anno de 1840, objecto 99 de toda a atiendo de um dos fundadores da socieda- deindustrial de Vienna. Queremos fallar do eminente industrial, o sr. Miguel Spoerlin, que propoz no mesmo anno á referida sociedade se distribuissem premios aos contrames- tres beneméritos, e tambem aos oííiciaes que em certas industrias costumam substituil-os. Assim é que o sr. Spoerlin creou o concurso periódico, que existe desde entáo, e cuja actividade nao tem sido interrompida. «Ha, afora a liabilidade technica (foi assim que o sr. Spoerlin motivou a sua benéfica proposta), outro mérito dos operarios, que nao chega ao conhecimento da sociedade industrial da Baixa Austria, nem ao do governo, e que por conseguinte nao pode ser recompensado ; mérito que se manifesta obscuro e desconhe- cido ñas nossas oíficinas, mas que contribue consi- deravelmcnte para a prosperidade de um estabeleci- mento industrial. Este mérito é o que adquirem os contramestres distinctos pela sua fidelidade e dedicado. Estes, cumprindo os seus deveres com r zélo e semprc de boa vontade, cuidando sem descanso da prosperidade da empreza, e da fortuna do seu patrao, sendo sempre medianeiros entre este e os seus subordinados, estes oííiciaes industriaes escolhidos, como corpo selecto d’entre os operarios mais habéis e mais graduados, sao certamente os mais dignos de reconhecimcnto c de urna recompensa publica.» 100 Longos annos de servido, prestado com fidelidade e sem nota, zélo e solicitude pelos interesses do pa- trao, direcgáo enérgica, e benévola ao mesmo tempo, dos operarios seus subordinados, moralidade nunca desmentida, tendencia para desenvolver a propria educado, e o ensino proveitoso dos aprendizes que lhes foram confiados, tudo isto junto, constitue os títulos que dáo direito aos contramestres, e aos seus immediatos, para tomarem parte no concurso para os premios distribuidos pela sociedade industrial de Vienna. A sociedade industrial já tem celebrado sete d’es- tes concursos, geralmente com intervallos de cinco annos, tendo sido o ultimo em 1870. O resultado foi táo satisfactorio que a sociedade teve de distribuir 267 exemplares da grande medalha de prata a veteranos beneméritos do trabalho, pertencentes ás dif- ferentes provincias do imperio de Austria, e a quasi •todos os ramos da industria. Se este signal visivel de urna recompensa honorífica, conferida por urna sociedade estabelecida para patrocinar o progresso industrial, e por homens da industria e da sciencia, encheu os premiados de legitimo orgulho, e de justo sentimento de estima por si proprios, foi ao mesmo tempo um vivo estimulo para despertar emulagao nos collegas dos que tinham obtido distinccoes, e o effeito nao falhou. A experiencia adquirida no decurso de mais de 101 trinta annos tem provado por mais de urna vez, e do modo mais evidente, a poderosa influencia dos concursos para os premios da sociedade industrial de Vienna aos nossos cooperadores industriaes. Hoje que todos os circuios industriaes do mundo se preparam para tomar parte na exposicáo universal do anno próximo em Vienna, com o fim de alean-, §arem os premios que a habilidade dos productores, ou a utilidade dos productos, justamente merecerem, a sociedade industrial de Vienna faz esforcos tambem para contribuir com a sua modesta parte para as recompensas destinadas a reconhecer o mérito industrial. Alem do concurso para os contramestres e seus immediatos da monarchia austríaca, cujos termos téem feito approximar mais uns dos outros, a sociedade tenciona, em conformidade com o carácter internacional da exposigáo universal, destinar um certo numero das suas medalhas para contramestres da industria estrangeira que se fizer representar em Vienna. Estas medalhas serao distribuidas, segundo a intengao do fundador, como premio aos industriaes beneméritos estrangeiros, mediante proposta das commissóes de exposicáo dos paizes respectivos. Lanzando urna vista de olhos retrospectiva para os successos de ha trinta annos, a sociedade industrial de Vienna julga poder confiar em que a semente por ella esparzida, para fazer apreciar os merecimen- 102 tos moraes dos operarios, tem fructificado, e espera que os circuios dos industriaes estrangeiros nao recusarlo apreciar os seus estorbos n’este ponto. A so- ciedade convida-os por conseguinte, no seu proprio interesse, a que se dignem prestar todo o seu auxilio ao concurso do anno de 1873. 42, Praterstrasse.— 30 de dezembro de 1872.— Vienna.= 0 director geral, Bardo de Schwarz-Sen- born. Sala da commissáo, 5 de fevereiro de 1873.=O secretario da commissáo, Joáo Palha de Faria La- cerda. ü conselho director da commissáo central recebe propostas para fretamento de navio a vapor que es- teja ñas circumstancias de transportar, nos primeiros dias de marco, os productos destinados á exposigáo universal de Yienna de Austria de Lisboa a Trieste. As propostas devem ser apresentadas até ao dia 12 do corrente. Sala da commissáo, 6 de fevereiro de 1873.= O secretario do conselho, Joáo Palha de Faria La- cerda. O conselho director pede com a maior instancia aos srs. expositores, que aínda nao remetteram os seus productos para a casa da fazenda do arsenal de m marinha, que o fagam até ao dia 2 do próximo mez de marco, praso improrogavel para a recepgao, por isso que oumbarque dos productos tem de comegar immediatamente. Sala da commissao, 21 de fevereiro de 1873.= O secretario, Joao Palha de Faria Lacerda. DECRETO Attendendo ao merecimento e mais circumstan- cias, que se reunem na pessoa do conselheiro Joa- quim Henriques Fradesso da Silveira, antigo deputa- do da nagáo portugueza, lente da escola polytechnica e vogal do conselho geral das alfandegas: hei por bem nomeal-o para, na qualidade de commissario regio de Portugal, assistir á nova exposigáo universal e internacional, que ha de celebrar-se em Yienna de Austria, no mez de maio do anuo corrente, confiando que o referido conselheiro, n’esta importante commissao de servigo publico, dará novas provas do seu zélo e intel- ligencia, concorrendo para que o paiz seja dignamente representado, e as nossas industrias colham o melhor resultado d’este novo concurso. O ministro e secretario d’estado das obras publicas, oommercio e industria o tenha assim entendido e faga exncutar. Pago, em 1 de margo de 1873 .=Rei.= Antonio Cardoso Avelino. 104 OFFICIO Ill. m0 e ex. m0 sr.—Tenlio a honra de remetter a v. ex. a as instrucgóes juntas para o servigo do commissariado de Portugal na exposigao universal de Vienna. Inútil é dizer que estas instrucgóes nao significam senáo a indicagáo geral, porque pontos de servigo ha que nao podem previamente ser indicados. O commissario regio tem a seu cargo a superior inspecgáo de tudo quanto é relativo á exposigao da nossa secgáo, en’este sentido deve dirigir o servigo do commissariado, empregando todos os meios ao seu alcance para que Portugal colha as maiores vantagens d’este novo concurso industrial. A inteligencia e zélo de v. ex. a tornam desnecessarias mais ampias instrucgóes. Deus guarde av. ex. a Direccao geral do commercio e industria, 6 de margo de 1873.—Ill. mo e ex. m0 sr. conselheiro Joaquim Henriques Fradesso da Silvei- ra.=0 director geral, R. de Moraes Soares. Instrucgóes para o servigo do commissariado de Portugal na exposigao universal de Vienna de Austria Artigo l.° O commissario regio representará osin- teresses económicos do paiz na exposigao universal de Vienna de Austria, e terá ao seu cuidado a superior 105 inspecgáo de tudo quanto diga respeito á expósito dos productos portuguezes. Art. 2.° A guarda e conservagáo dos productos fica tambem sujeita á superior inspecgáo do commis- sario regio, sendo para este fim coadjuvado por um fiel, por elle proposto, e pelos guardas que o servigo tornar necessarios. Art. 3.° Ao commissario regio pertence tambem prestar todas as informagóes, pedidas pelo commer- cio, acerca dos productos portuguezes, dirigir toda a correspondencia com o governo, com os expositores, com a commissao imperial austro-hungara, e com quaesquer outras pessoas que se lhe dirijam para assumptos relativos á exposigáo. Para este fim será coadjuvado por um amanuense por elle proposto. Art. 4.° O commissario regio tem á sua disposigáo um crédito para as despezas necessarias em Yienna de Austria, e todos os pagamentos seráo por elle au-, ctorisados. Art. 5.° Finda a exposigao o commissario prestará conta documentada de todas as despezas. Art. 6.° O commissario regio, alem do servigo administrativo, de que é incumbido, procurará, nos limites do que for possivel em um vastissimo concurso de industria, conhecer: 1.° Quaes sao as industrias que mais convem favorecer em Portugal e suas possessóes e quaes os meios adequados para se conseguir este resultado; 106 2. ° Quaes sao os mercados estrangeiros, que po- dem offerecer mais ampio e fácil consumo aos nossos productos; 3. ° Quaes os meios mais adequadospara promover o progresso de todas as industrias em Portugal. Art. 7.° As informagóes pedidas pelo jury internacional, ácerca dos productos da exposigáo portugue- za, fazem tambem parte do servigo do commissario regio. Art. 8.° O commissario regio, de accordo com a commissao imperial austro-hungara, designará as classes em que deveráo figurar os jurados portugue- zes. Art. 9.° Terminada a exposigáo o commissario regio apresentará um relatorio do servigo feito em vir- tude d’estas instrucgoes. Direcgáo geral do commercio e industria, em 6 de margo de 1873.=O director geral, R. de Moraes Soares. Ill. rao e ex . m0 sr. —Tenho a honra de participar a v. ex . 4 que chegámos hoje a esta cidade, com oito dias e dez horas de viagem, que foi regular no canal de Inglaterra, e trabalhosa na Biscaya e no mar do Norte. Segundo o contrato devo receber os productos em Vienna, mas considerando que no dia da partida entra- ram a bordo do Messina muitos volumes sem marca, procedentes do Porto, e attendendo á conveniencia de regular desde já melódicamente o servido, resolvi dividir o pessoal em duas seccóes, que alternadamente assistem á descarga, tomando nota dos volumes. O mappa, que por este modo se forma, será remettido por copia para Lisboa, e para Vienna, devendo servir ñas conferencias preliminares. Hoje sao dirigidas para Vienna as primeiras com- municaQoes telegraphicas e postaes, relativas á ex- 108 pedigao dos productos, e ao alojamento do pes- soal. Deus guarde a v. ex. a Hamburgo, 18 de margo de 1873. — Ill. ra0 e ex. mo sr. conselheiro Antonio Cardóse Avelino, ministro das obras publicas, commercio e industria. = O commissario regio, Joaquim Henri- ques Fradesso da Silveira Ill. mo e ex. mo sr. —Tendo v. ex. a determinado que no caes de Hamburgo se procedesse a urna rigorosa conferencia de todos os volumes carregados em Lisboa a bordo do vapor Messina, com destino á expo- sigao universal de Yienna de Austria, cumpre-me levar ao conhecimento de v. ex. a a maneira como foi des- empenhado este servigo. Logoque o barco de vapor fundeou, no dia 18 do corrente pelas sete horas da manhá, dirigi-me ao commandante do navio, para saber qual a hora em que a descarga principiaría, e tendo sabido que esta teria logar em acto continuo, tratei immediatamente de prevenir o nosso pessoal, e de dispor as cousas por forma tal que nao houvesse inconveniente algum no cumpri- mento das ordens de v. ex. a Nenhum dos empregados se afastou de bordo, antes pelo contrario todos rece- beram de bom grado as ordens que lhes transmitti, esquecendo rápidamente os incommodos motivados 110 por urna trabalhosa viagem, como foi aquella que acabavamos de fazer. Por circumstancias alheias aos nossos desejos, e fundadas, creio eu, a descarga só teve cometo á urna hora da tarde, sendo effectuada por meio de guindastes tocados a vapor, e simultáneamente pelas es- cotilhas de ré e de proa. Para que o servido corresse com a maior regularidade possivel, foi o pessoal dividido em duas secgñes, ficando eu com a directo da primeira, e o meu collega o sr. Manuel Antonio Pinto Leal com a da segunda, na escotilha da proa. Este tra- balho durou, sem interrupQáo, até ás sete horas da noite, tendo-se feito a descarga de um grande numero de caixas com vinho do Porto, e de muitos armarios. No dia seguinte ás cinco horas e trinta minutos da manha já todos estavamos a bordo, e meia hora de- pois o servido continuou, correndo todo o dia com urna admiravel actividade, e felizmente livre de cir- cumstancia alguma que nos desgostasse, fmalisando, como na vespera, ás sete horas da noite, e tendo apenas a interrupgao de meia hora para o almoco, e urna hora para o jantar. Assim continuou a nossa tarefa até o dia 21, ás oito horas da noite. Tendo finalisado a primeira parte da nossa missáo, dirigi-me, acompanhado do meu collega Costa Ramos, com todas as notas tomadas durante a descarga, para a casa de v. ex. a em Hamburgo, a fim de as conferir- ili mos com a factura e mais documentos existentes em poder de v. ex. a , conferencia que durou até depois da meia noite, e como se notavam algumas differengas nos volumes carregados á ultima hora, vindos do Porto, e de outros pontos do paiz, muitos dos quaes deram entrada a bordo sem marca, ou designagáo al- guma, fomos no dia seguinte passar urna nova revista, e fazer nova conferencia, da qual resultou encontrar- mos 2:774 volumes, isto é, o numero descripto nos documentos que v. ex. a possue. Aquí está singelamente descripta a forma como fo- ram desempenbadas as ordens de v. ex. a , restando-me sómente confessar que, apesar de ter sido trabalhosa a tarefa, pelas muitas horas de servido seguido, depois de urna táo longa viagem, apenas com o indispensavel descanso para duas refeigoes diarias, e sempre sob a accáo de um intensísimo frió, poisque trabalhava- mos cercados de gélo, todo o pessoal compareceu á hora indicada, com a melhor vontade para o trabalho, colhendo-se d’esta boa cooperado o resultado que tenho a honra de depositar ñas maos de v. ex. a , esperando que v. ex. a se dignará desculpar-nos se elle nao for em tudo conforme com os seus desejos. Deus guarde a v. ex. a Hamburgo, 23 de margo de 1873. — Ill. mo ex. mo sr. conselheiro Fradesso da Sil- veira, commissario regio de Portugal na exposigáo universal de Vienna de Austria. = Jeronymo Ferreira da Silva, addido ao commissariado. n: 4 Entre Henrv Burnay, e o conselho director da com- missáo central encarregada dos trabalhos preparatorios para a exposicao universal de Vienna de Austria, é convencionado o seguinte: 1. ° O sr. H. Burnay terá á sua disposigao, na ex- posigao universal de Yienna de Austria, a loja de que dispoe o commissariado de Portugal, no pavilháo das provas, para os fins indicados no programma n.° 65 do regulamento da commissáo imperial Austro-Hun- gara. 2. ° O mesmo senhor obriga-se a organisar, por sua conta, ou por conta de pessoas de sua confianza, o pessoal necessario para a explorado da loja, ñas con- diQoes do programma da commissáo austro-hungara, e a fazer todas as despezas necessarias, como seguro marítimo, e contra incendio, installacáo, e outras; porque o commissariado de Portugal, auctorisado pelo 8 114 governo, apenas concede o uso gratuito da toja, salva a restricgáo do artigo 6.° d’este contrato. 3. ° O governo concede transporte gratuito, até Yienna de Austria, para os productos já expedidos pelo sr. Burnay para o fornecimento da loja; mas as des- pezas do retorno dos que nao forem vendidos será o por conta do sr. Burnay, podendo porém aproveitar- se das vantagens e reducgoes de tarifas, de que go- sarem todos os productos da exposigáo, que finda esta teráo de ser removidos. 4. ° O sr. Burnay pagará o transporte dos objectos proprios para o fornecimento da loja, que aínda nao foram expedidos, guiando-se, quanto possivel, pelas indicacóes, que lhe foram dadas pelo sr. commissario regio Fradesso da Silveira. 5. ° O concessionario fica igualmente obrigado ao pagamento dos direitos e despezas das alfandegas em Yienna de Austria, segundo os regulamentos da com- missáo imperial. 6. ° O concessionario sr. H. Burnay, para indemni- sagáo do prego da renda da loja, pagará 3 por cento das vendas, que realisar na loja. 7. ° Finda a exposigáo o sr. Burnay apresentará um minucioso relatorio de todas as operagoes commer- ciaes, que realisar, e do modo como foram recebidos, tanto em Vienna, como nos diversos mercados, que percorrer, os nossos vinhos. Este contrato é assignado em duplicado pelo con- lio cessionario acima nomeado, e pelo secretario da com- missáo, e está approvado por despacho de s. ex. 3 o ministro com data de 24 de margo de 1873. Sala da commissao, em 24 de margo de 1873.= Jodo Palha de Faria Lacerda, secretario = Henri- que Burnay. * mmrnmmmmm % lll. mo ex. m0 sr.—De Hamburgo dirigí a minha pri- meira communicagao official a s. ex. a o ministro das obras publicas, commercio e industria, participando a chegada, dando noticia dos servidos que ordenára, e annunciando-lhe a remessa das copias das relagoes ou mappas de descarga. Terminada a descarga, e tendo apparecido consideraveis difiérenos, a que deu logar, como devemos suppor, a recepgáo, á ultima hora, de voiumes sem marca, que vieram do Porto, e do caes do Aterro, resolví adiar a remessa das referidas copias, esperando nova conferencia, que se fará logo que sejam recebidos em Vienna todos os voiumes que vieram pelo Messina. É longo, diffici!, e fastidioso, o trabalho de conferencia, quando ha de coincidir com o da arrumaco, e postoque eu comprehenda que sejam ahi esperadas com anciedade as noticias de Vienna, nunca sacrifica- 118 rei a urna correspondencia de mui duvidosa utilidade o tempo, que todo é pouco para o servido das instal- íagoes, que devemos em pouco tempo concluir, e que se tem adiantado á custa dos admiraveis esforgos de um pessoal dedicado. O barao de Schwarz-Senborn, director geral da exposigáo, procurou-me ha dias, no escriptorio do Prater, para me felicitar pela belleza da mobilia, e pela rapidez da installagáo. De todas as pessoas competentes recebemos continuadamente louvores, pelo que temos conseguido fazer, apesar do servigo irre- gularissimo das vias férreas, e da indolencia natural dos trabajadores tyrolezes, e em geral de todo o pessoal obreiro, que devemos empregar. Fico sciente das communicacóes, que v. ex. a me dirige em relagao aos commissarios honorarios. O jury ha de reunir-se no dia 15 de junlio, e terminará as suas funcgoes no fim de julho 1 . Nao tendo aínda aqui o catalogo, nada mais posso dizer em relagao á divisáo do servigo por grupos. Deus guarde a v. ex. a Vienna, 15 de abril de 1873.—IU. mo ex. mo sr. conselheiro Joáo Palha de Paria Lacerda.=0 commissario regio, Fradesso da Sil- veira. 1 Omitte-se a parte do officio que nao se refere ao assum- pto para que este documento foi citado. Iil. mo ex. m0 sr.— De Hamburgo tive a honra de enviar a v. ex. a a noticia da chegada do pessoal d’este commissariado, e dos productos destinados á expo- sigáo em Vienna. No dia 29 do passado expedí, por Malta e Gibral- tar, um telegramma, no qual communicava a v. ex. a que estavamos preparados para a abertura das galerías, apesar de todas as contrariedades e demoras. • Hoje, porque só hoje posso dispor de alguns minutos para a correspondencia, venho muito respetosamente communicar a v. ex. a que os meus es- forgos, e as diligencias efficacissimas do pessoal, que me acompanha, tiveram todo o desejado éxito. As nossas galerías, comquanto muitas installagoes estivessem provisoriamente estabelecidas, eram das poucas francamente abertas á circulado. Sua alteza imperial o archiduque Carlos Luiz, que as visitou varias vezes, antes da abertura, e que tinha perfeito 120 conhecimento do successivo adiantamento dos nossos trabalhos, dirigiu-me as felicitacóes mais agradaveis pelo resultado obtido. Suas Magestades Imperiaes, os Principes seus hospedes, e especialmente Sua Alteza Imperial a Princeza Victoria, de Allemanha, examina- ram com a maior attengáo a nossa modesta galeria industrial, e dignaram-se dar-me lisonjeiras demonstrares de satisfago. Depois da abertura solemne, e da visita imperial, foi permittida ao publico a eirculag.áo ñas galerias, e as nossas foram mui favoravelmente apreciadas pelo efifeito geral das installagóes, e pela qualidade das mercadorias expostas. De alguns productos nossos a venda seria consi- deravel aqui, se os productores podessem fazer a tempo os fornecimentos, emquanto fosse universal o mercado. Sobre este ponto eu direi opportunamente o que me parecer acertado. Os nossos quadros graphicos sao acolhidos com enthusiasmo. Ha um milito grande, que mandei fazer aqui, representando as entradas e saídas geraes das mercadorias pelas alfandegas do paiz, e dois, tambem grandes, porém de menores dimensóes, que hontem foram inaugurados na galeria agrícola. Um d’elles representa a exportado do vinlio do Douro, e ficou sobre a installagao collectiva d’este producto. O outro representa a exportacáo do gado, e ficou em frente do primeiro, sobre os productos agrícolas. 121 Na galería agrícola tivemos de conquistar espado, e agora occupo-me em a completar, separando as installagoes dos diversos productos. A demora da chegada dos volumes pertencentes á casa da escola primaria, em consecuencia do pessimo servido das vias terreas, retarda aínda talvez por quinze ou vinte dias a installagáo dos productos do grupo 26. Todas as nagoes em geral estáo em atrazo n’este grupo. A sua importancia, e o que vejo aquí preparado, obriga-me a communicar a v. ex. a , que o interesse do servigo publico, da instruccáo primaria principalmente, justificaría urna especial missao, confiada a pessoa competente, cuja provada aptidáo para estudos d’esta ordem fosse garantía segura. Pego li- cenga.para recommendar muito particularmente este assumpto á consideragáo do governo. Causa grande transtorno a demora do catalogo, que tenho esperado com a maior anciedade e natural impaciencia, poisque nenbuma rasao ha quejustifique urna tal demora estando o trabalho concluido em Lisboa, como de ha muito está, segundo me consta. Quando elle chegar, abreviarei quanto for possi- vel a ,sua impressáo e publicagáo, fazendo n’este caso, como sempre, as maiores diligencias para que o nosso paiz seja apreciado justamente. Occupado n’esta lida, tendo aínda a concluir o ser- vigo da installagao, havendo já principiado o do estu- do, e .devendo fazer muitos preparativos para o do 122 jury, cujos membros aqui devem estar até 10 do mez próximo, pego a v. ex. a que me desculpe o laconismo da correspondencia, e algumavezafallad’ella. Deus guarde a v. ex. a Yienna de Austria, 3 de maio de 1873.—lll. ra0 eex. mo sr. conselheiro Antonio Car- doso Avelino, ministro e secretario d’estado dos negocios das obras publicas, commercio e industria. = O commissario regio, Fradesso da Silveira. «111. mo ex. m0 sr.—Accuso a recepgao do ofíicio, que v. ex. a me dirigiu em data de 3 do corrente, dando conta da abertura da exposigáo universal de Yienna, e do modo honroso por que estavam dispostas as nos- sas galerías no dia da solemnidade da inaugurado. Em meu nome, em nome do governo e do paiz, agradego a v. ex. a todos os seus esforgos para que a nossa secgao tivesse os seus trabalhos táo adian- tados, avahando devidamente as difficuldades, que v. ex. a teria que vencer para conseguir o resultado obtido. Quando recebi o ofíicio de v. ex. a , acima referido, já tinha sido remettido a v. ex. a , por via marítima, o catalogo dos nossos productos, que figuram n’esse grande certamen. Dei as necessarias ordens para que fosse commu- nicado a cada um dos jurados portuguezes, que de- vem achar-se n’essa cidade até o dia 10 do próximo mez de junho, para comegarem os seos trabalhos. Significando a v. ex. a a minha satisfagáo pela intel- ligente direcgáo que tem dado aos trabalhos, que lhe estáo commettidos, o que menos nao era de esperar de v. ex. a , rogo-lhe queira manifestar ao pessoal seu subordinado, que muito aprecio a cooperagao que tem prestado a v. ex. a Deus guarde a v. ex. a Ministerio das obras publicas, commercio e industria, 14 de maio de 1873.— Iíi. mo ex. m0 sr. conselheiro Joaquim Henriques Fra- desso da Silveira, commissario regio de Portugal na exposigüo universal de = Antonio Cardoso Avelino. I r 7 «O relatorio ofíQcial será dividido em tres secgoes: a primeira comprehenderá os relatorios especiaes dos 26 grupos da expósito universal, e os das ex- posigoes addicionaes; a segunda, formando obra independente, abrangerá as exposigóes dos povos orientaes; a terceira será destinada a dar noticia dos trabalhos dos congressos internacionaes. «A introdúcelo do relatorio ofíicial compóe-se da historia da exposicao universal de Yienna, do desen- volvimento da sua organisagao, da collecgáo de suas leis, e de urna noticia de sua administragao. «Cada relatorio especial tomará como ponto de partida das suas consideracoes históricas e criticas a ultima exposigao universal de París, limitando-se a relacionar os objectos expostos, e preenchendo lacu- nas, quando assim o exigir o estado da sciencia, e o desenvolvimento industrial. 126 «Na segunda parte seráo minuciosamente descriptas as exposiQóes dos povos do Oriente, e da Asia oriental, devendo ahi ficar em relevo a sua importancia na política industrial e commercial. - «A terceira parte comprehenderá os relatorios dos congressos internacionaes, e portanto os resultados da discussao de urna serie de interessantissimos as- sumptos. (Excerpto de urna circular da direcfüo geral.) Ill . m0 e ex. mo sr.—Os commissarios e os jurados sairam hoje de Vienna para Budapest, acceitando o convite muito amavel, que a municipalidade nos di- rigiu. Nao podendo eu acceitar este convite, para nao interromper trabalhos importantes de informagao, que sao aínda necessarios para algumas seecñes do jury, aproveito os tres primeiros dias, em que me dispensam de permanecer ñas galenas, ou de assistir ás sessóes, para a continuagáo dos referidos trabalhos, empregando urna parte do tempo para varias communicagbes officiaes. Publicou a commissáo imperial, ha dias, um documento importante que modifica profundamente o meu programma do servigo de estudos: é o plano do relatorio official cuja traducgáo remetto. Por elle verá v. ex. a , que a publicagáo immediata do relatorio obriga os representantes dos paizes, que nao quize- 128 rem deixar em documento de tal ordem deploraveis lacunas, a um trabalho violento, que mais violento será para o commissario portuguez, que sem inter- rupgáo, sem ao menos algum dia de folga, principiou o servido dos jurys, quando apenas acabava o da in- stallagáo, e entra no servido penoso da redacto de informagoes especiaes, porsecgóes de grupos, quando aínda nao estáo concluidos os julgamentos, e quando apenas pode dispor de algumas horas da madrugada, ou da noite, para preparar urna nova edigáo do catalogo, porque a primeira foi apenas a copia do original, que a commissáo central mandou de Lisboa. Nao digo isto para me lastimar porque de boa vontade e alegremente fago quanto em minhas forgas cabe, mas espero que sirvam estas minhas conside- ragoes para convidar a commissáo central ao exame do programma n.° 76, que tenho a honra de remet- ter incluso, e que de um tal exame resulte a remessa inmediata, brevissima, urgentissima , de quantos elementos poderem servir-me de auxilio na collabo- ragáo de urna obra monumental, que será por assim dizer a historia e a critica do estado actual da civilisa- gáo. Nao me surprehende, e nao me contraría, esta publicagáo do relatorio geral, durante a exposigáo, porque a commissáo imperial decidiu em relacáo ao dito documento, de accordo com o meu parecer, o que tambem eu resolverá, como v. ex. a sabe, em re- 129 laQao ao meu primeiro relatorio official, e geral, que devo apresentar ao governo de Sua Magestade, e que tenciono aquí mesmo escrever, se Deus me der vida e saude para realisar todo o meu plano. Permitía v. ex. a que lhe diga o que desejo: Sirva paraexemplo a 1. a secgáo do l.° grupo, pois que se offerece na frente. Nao me parece difficil que a repartido de minas, da qual eu sempre, e com bons fundamentos, tanto tenho esperado, me remetía antes do dia 15 de agosto um mappa geral das minas concedidas, e em explorado, insistindo ñas informales estatisticas de inte- resse geral, e omittindo nomes de concessionarios, e quaesquer outros elementos que para o caso nao ser- vem. Tambem nao me parece difficil que para a segunda secgao me dé noticia especial ácerca das minas de ferro- e que para a terceira me offerega o que tiver como conveniente e como complementar da primeira. A commissáo central, composta de pessoas compe- tentissimas, se quizer ter a condescendencia de examinar attentamente o programma, ácerca de cada secgáo, resolverá o que lhe parecer acertado. Pego licenga para especialmente requerer informales ácerca dos productos do museu colonial. Arris- quei-me, pedi para elle a mais alta de todas as dis- tincgoes, depois de ter cuidado com esmero no esplendor da sua installagáo, e mal poderei justiücar-me 9 130 nao dispondo das informagoes necessarias acerca dos productos expostos. Por esta occasiáo devo sollicitar auctorisacáo para dispor de urna pequeña parte dos productos contidos nos frascos, que a dírecgáo do museu enviou, porque só assim poderemos, como convem, realisar exposi- cao permanente nos principaes museus do universo, cujas direcgoes nos pedem auxilio. Pego á commissáo a mercé de attender a estas m¡- nlias considerares, e affirmoque seja qual for o resultado, eu farei, com as informares, ou sem ellas, quanto possivel para que Portugal figure dignamente no relatorio official. Nao desconheco, porque vivo longe de mcu paiz, as difficuldades que podein ahi surgir para a execu- cáo do que pretendo. Fago porém quanto devo para que seja conhecida a sifuacáo actual, salvando a mi- nha responsabilidade, e pedindo que me desculpem se pareco importuno. Deus guarde a v. ex. a . Yienna de Austria, 20 de julho de 1873.—111. a10 e ex. mo sr. conselheiro Joáo Palha de Faria Lacerda. secretario geral da commis- sao central. = O commissario regio, Fradesso do Silveira. 8 OGTIOIS PELOS EÍPOSIMS POOTOSOEZES EXPOSITO UNIVERSAL RE VIENNA DE AUSTRIA ELMI 1S73 Números de ordena 132 Nomes GRUPO l.° 1 Exposifáo collectiva dos fabricantes de sal 2 Masón de S. Domingos (Visconde de). 3 Feuerheerd (Diederich-Mathias). 4 Museu colonial... 5 GRUPO 2.° Ministerio da marinha. 6 Abreu (Claudio da Mota e). 7 Administracáo geral das matas do reino 8 9 10 11 Almeida (José Joaquina de)... Almeida (Joaquina Ribeiro de), Al ves (Antonio Joaquina). Banco nacional ultramarino... 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Bello (Maiauel Gueifáo). Bento (Antonio José). Brandao (Antonio Joaquina de Oliveira). Brito (Joáo de). Almeida (Carlos Maria Eugenio de). Casqueiro (José Maria). Castro (Aniceto de). Cavalleiro (Luiz Joaquim). Coellao (José). Conamissáo de Monchique. (') Baroneza de Samora Corrida, Benaventc; direcfáo da companhia das lezirias do Tejo e Sado, Lisboa; Estcvüo Antonio de Oliveira Júnior, Alcochete; Silverio Augusto Pereira da Silva e Francisco Marques Moura, Aveiro. (’) Diploma de honra (a principal recompensa n’esta cxposicSo). 133 Localidades 0 ). Mertola. Bracal—Aveiro Lisboa. Lisboa. Porto de Moz. Leiria. Braga. ' Porto. 1 Redondo —Evora_ 1 Lisboa. Macáo — Abran tes_ Porto. ! Braga... ! Olivaes — Lisboa. ! Lisboa. ; Crato — Portalegre- i " Villa Nova de Foscóa . Penafiel—Porto. Monchique—Faro.... Designacao dos productos premiados Sal. Mineral- )) Sal. Collecfáo do museu colonial.. Cereaes . Collecáo de madeiras e resinas. Cereaes, legumes, etc. Cereaes. Mel. Pela sua colleccáo de productos ngricolas coloniaes. Mel. Feijoes, etc. Cereaes, etc. )> Cortica. Cereaes, etc. )) Amendoas. Legumes. Cereaes, legumes. Medalhas - ! 1 l ! - - i i - | i 1 i 3 (*) 1 Diploma de mérito Números de ordem 134 Nomes 23 24 2o 26 27 28 29 30 31 32 33 34 3o 36 Commissáo districtal de Angra do Heroísmo. Direcgao da companhias das lezirias do Tejo e Sado. Santos (José da Conceigáo). Casado (Vicente Joaquim). Coriscada (Visconde da). Córte Real (Antonio Pedro de Mendonga).— Costa (Antonio Guedes da). Costa (Sebastiao de Amida). Cunha (Manuel da). Dias (Lniz Antonio). Ruarte (Marcellino). Igreja (Manuel Antonio). Oliveira Júnior (Estevao Antonio de). Fajardo (Antonio Manuel Soares Correia). FalcSo (M. da Silva). 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 Fernandes (Joaquim Pinto). Ferreira (Antonio Joaquim). Ferreira (Joáo Moniz). Freitas (Manuel Luiz). Fortes (José Maria de Sonsa). Franco (Eduardo). Fiuza (Domingos Antonio). García A C. a (Francisco)... Geraldes (Manuel Vaz Preto). Godinho (Antonio Calca e Pina Barreiros). Gomes (Antonio V.). Gomes (Luiz Francisco). Guedes (Visconde de). Lemos (Antonio Correia)..,... Direceao da companhia das lezirias do Tejo e Sado Machado (Joaquim Ignacio de Saldanha). Maio (Manuel de Azevedo). Matos A Filhos (Antonio Telles de). 135 Localidades Dcsignapao dos productos premiados Medalhas O C £ Angra do Heroísmo... . Lishoa. . Cereaes, legumes . Fructas seccas . Bougas—Porto . Cereaes, leen mes . Arronches — Portalegre » Meda — Guarda . » Alhnfeira—Faro . Figos . Amarante — Porto - Cereaes, legumes. Ponía Delgada. .. . Tabaco . Penafiel—Porto. Cereaes, legumes. Miranda do Corvo_ )> Porto. » Povoa de Varzim. )) Alcochete—Lisboa . .. Cortica . Belmonte —■ Castello Branco . Cereaes. legumes . Santarem . » Baiáo — Porto . » Penafiel — Porto . » Gondomar — Porto. ... » Porto . » » )) Fronleira — Portalegre n Evora . » Lisboa . Lá sil ja . LouzS — Cast. 0 Branco. Mel./. . Sousel — Portalegue. .. Cereaes, legumes . Redondo — Evora . Fiaos . Povoa de Varzim . Cereaes, legumes . Evora . » Coimbra. )) Lisboa. » Benavente. » Porto... )) Evora. )) 1 ! - - ! i _ I : ! I i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i Diploma de mérito 136 137 Números de ordena Nomes 55 56 Maia (Placido Antonio da Silva Rebello de Vasconcellos). . Meirelles (Joaquina de) . 57 Soares Mendes (Luiz Antonio) . 58 Menezes (Francisco Ferraz) . 59 Mira (José Paulo). 60 Miranda (Antonio Augusto Lobo de) . 61 Miranda (Joáo Eduardo Lobo de) . 62 Monteiro (Antonio Maria) . . 63 Museu colonial . 64 Museu colonial . 65 Negráo (Jonqnim de Almeida). 66 Negráo (Joaquim de Almeida). 67 68 Oliveira (Jernnymn José de)., Oliveira Júnior (Esteváo Antonio de). 69 Pacheco (Antonio Pedro). 70 Paes e Menezes. 71 Pinheiro (Joaquina da Silva). 72 Peixoto (José Nunes). 73 Pereira (Manuel Aleixo). 74 Pereira (Manuel Aleixo). 75 Peres (Joaquim de Almeida) ... 76 Pires (Vicente Baptista) ..... 77 Portugal (Antonio Joaquim dos Reis Castro) . 78 Queimado (Izidoro Maria) . 79 80 81 Oueiroz (Jacinto de Magalháes Ramas de Aranjn). Queiroz (José de Sequeira Pinto) .. \ . Ramalho (Ignacio Fiel Gomes) . 82 Rangel (Manuel de Srmsn). 83 Rehello Valente Alien. 84 Mendes (Raymundo José) . 85 Reis (Joáo Lopes dos). t 86 Riestar Falcan A f!. a .. 87 Rocha (Félix Ferreira). t 88 Rosa (Joáo Maria) . Localidades Designagao dos productos premiados Medalhas Braga. Paredes—Porto. Belmonte. Angra do Heroísmo ... Evora. Cereaes e legumes_ )) » Tabaco. Cereaes e legumes. Lagos—Faro. Figos e amendoas. )) Campo Maior. )) Cereaes e legumes. Lisboa. » Faro. » Colleccáo de madeiras.. Cereaes e legumes. )) Boucas — Porto. Alcochete—Lisboa_ Olháo—Faro. Porto. Figos. Cereaes e legumes.... )) » Cortina. Alcobaga—J^eiria. Cereaes e legumes.... Penafiel—Porto. )) Faro. « )> Figos e amendoas. Marco de Canavezes... Cereaes e legumes. Faro. Amendoas. Gaia— Porto. Cereaes e legumes. Redondo—Evora. Mel.. Braga. Cerpa.es e legumes .... Vianna do Castello_ Evora. » Penafiel—Porto. » Porto. )) Lagoa — Faro. y> Cortina. Evora. Cereaes e legumes- Rio Maior—Santarem. )) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 138 s o ? o C5 rs o o s o 2; 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103 104 105 106 107 108 109 Nomes Santos (Ascencio José dos). Santos (Joaquim Ferreira). Soares (Manuel Eduardo de Oliveira). Silva (Antonio José da). Silva (Antonio Pereira da). Silva (Joaquina Ribeiro da). Soares (Francisco Pedro da Silva). Tello (Francisco da Silva Lobáo). Vaseoncellos (Antonio Augusto de Sousa e). Vasconcellos (D. Modesta Flaminia de). Vaseoncellos (Eduardo de Almeida Loureiro Ferreira (Antonio José). GRUPO 3.° Abrunhosa (JoSo Caetano). Caldeira (Joaquim de Albuquerque). Almeida (José Joaquim de). Almeida (José Joaquim de). Banco nacional ultramarino... (lomes (Bernardino de Barros).. Bello (Manuel Gueifáo).. Carvalho (Aiexandre Herculano de). Chaves (Joáo Agostinho Ferreira). 110 Museu colonial 111 j Commissáo official de Ponta Delgada 112 | Cunha (Joaquim Guilherme da) .... 139 Localidades Valenfa — Vianna do Castello. j Val longo—Porto...... ! Evora. j Boufas — Porto. IPenanel—Porto. j Vallongo — Porto. ' Faro. ! Arronches. 1 Baiáo—Porto. i Tábua — Coimbra. : Vizeu.. Gondomar. Castello Branco- Alpedrinha. Braga. Braga. Lisboa. Sanlarem. Mafáo — Santarem, Santarem.. Faro.. Lisboa. Ponta Delgada.. Castello Branco. Designado dos productos premiados Medalhas Cereaes e legumes ., Amendoas e nozes... Cereaes e legumes... Azeite. » Cera. Azeite. Productos chimicos... Azeite. Um quadro representando urna prensa para fazer oleo de amendoas doces. Collecyáo de productos que poden) ser appli- cados com proveito para a industria. Aguas mineraes. Azeite. 32 57 1 1 - i * - 1 ; 1 ! 1 Diploma de mérito 140 s O © H3 C Nomes 113 114 lio 116 117 118 119 120 121 122 123 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 Esperanca (Visconde da, José)... Duarte (José Ferreira). Geraldes (Manuel Yaz Preto). Godinho (Antonio de Calca e Pina Barreiros). Gouveia (José Ignacio Homem).... Jesús (Manuel Vicente de). Martins (Manuel). Vaseoncellos e Maia (Placido Antonio da Silva Rebello Coelho de). Miranda (Joáo Eduardo Lobo de). Mesquita (Joáo Marcellino de).. Monteiro (Antonio Vaz). Museu colonial. Prime (Visconde de). Museu colonial... Queiroz (José de Sequeira Pinto). Saraiva & Botelho. Serzedello & C. a .-.. Silva (Joaquina Nunes). S. Pedro do Sul (Visconde de) ....... Villas Boas (D. Francisca Peixoto). Empreza das aguas de Vklago. GRUPO 4.° 134 135 136 137 138 130 140 141 142 Rebello Val ente Alien. Almeida (José de Freitas de). Almeida (Antonio Vicente Fernandes de). Almeida (José Joaquina de)..... Almeida Júnior & Irmáos (Antonio'Nicolau de) Coutinho (Fernando Affonso de Almeida). Pessanha (Joáo de Almeida Moraes). Negráo (Joaquina de Almeida). Pereira (Antonio de Almeida).. 141 Localidades Medalhas Designado dos productos premiados Evora. » Louzá—Castello Branco Souzel — Portalegre... Vizeu. Lisboa. Vallongo—Porto. Povoa de Lanhoso Azeite. Pharmacia. Azeite. )) » Pilulas de ferro. Cera. Azeite. Faro. Angra do Heroísmo ... Santarem. Lisboa. Vizeu\. Lisboa. Vianna do Castello.... Villa Pouca de Aguiar Lisboa. Elvas. Guarda. Porto... i Lisboa. Sabáo. Azeite. Oleos. Azeite. Cera. Azeite e cera. Aguas mineraes. Productos chimicos ... Azeite. » » Aguas alcalinas. 1 1 3 Porto. Condeixa. Benavente —Santarem Braga. Porto. Cantanhede — Coimbra Villa Real Faro. Vizeu.... Aguárdente. Vinho. » Aguárdente e azeite... Vinhos. » » )) 3 1 1 1 m I •S o Nomcs 143 i Al ves (Antonio Joaquim). 144 j Araujo (Luiz Máximo).,. 145 i Ferreira Barata (Domingos Manuel de Mello). 146 ¡ Barros (Luiz Xavier). 147 | Bello & C. a . 148 j Bello (Manuel Gueiíáo)..... 149 Brito Joáo de).. 150 | Brito (Joáo de). 151 ! Capello (Félix de Brito). 152 ¡ Caldeira (Joaquim de Albuquerque). 153 154 | 155 ¡ |¡ 156 ! I’ 157 ! ¡i 158 ; '! 159 ! 1G0 ! , 161 ¡ 162 1 ; 163 ; ¡ 164 i i 16 o | !' 166 : ¡¡ 167 i ! ! 168 j 169 ; ! 170 i ! 171 ' ¡ 172 1 ! 173 ¡I174 ; Calvario (Baráo do).". Queiroz ( Joaquim Lefio Carneiro de). Carnide (Viseonde de). Carvalho (Alexandre Herc ulano de). Casqueiro (José María). Camara municipal de Vizeu. Chaves (Joáo Augusto Ferreira). Dias (Joaquim Coelho). Governo geral da provincia de Angola... Commissáo de Monchique. Companhia geral da agricultura das vinhas do Alto Douro. Conceigáo (José Nunes da). Conceigáo (Baráo da). Guerra (José da Conceigáo). Castanheiro (Balthazar Rodrigues). Serdeira (Manuel Antonio Francisco). Lardoso Júnior (Antonio Pedro)..... Coriscada (Viseonde da). Aguilar (Bernardo de Lemos Teixeira de). Fernandes ( Joaquim Pinto). Ferreira (D. Antonia Adelaide). Ferreira & C. a . 143 í i Designadlo dos productos O i Localidades j premiados 9 1 _ o s- 0 -, Medalhas S Redondo —Evora- Amares—Braga. Arnaes — Braga. Arronches — Portale- gre Lisboa. Magáo —• Santarem Lisboa — Olivaes. Fécula de batata. Vinhos. Azeite. Lisboa. Alpedrinha — Gastello B raneo Penañel —Porto. Pagos de Ferreira. Lisboa. Santarem. Crato — Portalegre — Vizeu. Faro. Penañel — Porto. Angola. Faro. Porto. Elvas. Funchal. Elvas. Lisboa. Peso da Regua.. Setubal. Meda — Guarda..... S. Joáo da Pesqueira Baiáo—Porto...... Villa Nova de Gaia.. Licores e conservas Azeite. Vinhos e vinagres . Farinhas. Vinhos. Farinhas, Vinhos... Azeite... I i Vinho.j Alcool de figos. Farinha. Tabaco manufacturado Aguárdente de fructas Vinhos. Azeitonas. Vinhos. Conservas de fructas.. Vinhos. Farinhas. Vinhos Lisboa.1 Chocolates exaropes. 144 O CD e 0 S5 17o 176 177 178 179 180 181 182 183 Nomes Silva (Joaquim da Mota Ferreira da) Ferreira (José Victorino). Fonseca (Joaquim Antonio da). Geraldes (Manuel Vaz Preto). Gersttacher (C. F.). Gomes (Bernardino de Barros). Portugal (José Gomes). Guedes (Visconde de). Guerra (José da Conceicáo). 184 18o 186 Gouveia (José Ignacio Homem) Jorge (Paulo). Leal Costa & C. a . 187 188 i 189 ¡ 190 191 192 193 I 194 I m i) 196 ! 197 I 198 i 199 f 200 ; 2oi II 202 203 204 206 Leal Costa & C. a . Lemos (Antonio Correia de). Macedo Júnior (Camillo de). Magalháes (Antonio Barros de). Magalháes (Francisco Jacques de)... Bosa (Joáo Maria). Marques (Anna). Marques (Jacinto). Martins (Joaquim Loureiym). Mata (Francisco Constantino Pereira) Mello (Antonio Augusto). Mendonca (Manuel Márcalo). Mesquita (Pedro José). Mira (José Paulo de). Miranda (Antonio Augusto Lobo de) Moura & C. a (Antonio Gomes). Mouráo (Luiz Teixeira). Mota (Manuel Justino Marques). Museu colonial. 14o Medalhas Localidades Designafao dos productos premiados Progresso Mérito Diploma de mérito Rio Maior — Santarem 1 )> - - 1 Vinho . _ 1 - Azeite.. - 1 - Genebra . - 1 - Azeite. 1 1 - Farinhas. _ 1 - Vinho.. — - 1 Azeitonas, fructas de - - 1 conserva, chocolate e biscoutos. Vinhos. 1 )) - - 1 Carnes e peixes em con- 1 - - Fructas em conserva... - 1 - Azeite. - - 1 Vinhos... _ - 1 Villa Real. )> Aonardente. - 1 1 Vinhos . - - 1 Farinhas. - 1 - 1 Vinhos . - 1 - Farinha. _ - i Vinho. - 1 - - 1 "Vinho. _ 1 - Tahua . Azeite. - - 1 Vinho. - - 1 Lagos . )) - 1 - Porto., _ _ ,. )) - - 1 Alijé.. )> - - 1 Tibáes — Braga. Lisboa. * 1 1 . “ 1 10 mérito 146 O 206 207 208 209 210 211 212 213 214 215 216 217 218 219 220 221 222 223 224 225 226 227 228 229 230 231 232 233 Nomos Museo, colonial. „....... Veiga (D. María Suzana de Ñapóles Figueiredo da)* Nascimento (Manuel Antonio do)... Negráo (Joaquim de Almeida). Sá (Thomás Antonio Cardoso de Novaes). ! Palmeiro (Joaquim da Silva).. ■ Sousa (Pauperio Ricardo de)....... ! Pereira (Joáo Lucio).. i Pessanhá (José Pereira de Castro). > Yieira (Manuel Pinto da Silva). 1 Pimentel (Joaquim Victorino da Cunha). ; Pita (Dr. Cesar Augusto Mouráo). ! Queiroz (José de Sequeira Pinto de)... j Rangel (Manuel de Sousa)... i Reivas (Carlos)....... Rebello (Domingos José). i Roberto (Theodoro Guilherme). i Rodrigues (Antonio Cae taño). Sá (José Filippe de). Sampaio Irmaos e C. a . Sampaio (José María da Veiga Cabral). Santos (José Cesario dos)... Schrumann (Adolpho). liemos (Julio Correia). Silva (Antonio Augusto da). Silva (Paulino da Cunha e)...... Pinto (Miguel Ventura da Silva). 234 235 236 237 238 Soarcs (Domingos José). Silva (Antonio José de Sousa e).. Sousa (Avelino de). Themudo (Antonio Dias). Veiga (D. Candida Hermelinda da) 147 Medaüias Localidades Designagao dos productos premiados l 8 1 g ! O l o ^ £ i cj : ZÍ 3 ~ 1 s 1 Lislma. Aguárdente. 1 Goes . . Batatas. — 1 Ponta Delgada .. -_ Faro.... . Licores. _ i Azeite. __ * 1 * 1 Vinho . 1 i Alenhana . Azeite. 1 Farinha e mel. 1 __ Vinho . _ _ 1 j Vianna do Castello_ )> - - i Farinha. 1 _ | Porto Azeite. _ 1 Funchal. Vinho . 1 _ Vianna do Castello_ » - - 1 Penafiel. Azeite. — 1 Porto. Aguárdente. i Torres Novas. Vinho.. 1 _ Castello Braneo. )) _ 1 Lisboa. Licor de leite. _ _ 1 Porto. Vinho. 1 Santarem. )> _ 1 Funchal. » 1 Alijé. i) 1 — 1 Carcavellos. )) — — Biscoutos.. 1 _ Vinho . _ 1 Porto .. )) 1 _ _ Azeite. _ _ 1 Lisboa. Apparelhos para filtra- cáo de vinho. - 1 Braga... Azeite. _ 1 Farinha. _ 1 Braga . Vinho . 1 Coimbra.. . Licores. 1 Alijó . Vinho. - 1 - 148 C O ■5 £ 239 240 241 242 243 244 245 246 247 248 249 250 251 252 253 254 255 256 257 258 259 260 261 262 263 264 265 266 267 Noraes Vianna (Antonio Manuel Pinto). Welsch 1 Lisboa. Cordas. i Goes. Tecidos de linho. 1 Coimbra . 1 Paredes .. Linho . i _ » Lá. _ i Villa Nova de Gaia_ » _ i _ Barcellos. Chapéus de cortina .... _ * 1 Seda. _ 1 Pnrto. Calf ado . i » Seda . — 1 Marco de Canavezes. .. Linho . - i - Guardanapos . __ _ 1 Rraga... . - , - - Linho . _ i Angra do Heroísmo _ Tecidos de lá e linho .. - 1 Penafiel . Tamancos . _ 1 )) )) - - 1 í i i 154 ir* o <0 o I r3 S5 Nomes 328 329 330 331 Cardoso (José Pereira). Santos Rocha & Moreira. Schalk (Henrique). Cruz (Luiz Ferreira de Sousa) 332 Sousa (Estevao de) 333 334 335 336 337 Venancio (Domingos) GRUPO 8.» Associafao commercial do Porto... Avellar & Miranda. Mardel & Magalhaes.... Pinto (José Zeferino). 338 Silva (Joaquim da) GRUPO 9.° 339 340 341 Barlow (Joáo). Direccáo do bazar do palacio de crystal do Porto Ennoz (Francisco). 342 343 344 345 346 Fabrica de vidros da Marinha Grande Mafra (Manuel C. Gomes). Bastos (Ferreiras Pintos). Santos (Joaquim Antunes dos). Rato (Antonio Moreira). 8 347 GRUPO 11.» Sá Couto (Joaquim de). 155 Medalhas Localidades Porto., Lisboa Porto. Lisboa » Designar,ao dos productos premiados T3 Oiro e prata em folha Tubos de chumbo. Pregos. Eixos de carruagens e bombas Objectos de prata e oiro Tres medalhoes. 1 5 -<4- Porto... lúsboa.. Porto... Coimbra. Modelos em madeira .. Palitos. Parquet. Esculptura em madeira Palitos. Lisboa. Porto. Vallongo- Leiria. Caldas. Vista Alegre Lisboa. Faianfa. Figuras de barro. Ardosias, imitando marrnore. Vidros. Loufa das Caldas. Porcelanas. Marmores. » Aveiro Papel de differentes qualidades l _ j 1 : - _ 1 - _ 1 - i - 1 - 1 - i - 2 3 _ ! 1 __ ; 1 - - : 1 - _ ; 1 _ _ 1 - 1 - - 1 - 1 5 3 - 1 L Diploma mérito Nomes i m 302 303 304 30o 306 307 308 309 310 311 312 313 314 315 316 317 318 319 320 321 322 i i • ! 323* 324 Ramires & Ramires. Roxo (Viuva). Reai fabrica social. Sallas (María de Jesús). Santos (José Rento da Silva). Silva (Bento José da). Silva (Bernardino da). Silva & C. a . Soares (Domingos José). Sousa & Filhos (Antonio Nunes de). Soares Gorreia Fajardo (Antonio Manuel) Soares (José Nogueira). Freitas (Manuel Leao). Torres (Antonio Alves). Yasques (Joáo José). Vianna (Antonio Martins). Braga (Manuel José Vieira). Viegas (Antonio María dos Santos). Lopes & C. a (Francisco José). Anjos Cunha Ferreira & C. a . Pereira de Matos (Francisco Constantino). GRUPO 6.» Callado (Viuva)... Lamas & C. a (José) ¡i 325 i, 326 327 GRUPO 7.° Cerquinho & Silveira. Sousa (Francisco Moutinho de) MourSo A Irmáo. 153 Localidades Lisboa. Designado dos productos premiados Tecidos de seda. Ghapéus. Medalhas Linho . 1 Boucas — Porto . )> j 1 - Chapéus . — 1 _ 1 1 Luvas . _i 1 1 Esteiras . _ 1 Linho e canhamo . ■ i Tecidos de la .. 1 Linho e canhamo. 1 Tamancos. _ 1 Porto. Linho e canhamo. 1 Linho . _ 1 _ Carnizas . 1 _ Porto . (falcado . 1 Coimhra. . Borla de doutor . 1 T.ishoa . Linho e canhamo . 1 )> Tecidos de 15 . 1 » Estamparía de algodao 1 - - Tecidos de crina . _ 1 8 44 28 Conros . 1 Lisboa . » _ 1 — : - 2 Bijouterias de prata e 1 _ oiro ¡ » » - - 1 Lisboa . )> - 1 1 - Diploma do mérito i 56 s ^3 Um O o ’TS O» S É5 Nomes 348 349 350 351 352 353 354 355 356 357 358 359 360 361 362 363 364 365 366 367 368 369 Lisboa & C. a . Lemos (Joao Goncalves de). Villa Nova da Rainha (Visconde de). GRUPO 12.° Camacho (J. F.). Commissáo geodésica. Imprensa nacional de Lisboa. Lallemand & Irmao. Molarinho (José Arnaldo Nogueira), Observatorio do infante D. Luiz... Reivas (Carlos). Rocchini (Francisco). Fernandes (de Sonsa). GRUPO 13.° Pena (Joño Antonio Alves de). Bastos (Antonio Pinto). Guerra (Joaquina Baptista)... GRUPO 14.° Instituto industrial e commercial de Lisboa. GRUPO 18.° Empreza das minas do cabo Mondego. Direccáo dos trabalhos das obras do Mondego. Malheiros. Mira (José Paulo de). Rato (Antonio Moreira). Santos (Joaquina Antunes dos). 2 157 Localidades Lisboa. - Coimbra. Thomar. Designacao dos productos premiados Encadernagñes Papel. Medalhas Fundía. Photographias .... Lisboa. Carta de Portugal.. Obras typographicas Porto.. Lisboa. Porto. Medalhas. Photographias do sol. Photographias. T . ^ Velocipede. )) Contador de agua .... Tear á Jacquard. Instrumentos de pre- cisfio. Vidros. Mar mores. » Telha. Obra em marmore ... Marmore. - i — — - 1 1 - - - - - 2 4 - _ - - - - — — 1 - - - - — - 1 _ 1 1 - 1 Progrcsso i 58 C d •§ 370 c71 372 373 374 373 376 377 378 379 380 381 382 383 384 383 386 387 388 389 390 391 Nomos Direccao das obras publicas de Angra do Heroísmo. Silva (Joaquim Possidonio Narcizo da). GRUPO 21.° Borges (Joaquim Antonio). Oamara municipal de Extremoz... Commissáo do Funchal.. Camara municipal de Peniche. Guerreiro (Antonio Manuel). Sousa Guimaráes (José de). Sepulveda (D. Christina). Luiz (Antonio)... Malato (Manuel). Silva (Francisco Antonio Rodrigues da). Sousa (Maria do Rosario). r ... Silva (Joaquim Maria da). Saraiva (Daniel daVeiga). GRUPO 26.° Associacáo protectora das meninas pobres. Associacáo protectora dos rapazes pobres. Associacáo promotora da industria fabril. Asylo de D. Pedro V. Aranha (Pedro Wenceslau de Brito). Escola normal de Lisboa. Estabelecimentos de caridade (*). (’) Em consequencia de nm equivoco do jury forana contemplados conectivamente os asylos da infancia desvalida, casa pía de Lisboa e ou- tros estabelecimentos. 159 | Medalhas Desienagao dos productos | | o t rs L Localidades premiados j * 1 rt ,2 1 i to O ■U ! 5 | Angra do Heroismo... Pozzolanas. 1 1 — j 1 | Desenhos, etc. _ 1 | ¡ - 2 | 6 1 Vianna — Evora. Louca . _ i ! 1 I Extremoz. Pelo aperfeicoamento da - 1 ; - | louca de barro. i Funchal. Bordados e obras de - 1 - | junco e palha. I Rendas. — 1 - 1 Louca de barro. _ — 1 1 Vianna do Castello.... Rendas . - - Leiria—Peniche. » - - i Louga ordinaria. _ — i Louca preta. i Praia da Victoria. Cestos e escovas. - - i Bordado. _ — i Extremoz. Louca de barro. - - i Esteiras. — i í - 10 Instruccáo. i )> » — - i )) Publicacóes, etc. - 1 - )> Instruccáo. - - i )) Obras Iliterarias. - - i )> Escriptos, desenhos, - - i etc. » Para educacao de ope- - 1 - rarios. 160 I Tí Tí © Nomes 392 ! Ministerio do reino. 393 l Moniz (Joao María). 394 ¡ Mota (F.). 39o I Hussell & Waguer . 396 ¡ Rolland & Semiond, 161 Localidades DesienafSo dos productos premiados 5 '7" i te O £ ledalha o j*n y *Wk*fc -tí^sA :%ak>«iappaMm^Víl^ ‘:wú*v &$j • ’-v-- - • ■ ,v;¿!« ' ; 4 ¡i>ÍIM- llí '-?«*. ■ • -. .^ v v) r •-•' v . '■; r 'cen.^-s> iát¡-. -¡¿ jj, / ■. rJ * ^ ^'Ít 1 $¿Ú?& ’íiá^áltjoi.di' Z&fyt . m '*-****&*-<& 35 ^ .*. ;vV-.H'itn }jh( 3 jlftít,;. . . .«íiríjiov v M •• l ** j» -. ¿xt ¿L sWíkIislWí ‘ ' * ;> '.’ 5 '-Tuttsv . v. •£v.* ?.*fc. ú.9 , ¿«ií i ';vá?.»N . jj¡ "' . faÓ i^attkiftywuíi * *»' t; ;•. •,^ wáQiai : *& .. .. ¡& : *' "i«í» ' «¿Íe ^m:q*,<3awtíl’OiiUMí." V^í ^ 1>i|>» B nií ** • lü. » i» T #. 11 ^':.' ,, itt’J N.° 11 Yienna, 15 de novembro de 1873. Sr. Fradesso da Silveira, commissario geral de Portugal.—Lamento nao ter tido a honra de o ver, antes da partida, para exprimir verbalmente, agora, depois de terminada a exposigáo, todos os meus mais sinceros agradecimentos, pelo seu zélo verdadeiramente infatigavel, e pelo trabalbo a que se deu, para orga- nisar a expósito portugueza. É a v. que o seu paiz deve o haver sido táo dignamente representado, apresentando-se a sua exposigáo superior ás precedentes de París e de Londres. Esta é a opiniao unánime de todos os que visitaram a exposigáo de Vienna, podendo v. ter a satisfactoria convicgáo de que os seus esforgos tiveram o éxito mais feliz. Creia, sr. commissario geral, na minha sincera gratidao. Espero que a mudanga de clima e a tranquillidade, 13 194 restabeleceráo em breve a sua saude, provavelmente affectada por um excesso de trabalho, e terei grande satisfagao com a noticia do seu completo restabeleci- mento. Aproveito a occasiáo para reiterar os meus protestos deconsideragao.=(Assignado), Schivarz-Sen- born. Vienna, lo de novembro de 1873. Sr. Fradesso da Silveira, commissario geral de Portugal.—Com o maior prazer recebi a noticia de se haver dignado Sua Magestade o Imperador, meu augusto soberano, conferir a v. a gran-cruz da sua ordena de Francisco José. Pego-lhe que receba as mais vivas felicitagoes por esta alta e bem merecida distmeño, que ha de compensar urna parte do seu trabalho na organisagao da exposigao de Portugal, que táo notavelmente foi representado. Desejo sinceramente que possa gosar aínda, por muito tempo, d’esta e de todas as outras distinegóes, que de certo lhe seráo conferidas como recompensa dos servigos que prestou. Queira receber os protestos da minha consideragáo.=(Assignado), Schwarz- Senborn. Ill. m0 e ex. m0 sr. — Profundamente reconhecidos a v. ex. a pelos valiosos e assignalados servigos que v. ex. a preslou á industria e eommercio nacional., e em honra do nome portuguez, no exercicio das importantes funccóes do commissario regio na cxposigáo internacional de Vienna de Austria, vamos por este meio significar a v. ex. a a nossa eterna gratidao, e o muito que apreciamos e admiramos a inexcedivel dedicado, a esclarecida solicitude e o acrisolado patriotismo, de que v. ex. a deu tantas e táo exuberantes provas. Na difficil commissáo de que v. ex. a fóra encarre- gado pelo governo de Sua Magestade, muito espera- vamos das eminentes qualidades de v. ex. a , que pela sua intelligencia cultivada, largos conliecimentos scientificos, genio laborioso e elevado carácter é um dos cidadaos mais illustres d’este paiz; mas o que v. ex. a fez n’aquella grande festa do trabalho excedeu a nossa expectativa, pelas muitas diíficuldades que v. ex. a teve de vencer, pelas condigóes especiaes em que nos achavamos, visto serraos dos últimos que se prepararan! para aquelle certame, e especialmente por termos de lutar ñas nossas industrias com as de ou- tras nagóes muito mais adiantadas, e das quaes aínda hoje recebemos licúo e exemplo. E já que esta nossa manifestado tem por finí deixar bem registados os notaveis servicos que v. ex. a pres- tou aos diversos ramos da industria portugueza, nao devemos esquecer que a v. ex. a se deve principalmente ter Portugal tomado logar ao lado dos povos mais ci- 1% vilisados do mundo, levando áquelle grande conGurso os fructos da nossa actividade, as riquezas naturaes do nosso solo, e os testemunhos do nosso empenho em progredirmos, e em collocarmo-nos a par das na- goes, que mais se téem ¡Ilustrado ñas lutas da intelli- gencia e do trabalho. Foi v. ex. a que eom a mais desvelada solicitude sustentou triumphantemente na imprensa a alta conveniencia industrial e política de acceitarmos o convite honroso que nos liavia dirigido o governo austríaco, foi v. ex. a que, pela sua merecida influencia na classe industrial, contribuiu poderosa e eficazmente para que fosse crescido o numero dos expositores, e foi v. ex. a que, por um esforzó, que até os proprios estranhos admiraran! e applaudiram, tornou o nosso modesto e humilde nome conhecido e repetido com louvor em toda a Europa. Depois, nos trabalhos do jury, ñas conferencias com os representantes das diversas nagñes que con- correram á exposigüo internacional, nos congressos, em toda a parte, emfim, onde v. ex. a teve de comparecer, foi táo distincta a posicao que v. ex. a sustentou, táo eminentes dotes revelouv. ex. a semprenas re- unióes com os homens mais esclarecidos de todos os paizes, que a nossa exposiQáo teve o mais lisonjeiro e brilhante éxito. Esquecer esses servidos, esconder esses méritos, nao tornar bem publico o subido apreso em que te- 197 mos tudo quanto v. ex. a fez pelas classes commercial e industrial, e pelo paiz, seria indesculpavel ingrati- dao, que nos envergonharia aos nossos proprios olhos, e aos dos estranhos, que táo honrosas demonstragóes de considerado e de estima deram a v. ex. a Nao concluiremos sem significarmos a v. ex. a que é de alto valor o beneficio que a classe operaría rece- beu de v. ex. a com as ricas collecgóes obtidas exclusivamente por diligencias de v. ex. a para o museu industria!. N’esse grande numero de objectos, quev. ex. a adquiriu para aquelle museu, está o testemunho mais eloquente das sympat-hias que v. ex. a soube inspirar no estrangeiro, e o muito que lucrou o paiz com a acertada escolha de v. ex. a para nos representar na exposigao internacional de Vienna de Austria. Protestando a v. ex. a o nosso affecto e nosso reco- nhecimento, peza-nos que no fim de tantas fadigas, v. ex. a nao possa gosar inteira e completa satisfagao de ter bem merecido da patria. Resistiu v. ex. a com a sna alta intelligencia a todos os obstáculos, que podiam ser debel lados por um espirito superior, mas o corpo teve de ceder ao cansago, eessa cruel enfermidade, de que v. ex. a solfee ha uns poucos de mezes, foi o resultado do excesso de tra- balho, e do muito que v. ex. a se esforgou para honrar o seu paiz. Dirigindo a v. ex. a os nossos agradecimentos, os nossos applausos, e as nossas felicitagoes, fazemos ar- 198 dentissimos votos pelo seu prompto restabelecimento, para que a patria possa ainda aproveitar da intélli- gencia e da dedicagáo de um dos seus filhos mais beneméritos. t Lisboa, 2 de maio de iSlA.—Anjos Cunha Ferreira & C. a =(Os gerentes, A. L. F. dos Arijos e Joaquim Moreira Alargues) = B. Daupias & C A=Cor deir o (& Irmáo — (Fabrica delouca de Sacavem, o encarre- gado, Joaquim Antonio dos Santos) —Jodo JoséVas- ques = Francisco Garda & C. a = (0s directores da companhia nacional de íiacao de tecidos de Torres Novas, Cypriano José de Abren e Francisco de Oli- veira Soares) = Antonio da Silva Pereira Alaga- ¡háes—Bento José da Cunha Vianna — Polycarpo José Lopes dos Alijos = Iíenrique Schalck=Gabriel José Pamir es — Jodo Baptista Schiappa de Azeve- do= Pedro Augusto Martins da Búxa = (O gerente da companhia mineira e industrial do cabo Monde- go, Jodo Arthur Pereira Caldas) = Estevdo de Sou- sa=( A sociedade da fabrica de lanificios do Campo Grande, Francisco José Ferreira e Francisco José Lopes Ferreira) = Hypolito Delaye & CA — José llygino Ferreira Castello — Onofre José da Rocha Carvalho = (Theodoro Guilherme Robert, com es- tabelecimento de productos chimicos ) — José Bal- bino da Silva IJsboa & C. a = Joaquim Antonio Rodrigues Coelho = Lallemant fréres = Serzedel- lo & CA = Ferreira & CA = Mardel <& Alaga- 199 Iháes—Joaquim Antunes das Santos = Antonio Mo- reira Rato —Clemente Augusto de Assumpcao — Balthasar Rodrigues Castanheiro = Bruno da Silva = (Pela viuva de A. Roxo, Firmino Seixas)—Ar- thur H. Ivens = ( Pela companhia de mineragáo tran- stagana, Julio José Pires, director gerente) =(0 go- vernador do banco nacional ultramarino, Francisco Chamico) = A dolpho Schurmann = Mourao & Ir- máo = Jodo Carlos de Brito Capello = Félix de Brito Capello — Joáo Manuel de Freitas = Mauricio José Dias=Domingos Yenancio = José Antonio Dias=Manuel Vicente de Jesús={ Pela direccáo da associagáo protectora escolas de asylos para rapa- zes pobres, o presidente, Conde de Rio Maior) = H. C. de Carvalho Prostes = C. M. Eugenio de Almei- da = Biester, Campos & C. & = José Diogo da Sil- sa — Avellar & Miranda = Carlos Augusto Pinto Ferreira = Joao Antonio Alves Pesia = Pedro Wencestan de Brito Aranha= Visconde de Villa Nova da Rainha= Francisco Rochini =(Pela companhia de fiagao e tecidos lisbonense, os directores, A. J. Rodrigues Leitáo e Izidoro Thomás de Moura Carvalho)—Leal Costa & CJ= Bernardino Antunes da Silva—(Antonio Pinto Bastos, machinista constructor) =Verissimo Alves Pereira=Visconde da Ribei- ra de Alijó=( Pela companhia lisbonense de estamparía e tinturaría de algodoes, os directores, Antonio Adriano do Costa e Cazimiro Jeronymo Men- 200 des)=Joño Alfredo Dias—Dr. Cesar Augusto Mou- rao Pitta — Henriques & Aguiar = (José Lamas & CA, fabrica de cortumes) =Eduardo Antonio da Costa=Estevüo Antonio de Oliveira Júnior —{ Pela direcgao da fabrica da Vista Alegre, E. Pinto Basto & C. a J = (Pela camara municipal de Lisboa, o presidente, Barao de Mendonca)=José Cesario dos Santos-Augusto Frederico Etur=(Veh companhia das aguas de Vidago, José Pedro Antonio Nogueira) = B. J. L. de Andrade = B. A. Vieira de Mondonga =Luiz Manuel da Costa=José Miguel de Al- meida Júnior=Antonio Augusto Per eirá de Miranda—Albino Coelho de Seabra= Ferreira & Sea- bra = Antonio José Ferreira Monteiro — Estevao Nunes <& C.'^—José Pereira Cardoso = L. Rang= Diogo Abecacis = Manuel Machado F'ranco —José Henriques Ferreira = Manuel José da Silva Arau- jo=José Gregorio da Rosa Araujo=Remar dino de Sena Antunes Ribeiro—Viuva Theotonio Pereira & ¿ F. 0S — Manuel Pedro Marques = Wm. Gruís = Filippe & Lino=Eduardo de Mendia & CA= Francisco Vaz = Wm. Medlicott — Francisco da Silva Pinto = Manuel Augusto Pereira —José Diogo da Silva & Irmaos—José Antonio Teixeira= Thiago Antonio da Silva=(A companhia da fabrica de algo- does de Xabregas, o director, Joaquim Moreira 1Marques) (A companhia de lanificios de Arrenteila, o director, P. R. Blanco) = (A empreza da mina de 20i S. Domingos, o agente, Francisco A. Correia) — Henry Burnay. Os abaixo assignados, possuidos dos mesmos sen- timentos, demonstram por esta forma o seu agrade- íimento. i Covilhá, 1 de junho de 1874. — Gregorio Nunes Giraldes—José María V. S. Campos e Mello = Vis- conde de Mor do=Francisco Alves=Joáo Alendes Aleada de Paita = José Claudino da Silva Guima- ráes = Antonio Baptista Alves Leitño = José de Amo- rim Vaz de Carvalho — José Antonio de Almeida Momo = Antonio José Tarares — Francisco da Silva Guimaraes=Manuel Tarares Barreto=José Tarares Barreto = José Bárrelo Per eirá Tarares = Manuel Baptista da Cosla=Antonio Eduardo de Oli- veira Mello—Antonio Nunes de Sousa=Francisco Antonio Nunes de Sousa = Joaquim Antonio Nunes de Sousa —Francisco Joaquim de Almeida Campos = Manuel Teixeira Sénior = José Ferreira de Almeida Teixeira = Silvestre José Teixeira de Aze- redo = José Bernardo da Costa — Jodo da Costa Eufemio = José Moza = Jodo Caetano—Antonio de Almeida Coelho = Joaquim de Almeida Per eirá — José Ramos = Manuel Fernandes = Manuel Nunes Duarte = Francisco da Fonseca Castanha — Francisco Faria Bichano Júnior = Jodo José Rato= 202 Antonio Aloes da Costa —Emile Lardiére = Manuel de Almeida Aloreira = José da Costa Alasca- renhas = José María do Carino —Francisco Xavier da Costa = Francisco de Almeida Ribeiro = Joaquim Marques Roque = Jodo Paulo Secco = Antonio Fernandes Nogueira = José Teixeira = José Rodrigues Mouro=Francisco Antonio de Sam-. paio e Lemos — Clemente Dliarte da Costa—Antonio de Almeida = José Nunes Mousaco=Januario Fernandes — José Pires de Oliveira = José Fortuna—José María Cassapo — Honorato Ascensáo da Fonseca=Jacinto Albano — Severiano da Costa Xistra=Antonio de Mora-es = Augusto de Almeida Fortuna = Joño José de Almeida—Joaquim José Alaria Teixeira=Firmino Rodrigues Podao—José Rodrigues Pinto=Joáo dos Santos = José Baptista Mor cegó = Jodo Rodrigues Pintacilgo = Narciso da Costa = José Macedo = José Gomes Mouro = Ade- lino Roque=Manuel Vaz=Joao Alendes Ramalho— Cazimiro Antonio = Fir mino Rebello = Joáo de Almeida Ribeiro—Antonio Alaria de Oliveira=Ma- nuel Alendes Aleada—Sebastiáo da Costa Ratto — Manuel de Almeida Teixeira Júnior=Luiz Alantei- gueiro=Antonio Alaria Nogueira = Francisco Antonio Amar al = Manuel Ribeiro Alendes = Francisco de Almeida Francez — Alanuel Marques Roque — Antonio Alendes Alarcalo = Francisco Nico- lau de Sousa=Joaquim Antonio de Oliveira— José 203 Antonio da Cunha = José da Cruz Mor eirá — A. A. Callaya=John War ring ton=José R. Barreiros= Paulo José Alartins—José Delfmo Alendes Veiga= Porphyrio Antonio Nunes de Sousa=Manuel Tei- xeira Alendes Leitáo = Paulo de Almeida Souto = Manuel de Sousa Brandáo — Joaquim de Sousa Brandáo=Joáo Rodrigues de Almeida=Antonio Ferreira de Abreu = José Antonio Freire = José da Silva Lansinha = Manuel da Silva Lanzinha —Joaquim Lopes Ramos = Domingos Martins Leitáo = Antonio Per eirá Alendes = Francisco Antunes Alendes = Antonio Rodrigues Ferreira = Joño Baptista Pinto de Magalháes=Jul. Farslenan—Antonio Yaz de Carvalho = José Alberto Barboza=Rafael Francisco de Moraes = Antonio de Sousa Brandáo = Francisco d,e Campos Ferreira Dourado = José Alalia da Graca e Silva = Januario da Costa Rato = Pío Braz María da Fonseca=Joaquim Nunes Car- rega=José Adelino Henriques da Silva —Francisco da Fonseca Teixeira=Jeronymo de Andrade Fre- xes = Mauricio José de Freitas Castel Bramo =Antonio de Almeida Fortuna=Antonio de Almeida Fortuna Júnior=Francisco Rodrigues Antunes Cas- tanhinha—Antonio Carlos de Sousa Pimentel— José María dos Reis = Antonio de Sousa e Sá= Eduardo Cardoso Moraes —Joño Evangelista de Pinho = Constantino dos Santos Silva = Antonio dos Santos e Silva=Francisco da Costa Trenas= 204 José Ferreira Sucenci= Damaso de Azevedo Bar- bosa= Víctor Sassetti=Jeronymo Gomes Cardona Barata = Domingos da Cruz Tarares = Antonio José Baposo = Jodo Marques Diogo = Alberto Eloy Giraldes Nogueira—Francisco de Sá Pessoa=José dos Santos de Almeida=José de Paira Catarro= Cassianno dos Santos Almeida=Januario da Costa Rato Júnior=José Manuel Tarares da Cruz=Antonio Tarares da Cruz=José Tarares da Cruz = Antonio Nunes da Costa = José Mendes da Graca= Augusto de OlireiraViegas—Jodo Nunes Mouzaco = Sebasliáo da Costa Rato Júnior = José María Aires Mantas=Remar dino Moraes de Olir eirá—Antonio Pessoa de Amorim Navarro = Daniel Antonio da Silra — José Guilherme de Castro = Ayres Cesar de Almeida Penha=Augusto Nunes Correia—Jerony- mo Monteiro Calkina=Jaime Arderías=P. Doria Borren = Antonio Antunes Paes = Ambrosio Gomes Ba,rata = José Bernardo Meceno Grillo=Manuel Rodrigues da Cruz=Pedro de Alcántara Quin- tella—José Antonio de Carvalho=Antonio Pires de Olireira=Antonio Augusto da Fonseca=José de Fi- gueiredo Espinho Júnior—Bernardo Esteres Lino- Bernardo Antonio Rosado = Francisco Lopes Ra- mos=Antonio dos Ramos=José Joaquim Nicolau— Manuel Joaquim de Almeida Francez = Manuel Telles de Paira — José Rodrigues Pintacilgo = Manuel Arraáno =¿= Jodo Barata = Antonio de Moraes 205 Delgado = Manuel da Conceicáo de Maraes = Antonio de Paira Torres = José María Coelho — Manuel da Monica = Jodo Duarte= Theodoro Fernán - des Beato = Francisco Duarte = Jayme Bovira — Antonio Marques = Jodo Fontainhas —Vicente Pe- reira = Antonio Marques Madeira — José Per eirá Nina Júnior = Jodo Pereira Quintella = José Gomes Cardona Barata = José María Saraira = Joaquim Manuel Sousa = José María Rainha—Joaquim dos Santos de Almeida=José María dos Santos de Al- meida — José Marques Roque = José da Fonseca Teixeira — Joao de Almeida Cassapo = José Joaquim Esteres—Visconde da Comeada = Dr. Manuel Nimes Giraldes. Ill . m0 e ex. mo sr. — Os industriaes e demais expositores d’esta cidade do Porto, profundamente reco- nhecidos pela maneira altamente digna como v. ex. a , na qualidade de commissario regio na exposigáo de Vienna de Austria, dirigiu os trabalhos relativos á ex- posicáo portugueza, contribuindo com o seu reconhe- cido zélo e amor pronunciado pelas cousas patrias, para que as nossas agricultura e industria occupas- sem um logar distincto n’aquella exposigao, honrando por esta forma os agricultores e industriaes portu- guezes, e exaltando a nagáo a que pertencem, falta- riam a um imperioso dever de respeito e gratidáo, 206 se náo.levassem á presenta de v. ex. a os sentimentos do seu profundo reconhecimento pelo elevado servido quev. ex. a , táo espontáneamente, mais urna vez pre- stou a urnas classes. das quaes v. ex. a se tem declarado um defensor extrenuo e dedicado. Digne-se v. ex. a acceitar dos abaixo assignados os protestos da mais respeitosa gratidáo, acompanhados do maior ¡nteresse pelo bom restabelecimento da sua importante saude. Dens guarde a v. ex. a Porto, 24 de abril de 1874.— Ill. m0 e ex. mo sr. conselheiro Joaquim Ilenriques Fra- desso da Silveira. = (P. p. de Rebello Yalente Alien, Alfredo Alien) =Francisco Antonio da Costa Braga= Antonio Martins Vianna = C. F. Gerstlacher — José Arnaldo Nogneira Molarinho—Zeferino José Pinto— Joño José Pereira e FUho = Francisco dos Santos Cameiro = ( P. p. de J. Pereira Cardoso, José Pereira Cardoso Júnior) = Cerquiriho $ Silveira = D. Matth. Feuerheerd Júnior=Wiese Dahl Sf CU=(C. Menores § CU, successores de Paes e Meneres)=Aw- tonio Caelano Rodrigues=Santos Rocha e Morei- ?Yi=(Bazar do palacio de crystal, C. Pinto da Silva.) = Joaquim Baptisla Silva Guerra —Luiz Fer- reira de Sousa Cruz. Ex. m0 sr. conselheiro Joaquim Henriques Fradesso do Silveira. — Como presidente da directo da asso- 207 ciagáo promotora da industria fabril, e no impedimento do presidente perpetuo, o ex. mo sr. marquez d’Avila e de Dolama, tenho a honra de me apresentar a v. ex. a com os secretarios e mais socios aqui presentes, para, emcumprimento de deliberacáo unánime da assembléa geral, e em seu nome, felicitarmos a v. ex. a pelas progressivas melhoras que experimenta no seu padecer, e pelos importantes servicos prestados por v. ex. a á industria portugueza na qualidade de com- missario regio de Portugal na expósito de Yienna de Austria, commissáo desempenhada com o acertó, efficacia e patriótico zélo que tanto distingue a v. ex. a A associacáo promotora da industria fabril agradece a v. ex. a táo valiosos servidos. Lisboa, 11 de setembro de Antonio María Couceiro. i i 1 *y s! D‘ tí. í--v - > , 0 ; > i»-< ¿ i í(knv»i ■’f ^'títL-i^nr-"?.*vT:T4r^“ v_- »*•' ‘'ís*-.r.i:.* ’ • : ;» :. i' v- ! :r\^Uft*Ud!Mígn í-u ' 1 .-V V ¿'.» -<,¿-r*i¡<¿Pí: ;' J-íUfil ■ .*■ :*-V £¡?í#»i • 1 ■>. ‘ *^í« i,-i if.. -áip*'. U~H n : 12 NOTA DA DESPEZA FE1TA COM AS EXPOSICÓES UNIVBRSAES ExposifSo universal de París em 1855. 38:637^211 » » de Londres em 1862 . 46:120^784 » » de París em 1867. 75:356^317 » » deVienna em 1873 1 . 60:000^000 1 Esta despeza auctorisada pelo governo abrange o que se gastou com a exposicáo, o custo da publicado dos relatorios e noticias technicas, o frete e mais gastos com as colleccóes adquiridas, etc. Tem esta quantia, para encontró, e como compensadlo em receita, o valor da mobilia completa das galerías, suficiente para guarnecer os museus officiaes, e tambem o valor das coheches, que já é hoje muito consideravel, e que de dia para dia augmenta com a chegada de novos productos. Entre os productos adquiridos devenios contar as gravuras em madeira, e os clichés, como valioso auxilio para a publica- cao de informacóes technologicas, que podem ser de grande importancia para o progresso da nossa industria. Algumas d’es- tas gravuras e clichés, cuja descripcáo será opportunamente publicada nos relatorios technicos parciaes relativos aos diversos 14 li 210 grupos, appareceram como annexos da Noticia que publiquei etn Bruxellas no fim do aunó passado. Reservo outras, que depois recebi, para no logar competente me occupar d’ellas, descreyendo as machinas e instrumentos que representam. Para dar mais exacta noticia da expósito deVienna de Austria, desejava eu obter algumas gravuras, que representassem o interior das galenas, e os edificios annexos, construidos no Prater, ao redor do palacio da industria, e das galerías agrícolas; mas a minha grave e prolongadísima doenfa nao me deixou realisar este desejo, e como assim ficasse frustrado o projecto, formei urna boa colleccao dephotographias, que pode ser examinada no museu do conselho geral das alfandegas, e recorrí á officina hábilmente dirigida pelo meu illustre collega o sr. José Julio Rodrigues, lente da escola polytechnica, para a reproduccáo de varias gravuras allemas. Sei que por este modo nao ficou preenchida a lacuna, contieno que nao foi completamente executado um bom plano, o qual tinha por objecto a descripcSo minuciosa da exposicao de Yienna; mas acredito que estas recordares da grande fesla industrial de 1873 aínda poderño ter alguma utilidade, justificando a deliberado que tomei, quando me vi obrigado a desistir dos meus primitivos designios. Tendo tudo disposto para que os interessados conhefam o que se publicar, ein outros paizes, e especialmente na Austria, acerca do progresso das industrias manufactora e agrícola, seria injusto se nao declarasse que para obter as informales neces- sarias espero muito do zélo das nossas legagoes e consulados, contando particularmente com a efficaz coadjuvacáo de s. ex. a o sr. Coelho de Almeida, Enviado extraordinario, e ministro plenipotenciario em Yienna, e com o auxilio valiosísimo do nosso cónsul geral o sr. barño Wiener de Welten. I 1 i TMW-Bibliothek